terça-feira, 14 de abril de 2009

Império à deriva


... foi o livro que li nestes dias de alguma preguiça.
Gostei imenso deste livro (aliás, eu cheguei a uma idade em que não me posso dar ao luxo de desperdiçar tempo a ler o que não gosto, por isso, se li é porque é mesmo bom - pelo menos para mim, que os gostos não se discutem!)

Não vou contar a história (leiam!), só digo que o assunto são os 13 anos de vida da corte portuguesa no Brasil.Quando Portugal estava a ser invadido pelos soldados de Napoleão, o rei D. João VI, a mulher, Carlota Joaquina, a filharada toda e mais uns milhares de fidalgos, fizeram a viagem turística por que hoje todos os portugueses anseiam (eu incluída!): foram para o Rio de Janeiro.
Só que, naquele tempo ainda não havia novelas, nem samba, nem Carnaval, nem Jô Soares, Tom Jobim ou Vinicius de Morais, por isso a vida lá era uma grande chatice!

Quer dizer, lá para o meio da estada D. João VI já queria lá ficar, estava a gostar daquilo. Lá não havia as chatices que massacravam a Europa.
Já a D. Carlota não era da mesma opinião, detestava o Brasil!não devia haver fidalgos que chegassem para ela, digo eu...)

Sobre o autor, Patrick Wilcken:
é australiano, cresceu em Sidney, estudou antropologia e fez um mestrado no Institute of Latin American Studies, em Londres. Trabalhou para a Amnistia Internacional, no departamento da África Portuguesa, e foi editor de livros do The Daily Telegraph. Escreveu, recentemente, para o The Times Literary Supplement, para o The Guardian e para o Index on Censorship sobre assuntos relacionados com o Brasil.
Foi durante as longas temporadas que passou nesse país que encontrou a inspiração para escrever Império à Deriva.

Agora o incrível:

Este livro é da Editora Civilização, e não posso passar sem deixar um grande reparo: inacreditavelmente, o livro está cheio de erros ortográficos e de gralhas.
Não são 2 ou 3, nem meia dúzia, nem sequer uma dúzia! São dezenas ou até centenas!
Se contar com as palavras que deviam estar escritas com letra minúscula e estão com letra maiúscula, serão centenas de erros!
Antigamente havia revisores para reverem os livros antes de saírem para as livrarias. Será que essa profissão acabou?
É que não se compreende que um livro apareça nas livrarias neste estado!Se ainda houvesse palmatoadas (uma por cada erro!), estes senhores ficavam sem mãos!


Podem ler aqui no blog da Saltapocinhas.

3 comentários:

Noémia disse...

Se o nosso governo dá o exemplo e acha que não vale a pena pagar a um tradutor credenciado para fazer devidamente os programas e jogos do Magalhães...
Se acha que uns erros insignificantes nos primeiros anos de aprendizagem e formação, não são importantes, porque é que a Editora Civilização ou outra havia de gastar um dinheirinho extra a pagar a um revisor?
Nós até nem temos desempregados doutorados para cumprir essa e outras funções!
:)

ovelhanegra disse...

Dona Carlota podia até detestar o Brasil, mas é curioso que no seu "palácio", hoje um colégio, existe uma sala pintada com frescos retratando a flora e fauna do Brasil.
Para quem teve o prazer de lá fazer as suas refeições lembrar-se-á da riqueza dos pormenores.
Segundo as alunas mais velhas a sala tinho sido pintada para a rainha por esta ter muitas saudades do Brasil.
Provavelmente apenas mais uma estoria entre tantas outras sobre a estadia de D. Carlota na Quinta do Ramalhão.

Filomena

Ana C. disse...

concordo com tudo o que disse, até o detalhe dos erros ortográficos...não se faz! Mas o que me chocou mesmo foi ver a forma como a corte gastava o dinheiro e agarrar num jornal diário e ver a forma como o governo gasta o dinheiro. Moral da história: em 190 anos de história, calculo que avançamos 2 minutos em termos de desenvolvimento político, moral e ético! Temos muito trabalhinho pela frente...