quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Bimby na Cozinha Regional Portuguesa

Este é um livro que eu “quase” li… e uma nova contribuição para a Academia dos Livros.

“A Bimby na Cozinha Regional Portuguesa”, edição da Worwerk.
Fiz o download da publicação em PDF (147 páginas - cerca de 33Mb) que começa com uma introdução da directora comercial da Worwerk Portugal, um índice que apresenta 55 receitas e textos do Chef Albano Lorenço e do Rui Falcão. Depois das receitas (e cada receita tem uma proposta de vinho para acompanhar) tem uma ficha técnica que refere que a 1ª edição é de Outubro de 2008 e ainda que é interdita a reprodução de textos e imagens por quaisquer meios. Esta parte não percebi, ou melhor, acho que percebi, porque a edição em papel custava € 30,00 (o que dá cerca de € 0,55 por receita, quase o preço de um café – a mim saiu por menos de um euro, ligação à net, electricidade e uma água incluídas) e ainda tiveram que pagar às pessoas.

Com efeito, quase nada me move contra a “bimby”, tirando (e não é pouco) o facto de reduzir o acto apaixonado de cozinhar a um mero conjunto de “operações” que passam por “ler receitas”, pesar ingredientes, regular o termostato, programar o programa (é mesmo para ser um pleonasmo), rezar para que a máquina (com duplo sentido) não se engane e desfaça a comida, lavar a máquina, lavar a máquina, não lavar a máquina, acabar a comida no forno…

Na verdade, a bimby pode ser um auxiliar interessante na cozinha, mas não é a cozinheira.

Quando li o texto de introdução da Isabel Padinha, retive isto:

“Verificará, com prazer, que pela simplicidade de processos que as novas tecnologias nos oferecem, é fácil recuperar a tradição e trazê-la para a mesa do nosso dia a dia. Sentirá, ao passear por este livro, que a bimby vale a pena e que quem a conhece embarca numa viagem sem retorno.”

Não percebi se o discurso se destina a vender a maquineta, porque se presume que o livro se destina a quem já comprou, mas enfim…

Os textos seguintes, do Albano Lourenço e do Rui Falcão dizem pouco mais que isto:

“Ok, levem lá o texto, ponham os nossos nomes para credibilizar isto e passem o cheque..."

Quanto às receitas, não se pode dizer que tenha havido um trabalho cuidado por parte de quem fez o livro; não se percebe bem porque se escolhe a receita A em detrimento da B. Ainda assim, em relação a algumas receitas, tive o cuidado de as comparar com os “originais” e algumas até convencem.

O que não convence é apresentar o Bacalhau à Zé do Pipo como sendo da Beira Alta, mesmo que se refira em nota que faz parte do Receituário do Porto… Vou ali ao GoogleMaps e já volto, mas antes deixo a receita transcrita, embora seja proibido.






Não será a melhor coisa para cozinhar, mas faz umas t - shirt' s fantásticas...



Podem ler aqui no blog do Cupido.

10 comentários:

Vekiki disse...

Não vendo Bimbys, mas tenho duas. Gosto de cozinhar e com uma Família Numerosa, cozinhar é das coisas que mais se faz cá em casa! Quem tem a noção de que a Bimby reduz o prazer de cozinhar é porque nunca a experimentou. A Bimby não é uma máquina de fazer comida. É um tacho onde se pode fazer tudo, só que não se faz no fogão e não se tem que estar parado a tomar conta do refogado. Quanto aos pesos, medidas e tempos de preparação, só usa os livro quem preferir fazê-lo! Eu cozinho na Bimby como cozinho no tacho. Sem regras!!!
PS - Gostava que o CãoAzul me oferecesse esta T-Shirt

Noémia disse...

Ahahahahahaha! Adorei o texto sobre o livro que "quase" leste.
Valeu a pena esperar tanto tempo por notícias tuas.
Eu assisti a uma amiga a cozinhar na bimby e digo-te, não me convenceu. Ainda se a máquina metesse lá para dentro os ingredientes, se se programasse sozinha e se lavasse e arrumasse a cozinha, ainda era capaz de compreender que houvesse fãs.Assim...

Cláudia M. disse...

Cupido, tb achei um piadão ao teu texto. Eu não tenho a dita (até pq nunca daria aquela quantia escandalosa por ela...), não tenho nada contra quem a tem e a ama loucamente, mas tb não acho que seja uma peça assim tão indispensável. Não duvido que seja mto útil para quem tem que cozinhar para mta gente, mas concordo contigo no sentido em que retira muito do prazer do que é verdadeiramente cozinhar. Mas lá está, cada um sabe de si...

cupido disse...

Vekiki, eu concordo no essencial com o que dizes (havendo necessidade de fazer muita comida é uma excelente ajundante); contudo, isto diz quase tudo: "não se tem que estar parado a tomar conta do refogado" - é pouco para uma maquineta que custa quase mil euros. Sem querer ser mau, eu diria que muita gente usa a bimby porque a comprou e possivelmente se sentiu defraudada e então tem que a gabar. É um pouco como alguns utilizadores de mac' s há uns anos atrás que gastavam o dobro ou o triplo do guito que gastariam num pc e então tinham que dizer bem.

Noémia (e claro que eu já não propunha nada há muito tempo, mea culpa), também não é tanto assim, a bimby é excelente como auxiliar (claro que não para triturar cebolas, mas isso faz parte da patetice da blogosfera). Acho que qualquer chef de cozinha tem pelo menos uma (no El Bulli, do Férran Adriá, tinham seis) e, quanto mais não seja para manter os molhos sempre prontos a servir, é excelente, mas já estamos a falar de cozinhas de topo aka laboratórios onde a sofisticação impera.

Cláudia, you touched the point...

ameixa seca disse...

Só quero dizer que, pensando bem, todos temos uma bimby dentro de nós he he
Afinal cortamos, picamos, mexemos, batemos e fervemos :)
Eu sou uma bimby!

Abelha Maia disse...

Eu não vendo bimbys, mas tenho uma bimby, não sou fundamentalista, mas sou bimbólica, e por acaso tenho este livro que por acaso até o leio...hehe.
bjsss

risonha disse...

eu não tenho Bimby (e ao preço que elas custam acho que não vou ter nos próximos 20 anos) mas confesso que fiquei muito curiosa com este livro...
Well done, Cupido!!

cupido disse...

meicha, mexe, bimby :)

abelha, e vale a pena?

risonha, faz download :)

no essêncial, o que eu quis dizer é que a bimby não passa de um utensílio. ajuda, mas não cozinha...

Ana disse...

Eu tenho uma bimby e posso dizer que tem sido uma grande ajuda na cozinha.
Passei a cozinhar pratos que habitualmente não cozinhava no fogão, como o Cozido à Portuguesa.

Faço Pão Alentejano, iogurtes (Actimel), Doce de Leite...

Podia estar aqui a enumerar todas as coisas boas que eu tiro partido na bimby, mas não sou vendedora, não pretendo ser e cada um é que sabe das suas necessidades.

Boas leituras!!!

Rosa Silva disse...

Eu tenho uma Bimby; adoro a bimby, adoro cozinhar,posso inventar à vontade...não é um utensilio é uma cozinha em ponto pequeno (combina dez processadoras ou 10 máquinas)Pica, rala, corta, bate, amassa, mói, tritura, pesa, emulsiona e cozinha! E......até cozinha a vapor !! É pouca coisa né?
quanto ao lavar se e arrumar se sozinha..as vossas máquinas da roupa tb vão buscar roupa ao cesto da roupa suja e vão, depois de lavada, estende-la??
Desculpem são desabafos, cada um sabe e si e tem as suas prioridades :))
Como um amigo meu costuma dizer "se todos gostassem do azul o que seria do amarelo" !!