quinta-feira, 20 de agosto de 2009

És mesmo tu?


Uma das peripécias da minha viagem ao brasil, foi ter entrado num avião avariado e em consequência ter perdido a ligação em Madrid, o que teria sido um suplicio de 30 e muitas horas em transito e uma aventura desgastante para inicio de viagem, se não tivesse encontrado um grupinho no aeroporto de sofredores da mesma causa, mas mesmo assim animados para a longa viagem que nos esperava.

Deste grupinho resultaram alguns amigos de viagem e uma destas amigas, uma menina muito especial, logo que soube do meu menino fez questão de lhe enviar um presentinho. O presente foi este livrinho muito engraçado que o menino adorou, dos vários que já tem na estante do quartinho nenhum lhe despertou um interresse especial, para além de ouvir a histórinha ao deitar.



Este vai buscá-lo de vez em quando e fica a admirar cada página e de cada página ele inventa uma história e comenta todos os pormenores do desenho.

Este livrinho sai um bocadinho do ambito da academia, mas penso que a literatura infantil tem também muito interesse e este principalmente pela originalidade do livro, da história e da ilustração, uma belissima sugestão para fugir histórias mais tradicionais.

A história é muito divertida e para abrir o apetite....



"Uma bota que desapareceu

misteriosamente deixa

dois amigos á conversa.

Uma conversa labirintica

que nos deixa quase tontos!

Mas as conversas entre

amigos são mesmo assim....

Cheias de curvas, contracurvas

e referencias estranhas

(que mais ninguem entende!),

as conversas entre amigos

guardam sempre segredos

e muita cumplicidade."



" Olha, olha...

Aquela ali não é a Inês?

A Inês...qual Inês?

A Inês pequenina, do risco ao meio.

A Inês que perdeu a bota no recreio!

A Inês distraida, irmã do Zé.

Do Zé...qual Zé?


O Zé grandalhao,

que comeu a lagartixa

apensar que era salsicha.

E que foi procurar a bota

ao telhado com o Tó......"



Quem quiser saber mais é só procurar nos livrinhos do Planeta-tangerina do qual a minha amiga Yara faz parte.

A autora do livrinho é Isabel Minhós Martins e as ilustrações são de Bernardo Carvalho.

Podem ler aqui no blog da Alcina.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Historiador

Confesso que estava difícil acabar de ler este livro, pois no princípio mostrou-se algo "secante": muita narração, poucos ou nenhuns diálogos, muita descrição... estava a ser realmente um livro muito maçador.
Mas como raramente coloco um livro de parte, não desisti e a partir do meio do livro comecei a adorar.
Quem gostar de temas "vampirescos" tem aqui uma boa opção.



Uma jovem encontra, na biblioteca do seu pai, umas velhas e enigmáticas cartas e um estranho livro praticamente em branco.
Quando pergunta ao seu pai sobre esses curiososo objectos, este conta-lhe como o livro chegou às suas mãos e como mudou a sua vida e a de todos os que o rodeavam.
E assim começa uma série de aventuras, que percorrem três continentes e dois séculos, e que tratam segredos familiares, a imprescindibilidade da História e uma conspiração que envolve uma das figuras mais notáveis da cultura ocidental: Vlad III o Empalador, conhecido desde o século XIX, graças à obra de Bram Stocker, simplesmente como Drácula.



Notas sobre a autora:
Elizabeth Kostova nasceu em New London, Connecticut, EUA, em 1964.
Licenciou-se pela Universidade de Yale e fez um Mestrado em Arte na Universidade do Michigan.
O Historiador é o seu primeiro romance. Publicado em 2005, demorou dez anos a ser escrito e recebeu em 2004 o Prémio Hopwood da Universidade do Michigan. Graças ao seu original tratamento do vampirismo num apaixonante relato apoiado numa sólida base documental, esta obra obteve um extraordinário êxito internacional, que converteu a sua autora numa das escritoras de romance de intriga mais prometedoras dos últimos tempos.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

No teu deserto


"No teu Deserto", de Miguel Sousa Tavares é um livro de fácil leitura, não é romance mas é uma história de amor, embora que platónico...ou talvez não.

A minha classificação: média.

Alguns excertos:

"...a terra pertence ao dono, mas a paisagem pertence a quem a sabe olhar..."
"...a Cláudia sempre gostou de desaparecer, mas isso não significava, de modo algum, que as coisas lhe fossem indiferentes..."

Podem ler aqui no blog da Cláudia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Cromossoma do Amor


Não sou grande fã das revistas cor de rosa nem tenho a menor pachorra para "tias"... confesso que nunca prestei uma atenção especial a esta Bibá, porque também não tenho pachorra para Bibás, Titas, Xinhas, Mimis e Lólós e etc etc etc.
Mas já tinha pensado uma vez que uma mulher da minha idade tinha 5 filhos, um deles diferente e que continuava a ser uma mulher sempre alegre, que aparecia sempre a rir e com ar de felicidade no rosto.

A Trissomia 21 como a paralisia cerebral, o autismo, são temas que me interessam, me entristecem e me fazem sempre pensar. Tenho um primo com Paralisia cerebral e cometi o erro do qual me arrependo até hoje de o tratar sempre como se fosse um bebé (até aos 8 anos) com gu-gus e da-das enquanto que ao outro primo da mesma idade falava normalmente. Acontece que a paralisia dele apenas lhe afeta a parte motora, e a da fala e por mais que a mãe mo dissesse eu não conseguia assimiliar que era mesmo assim. Quando o via a olhar para mim, sempre a rir e com um fio de baba a escorrer, para mim, apesar de o adorar ele era "atrasadinho"....

Até que um dia, tinha ele 9 anos, me chamou pelo msn e tive uma conversa com ele (à sua velocidade e ritmo) que me fez chorar convulsivamente de ter sido tão injusta com ele. Ele disse-me que devido à sua "diferença" não conseguia falar e tinha dificuldade em se expressar e que pela primeira vez podia dizer-me o quanto gostava de mim e o quanto me achava bonita. Chorei como há muito não chorava... e desde aí temos várias conversas pelo msn e NUNCA MAIS incorri na estupidez, na injustiça de falar com ele como se fosse um atrasadinho. Hoje converso normalmente com ele, dou-lhe o tempo que ele precisa para se fazer entender e até já me contou uma ou duas anedotas "picantes" (proprias dos seus 9 anos).

Enfim.... tudo isto para dizer que por vezes o não entendermos as diferenças dos outros, ou por não fazermos um esforço para as entendermos somos injustos, somos incorrectos e fazemos pessoas infelizes. E foi assim que eu decidi comprar o livro da Bibá Pitta e da história da sua filha Madalena. As expectativas eram.... as que eram.... ver se ela ia fazer show off, se queria dar nas vistas ou se tinha alguma coisa para nos contar.

E tinha... e tem... e aconselho este livro a qualquer pessoa. É uma história nua e crua duma familia que teve um filho diferente, são os vários testemunhos, duros de se lerem de quem aceitou com dificuldade esta menina, quem chegou a desejar que tudo "tivesse um fim", para mais tarde assumir que esta criança é a razão da sua existência. Muitas vezes chorei ao ler certas passagens deste livro, mas fez-me bem lê-lo, acho que cresci mais um bocadinho como pessoa e como ser humano, e estou MESMO a ser sincera.

Não sei se esta história poderá ajudar familias com o mesmo problema ou não, mas sei que nos faz abrir os olhos para a realidade, sermos menos egoístas, compreendermos certas coisas de uma forma melhor, e aprendermos que ser diferente, é apenas isso.... ser diferente! Com os mesmos direitos, com os mesmos deveres (tudo ao seu ritmo) e com o mesmo direito a andar neste mundo com a cabeça mais ou menos levantada, com a lingua mais ou menos para fora e com mais ou menos dificuldade em conseguir abotoar os botões do pijama.


Podem ler aqui no blog da Gio.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Nunca me esqueças

Este livro é simplesmente lindo... confesso que quando o comecei a ler e vi que a acção era passada no século XVIII achei que não iria gostar... mas enganei-me redondamente.
A história é envolvente, relata a vida de uma mulher muito corajosa, que por amor aos filhos e aos amigos consegue vencer todas as adversidades da vida.
Dei por mim muitas vezes com uma lágrima ao canto do olho ao ler o livro... talvez por andar muito sensível, pois tenho tido uma das minhas melhores amigas internada no IPO, e muitas vezes comparei a coragem da heroína do livro com a coragem da minha amiga.
Carma, para ti um beijinho muito especial... és uma lutadora e sei que vais vencer.Mas vamos ao que interessa: ao livro! Têm que lê-lo para saberem do que falo....


Num dia...
Com um gesto apenas...
A vida de Maruy mudou para sempre.
Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary - filha de humildes pescadores da Cornualha - traçou o seu destino ao roubar um chapéu.
O seu castigo: a forca.
A única alternativa: recomeçar tudo de novo no outro lado do mundo.
Dividida entre o sonho de começar de novo e o terror de não sobreviver a tão dura viagem, Mary ruma à Austrália, à época uma colónia de condenados. O novo continente revela-se um enorme desafio onde tudo é desconhecido... como desconhecida é a assombrosa sensação de encontrar o grande amor da sua vida. Apaixonada Mary vai bater-se pelos seus sonhos sem reservas ou hesitações. E a sua luta ficará para sempre inscrita na História.
Inspirada por uma excepcional história verídica, Lesley Pearse - a rainha do romance inglês - apresenta-nos Mary Board e, com ela, faz-nos embarcar numa montanha-russa de emoções únicas e inesquecíveis.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

sábado, 25 de julho de 2009

Cuecas na Cozinha - Escola de maridos & afins


Pode não ser literatura pura e dura, mas tem algo a ensinar de uma forma divertida e clara. Uma sugestão de leitura para quem é interessado em culinária e/ou para quem quer começar a interessar-se por este tema.

Conheci o blog do Alessander quando ele estava a comemorar o 1º ano de aniversário do Cuecas na Cozinha. Para a comemoração do 2º ano ele e a esposa, Cris, resolveram publicar um livro com o mesmo nome, onde incluem instruções, receitas e dicas acerca desse universo de alquimia que é uma cozinha. Para não falar das fotos lindíssimas da autoria da Cris :)

Segundo o Alessander, o livro "É um convite para quem pretende se aventurar pela deliciosa arte de receber em volta do fogão aqueles que realmente fazem diferença nessa vida."
Por isso, escreveu-o de forma ligeira, divertida e próxima, como se estivesse na presença dos leitores ou como se os leitores estivessem na cozinha dele.

No minímo é um título interessante, especialmente para quem vive em Portugal porque cá, quem usa cuecas, são as mulheres he he
Quer dizer, do jeito que o país está, tudo usa tanga ou fio dental, mas isso é outra história.

No fundo, o livro é um incentivo aos homens para que entrem na cozinha e façam um agrado às mulheres. Quem não gostava de ver o marido de avental (algumas até mesmo só de avental sem nada por baixo, confessem!!! he he) a preparar uma comidinha para nós, mulheres? Porque se os homens se conquistam pelo estômago, as mulheres não são muito diferentes. A carne é fraca e a gula é grande :) Além do mais, podem apanhar o gosto pela arte de cozinhar e descobrir um talento oculto que viu a luz do dia.

Olhem que, para quem tem mulheres preocupadas com a linha, também tem receitinhas leves e saborosas. Isso não é desculpa!

Outra coisa: há alguma coisa melhor que passar o serão com os amigos a partilhar estórias e boa comida? Especialmente quando essa comida é feita pelas nossas próprias mãos? Pode até haver mas não sabe tão bem quanto isso!

Eu li o livro de fio a pavio em pouco tempo e percebi que nele tem amizade, paixão, entrega... tanto pela culinária como pelas pessoas que fazem parte da vida do autor. Porque tal como ele aconselha: "Não perca o seu tempo com quem não vale a pena."
O melhor é alimentar as amizades, as parcerias, o companheirismo, as partilhas. Alimentar a alma mas também o corpo, porque saco vazio não se aguenta de pé :)

Eu já fiz uma receita retirada do livro dele e tenho outras para experimentar.
Existe uma divisão no livro que consta de pratos para curtir a dois e pratos para dividir com os amigos mas isso não é rigoroso. Na cozinha, tudo é possível e passível de ser dividido a dois ou dividido por um batalhão. O que é preciso é ter vontade!

Para mais informações acerca do livro, para conhecerem o Alessander e o blog dele recheado de receitas e fotos fantásticas, é só acessar aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O caso da rua Jau

Talvez influenciada pela melancolia do tempo veio-me à memória um texto que eu achei belíssimo na altura que o li, há já um bom par de anos e que compartilho agora convosco. Leiam-no devagar, parem mesmo nos pontos e façam pausas grandes nas vírgulas. Saboreiem como se fosse um rebuçado...

«
Seguiam pelo passeio de mãos dadas. Talvez o vento ligeiro que se levantou os molhasse ainda mais. Quando os atingia a chuva transformava-se em flores, como é de uso acontecer ao pão, nos milagres. Ou, como as flores continuam caras, talvez a chuva se limitasse a uma carícia, considerando tudo mais desnecessário.
Certo, certo, é que a chuva lhes ensopava o cabelo e que havia que, com a manga do casaco, ou simplesmente com os dedos, ir suavemente aceitando os pingos que lhes desciam pelo nariz.
Eles. Eles são eles. Eles são o príncipio de tudo o resto, sim, o resto é quase o fim do dia, a chuva farta e mansa, os autocarros embaciados, as pessoas apressadas ou abrigadas, resignadas, submissas, debaixo dos toldos.
Eles. Eles têm catorze anos, vão devagar como qualquer eternidade que se preze e tudo o mais de espanto é ficar a vê-los pelo passeio fora, de mãos dadas,enquanto a chuva cai, cai, cai.
Enquanto a noite se vai infiltrando por tudo o que é cidade.
Enquanto Lisboa se vai acomodando para a hibernação de todos os silêncios.
De súbito um carro pára diante deles, no outro lado da rua. Um vulto feminino desce, cobre a cabeça com a mão direita, acena com a outra:
- Eh pessoal! Querem boleia?
Eles estacam. Num acto instintivo de protecção Júlia põe-se à frente do rapaz.
- A professora Zília! - exclamam ao mesmo tempo.
-Não querem vir?
- Não vale a pena.
- Mas está a chover muito!
- Isto não é nada já passa. - grita o João.
- Vejam lá. Está tudo bem? Não há novidade?
- Tudo bem, professora, tudo bem.
Zília fica a vê-los afastarem-se, pararem na luz da paragem do autocarro, abraçarem-se num beijo, num beijo, num beijo.
Completamente ensopada, Zília entra no carro.
- O que é que tens? - pergunta-lhe o companheiro.
- Não sei - diz ela - Não sei. Mas parece que estou feliz
. »


Este excerto é do livro « o caso da rua Jau », de Mário Castrim.

Mário Castrim (pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca) nasceu em Ílhavo, em 1920, e morreu em Lisboa, em Outubro de 2002. Era casado com a também escritora e jornalista Alice Vieira e pai da jornalista e escritora Catarina Fonseca.
Professor, escritor e jornalista, fez crítica de televisão diária, desde 1965, no Diário de Lisboa. Depois do encerramento deste jornal, em 1990, passou a assinar a crítica de televisão no semanário Tal & Qual. Em 1963 criou, com Augusto da Costa Dias, o Diário de Lisboa – Juvenil, que sempre considerou a sua obra mais importante. Escreveu no jornal Avante! e, nos últimos dez anos da sua vida, trabalhou na revista Audácia, dos Missionários Combonianos.


Podem ler aqui no blog da Noémia.

domingo, 28 de junho de 2009

Pelo mundo fora

Pelo Mundo Fora é um romance humano, vívido, de esperança e perda, loucura e perdão, que revela os mecanismos subtis subjacentes às nossas mais importantes, e por vezes mais frágeis, relações com os outros. Greenie Duquette distribui a sua energia apaixonada entre a padaria que possui em Greenwich Village e o filho de quatro anos, George. O marido, Alan, parece estar afundado numa depressão da meia-idade enquanto Walter, o seu colega de profissão mais chegado, sofre de um desgosto de amor. É exactamente no restaurante de Walter que o governador do Novo México, que está de visita, prova o bolo de coco de Greenie e decide persuadi-la a sair da cidade para ser sua chef. Por razões que vão da ambição ao desespero, ela aceita – e mete-se a caminho para oeste, sem o marido. Esta decisão impulsiva, assim como vários acontecimentos fora do seu controlo, vão mudar o curso da vida de algumas pessoas em redor de Greenie.

Gosto e muito da escrita desta senhora, logo recomendo! Cá fica um excerto do livro:

“Greenie foi ter com Claudia ao pé da janela. Gostava daquela mulher, mas nesse momento sentia-se dilacerantemente sozinha, como se a sua vida fosse uma pradaria aberta, iluminada pelo sol mas demasiado ampla e vazia.”

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 27 de junho de 2009

O caçador de Almas


“Tyler, um rapaz de treze anos, jaz inconsciente numa cama de hospital após um trágico acidente que lhe danificou o cérebro. O pai permite que dois invulgares cientistas tomem a seu cargo o destino do adolescente. Um deles é um neurocirurgião cujas experiências pouco ortodoxas incluem o uso de computadores para controlar as respostas físicas dos pacientes durante as cirurgias. O outro é um investigador por conta própria e autor de experiências altamente secretas que visam descobrir a centelha da consciência humana… e capturá-la para sempre.
Juntos, alcançarão um resultado que ultrapassará tudo o que haviam imaginado, fazendo Tyler transpor os limites da ciência médica e enviando-o para um lugar nunca antes visitado e do qual um pai desesperado tentará resgatá-lo…
Um romance científico e tecnologicamente fascinante, com tudo aquilo que nos caracteriza enquanto seres humanos. O Caçador de Almas é uma viagem inesquecível ao interior das possibilidades da mente… e da alma humana.”

«Um romance cinematográfico e frequentemente arrepiante; as personagens são complexas o suficiente para exercer a nossa simpatia ou aversão; os pormenores mais técnicos – cirurgias cerebrais, síndromes neurológicas bizarras, dispositivos informáticos sinistros – parecem verdadeiramente reais; o enredo agarra, mantendo o leitor impaciente até ao desenlace final.»
The New York Times

Excerto do livro, que amei ler. Duro mas muitíssimo bem escrito, (é impressionante vermos como estamos nas mãos dos médicos e à sua mercê - valha-nos os bons profissionais!) como é comum neste escritor e em todas as suas obras:

“Tanto quanto Cleaver se lembrava, a sua vida intelectual tinha sido conduzida por dois conceitos. Um era a ideia que a mente era capaz de existir fora do corpo, de que os pensamentos, os medos, os sonhos, os pesadelos e as emoções tinham uma existência independente. O outro era a ideia de que as máquinas e o homem se podiam fundir – através dessa mente despojada de corpo – a fim de criar o novo homem do futuro. Porque se a mente podia ser medida – se havia algo que viajava de um ponto a outro - , então também podia ser capturada.”

Recomendo vivamente, não só este livro como todos o deste escritor : )

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tudo por amor

Mais um contributo da minha parte para a Academia dos Livros, da qual sou sócia praticamente desde o início...
Este é um daqueles livros que se lê de um fôlego e que nos faz pensar até onde uma mãe é capaz de ir para defender e proteger um filho.
Uma boa leitura para as tardes quentes de praia...
No seu dia-a-dia de trabalho, Nina Frost, a ambiciosa delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e trabalha afincadamente para garantir que um sistema legal com demasiadas lacunas mantenha estes criminosos atrás das grades.
Mas quando o seu próprio filho de cinco anos, Nathaniel, fica traumatizado devido a abuso sexual, Nina e o seu marido, Caleb, um pedreiro reservado e metódico, ficam destroçados, dilacerados por um sistema legal ineficiente que Nina conhece demasiado bem.
Num piscar de olhos, as verdades absolutas e as convicções de Nina desmoronam-se e esta lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos - independentemente das consequências, qualquer que seja o sacrifício.

Podem ler aqui no blog da Risonha.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Se me pudesses ver agora

O 1º bestseller que publicou foi “P.S. – Eu Amo-te”, um dos mais notáveis bestsellers de 2004.
Cecelia Ahern em “Se me pudesses ver agora" ou Cecelia Ahern in “If You Could See Me Now”.


Elizabeth tem 34 anos e vive numa casa que ela adora e paga com o dinheiro que ganha no seu bem-sucedido negócio de designer de interiores. A vida não lhe foi fácil. Desde que a mãe os abandonara, Elizabeth acabou de se criar a si própria, enquanto criava também a irmã, Saoirse, e cuidava do pai. Aos dezasseis anos Saoirse engravidara por pura distracção. E agora Elizabeth tem o pequeno Luke para criar, uma criança que ela teme que também venha a ser problemática, uma vez que tem um amigo imaginário. Mesmo assim Elizabeth controla tudo na perfeição. Mas agora que Ivan apareceu na sua vida, vai mudá-la de formas que ela nunca podia ter imaginado... Um conto de fadas moderno. Uma história cheia de romantismo, emoção, sonho e fantasia. Um conto de fadas moderno.

É um livro comovente e muito terno. Faz-nos pensar sem dúvida nos pequenos grandes prazeres da vida.
Como que se vê o mundo com óculos cor de rosa.
Lembramos o nosso lado mais inocente, crente e infantil, que tantas vezes tanta falta nos faz e que torna a vida mais linda.

Excertos:
“Fuchsia Lane. Devem ter-lhe dado esse nome por causa das fuchsias que cresciam por todo o lado. Ali eram Silvestres”.

“Sentia-se no ar um odor magnifico a relva acabada de cortar...”

"A vida é assim uma espécie de pintura. Uma pintura abstracta muito bizarra. Podemos olhar para ela e pensar que tudo aquilo não passa de um borrão, e continuarmos a viver a nossa vida pensando que tudo o que existe à nossa volta é um borrão. Mas se olharmos bem para ela, se a observarmos com atenção, a vida pode tornar-se muito mais do que isso. Ela pode ser uma pintura do mar, do céu, das pessoas, dos edifícios, de uma borboleta pousada numa flor ou de qualquer outra coisa, excepto do borrão que antes vocês se convenceram que era."

“Elizabeth levantou os olhos. À sua frente estavam centenas de sementes de dente-de-leão a esvoaçar ao vento, captando a Luz do Sol com os seus filamentos brancos felpudos e flutuando em direcção a eles como um sonho fantástico.
- Parecem fadas – disse Luke, espantado.”

"Não importa onde estamos neste mundo, porque o que interessa é onde estamos aqui - tocou ao de leve na cabeça. - O importante é o outro mundo que habito. O mundo dos sonhos, da esperança, da imaginação e das recordações. Aí eu sou feliz ... por isso também sou feliz neste sítio. ... Fechou os olhos e deixou que o vento lhe secasse as lágrimas."

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 13 de junho de 2009

A solidão dos números primos

Ontem aconteceu-me uma coisa que há já muito tempo não sucedia!
Pegar num livro e lê-lo de uma assentada, sem interrupção até à última página.
Fiquei tão contente! Já me julgava incapaz de uma proeza do género e andava a matutar se não seria por agora precisar dos óculos para ler e ter de andar sempre com eles de um lado para o outro, que isso acontecia.
Afinal, depois de ler este, cheguei mesmo à conclusão que eram os argumentos incipientes e pueris que não me despertavam a curiosidade, aliados à maneira inadequada de tratar os temas.
Pronto, pronto,está bem, a Net e a falta de tempo também têm alguma culpa, eu concedo.

O livro em questão chama-se « A Solidão dos Números Primos» de Paolo Giordano, da Bertrand.

É a história de duas personagens que vivem dois incidentes infelizes e perturbadores que lhes modificam por completo a vida. O relacionamento com os pais é fundamental na gestão emocional do problema vivenciado e na afectividade. O seu crescimento e relacionamento consigo e com os outros acaba por ser condicionado por isto.
Acabam por se cruzar e o leitor acompanha o seu crescimento, a adolescência, a juventude, os amores e desamores, o traumas e infelicidades que, são incapazes de superar pelo peso esmagador das suas más experiências.

Não é uma história feliz. É uma história crua e fatalista, como tantas na vida real, contada magistralmente.Bom conhecedor da psicologia humana o autor prende-nos e enreda-nos na expectativa do que pode acontecer. Entre a inércia absurda e enervante das personagens e a nossa vontade que as coisas se alterem e acabem por se comporem, somos levados até ao final da história, meio desconcertante mas plausível, que nos deixa a pensar nas relações humanas e na importância de educarmos as nossas crianças para o sucesso duma coisa a que damos pouca importância - A inteligência emocional.

Podem ler aqui no blog da Noémia.

sábado, 30 de maio de 2009

O Canto e as Armas

Manuel Alegre é um dos grandes poetas Portugueses. O pequeno livro "o Canto e as Armas", na verdade é um livro enorme. É para mim fantástico ouvir estes poemas pela voz de Alegre com a guitarra de Paredes em fundo ou pela voz e musica de Adriano.


RAIZ

Canto a raiz do espaço na raiz
do tempo. E os passos por andar nos passos
caminhados. Começa o canto onde começo
caminho onde caminhas passo a passo.
E braço a braço meço o espaço dos teus braços:
Oitenta e nove mil quilómetros quadrados.
E um país por achar neste país.

PEREGRINAÇÃO

Depois o bosque se fez barco. E ramo a ramo
Foi leme e quilha.
Era um povo a perder-se por seu amo
Que perdia o seu povo de ilha em ilha.

Eras tu que morrias na morte das lavras
Eras tu que ficavas cada vez mais nu.
E a cada terra onde chegavas eras tu
Que morrias na terra que deixavas.

Porque nenhum Brasil foi teu. Nenhuma
Ilha a tua. Em cada barco terra a terra
Perdeste a pátria por achar. E guerra a guerra
Por tuas armas te perdeste. E o mais foi espuma.

E o teu sangue corria por dentro das lavras.
Construías muralhas e ficavas
Pedra a pedra cercado. E desarmado
Eras tu que morrias nas batalhas
Enredado nas armas que tecias:
Malhas onde sem glória te perdias.

E as fogueiras ardiam. Inventavas fantasmas.
E era o teu corpo o corpo que queimavas.
Eras tu que cantavas dentro das palavras
Tecendo desarmado o canto e as armas.

E ALEGRE SE FEZ TRISTE

Aquela clara madrugada que
Viu lágrimas correrem do teu rosto
E alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno Agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome. E demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silencio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada.





Podem ler aqui no blog do Cupido.

terça-feira, 26 de maio de 2009

1808

Quando viajo gosto sempre de levar uns livrinhos para lêr, para esta viagem tinha levado um de Jorge Amado, que acabei por não lêr, porque por recomendação de um amigo comprei em S.Paulo na maravilhosa livraria Cultura o Livro 1808, mais um sobre o brasil e mais o que a amiga Neyma me ofereceu ia pagando excesso de bagagem, aliás só não pagamos, porque retiramos coisas da mala em pleno aeroporto para trazer em sacos plásticos :-)

Deste livro 1808, nunca tinha ouvido falar e se tivesse provavelmente fora do contexto nunca o teria comprado, porque história foi uma matéria que nunca gostei muito.

No contexto da nossa viagem achei interessante e muito adequado, gostei de o lêr nos locais onde parte da história se passou, fez-me apreciar de maneira diferente o livro e mesmo alguns passeios, Petrópolis e o passeio de barco pela Baía de Guanabara, sabendo que foi aí que a corte do D. João VI desembarcou.




Nunca algo semelhante tinha acontecido na História de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal. D. João VI foi o único soberano europeu a visitar terras americanas em mais de quatro séculos e foi quem transformou uma colónia num país independente. No entanto, o seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento que, quando lembrado, é tratado de forma caricata. Mas o Brasil de D. João VI não se resume a episódios engraçados. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o cenário no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver os seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos. Como se verá, estes personagens podem ser, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, incluindo alguns actuais.
Laurentino Gomes
Podem ler aqui no blog da Alcina.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Polícia à Portuguesa

Num momento em que a questão da insegurança está na ordem do dia, este livro traça um retrato "cru", actual e realista da PSP. Uma realidade que não passa despercebida à própria Corporação, às forças políticas e à sociedade civil em geral.
Fala de uma polícia mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho. Homens e mulheres que chegam a passar fome, que têm uma vida familiar destruturada, problemas de saúde, sujeitos a regras que nem sempre compreendem, alvos fáceis de processos disciplinares e/ou criminais.
Polícias que têm ordem de não disparar nas perseguições a criminosos. Que tentam fazer o seu trabalho com armas velhas, balas contadas, coletes muito pouco à prova de bala. Que conduzem carros que não passariam numa vulgar inspecção e cujos motores muitas vezes "rebentam" em plena "caça" ao ladrão! Que não acertam num alvo a não ser por acaso...
E como se não bastasse, fala de polícias que ainda se queixam de perseguições internas, de favoritismos, de partidarização da Corporação e da influência militar.
Este é um documento fundamental que apela à reflexão nacional, especialmente quando o que decorre da sua leitura é que, na verdade, a nossa segurança está mesmo em risco.

Informação sobre os autores:
Fernando Contumélias nasceu em Lisboa há 40 anos. Iniciou o seu percurso profissional muito cedo, na rádio e na imprensa, áreas que trocou, em 1990, pelas agências de comunicação e publiciadade. Actualmente está ligado ao sector social e é conselheiro de uma instituição da sector financeiro.

Mário Contumélias nasceu em Setúbal já lá vão umas décadas. É etno-sociólogo, especializado em comunicação. Dá aulas no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Como autor tem já 22 livros publicados, 11 para o público infanto-juvenil, 6 de poesia, incluindo uma antalogia pessoal, 1 de entrevistas, 1 brochura evocativa do 25 de Abril e 3 romances.


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terça-feira, 19 de maio de 2009

A menina que roubava livros


É de certeza, um dos melhores, se não o melhor, livro que já li!
Na minha opinião é um livro bastante interessante... bom para quem gosta de uma boa leitura...
Emocionante desde o princípio ao fim, na minha humilde opinião.
É dos tais livros amado por muitos e odiado por tantos!

Cá ficam alguns excertos deste Maravilhoso livro:
“Pode alguém roubar a felicidade? Ou será que ela é apenas mais um infernal truque interno dos humanos?”
“Toda a minha vida tive medo de homens velando sobre mim.
Suponho que o primeiro homem a velar sobre mim foi o meu pai
Mas ele sumiu antes que eu pudesse recordá-lo”.

“Muitos anos depois precisei me esconder .
Procurei não dormir porque tinha medo de quem estaria lá quando acordasse.
Mas tive sorte. Era sempre meu amigo.”

O caminho percorrido por Liesel Meminger é contado por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adoptá-los por dinheiro. O garoto morre no trajecto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adoptivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

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domingo, 17 de maio de 2009

Os 36 homens justos



É daqueles livros que me recomendaram vivamente.
Para quem gostou do Código Da Vinci, como é o meu caso, recheado de teorias da conspiração é um livro que nos prende do início ao fim. À primeira vista não me achei nada parecido com o Código Da Vinci, mas depois por outro lado concordo em parte com esta opinião. Este livro tem o mesmo ritmo alucinante e deixa-nos presos, embora seja empolgante e interessante mas, igual ou parecido, nem pensar! Talvez o Sam Bourne estivesse nesta altura a dar os primeiros passos nestes assuntos sobre a religião (Cabala), neste caso em particular.
No entanto gostei e muito deste livro, prende a atenção e nunca desconfiamos de nada até quase ao final.
Sem dúvida nenhuma umas boas horas de leitura.
Para ler de uma assentada.

CUMPRE-SE FINALMENTE A PROFECIA DA CABALA. O FIM DO MUNDO ESTÁ A CHEGAR…
O tempo está a esgotar-se – falta um cadáver mais ou um dia menos para o fim do mundo. A antiga profecia está prestes a cumprir-se e um só homem o pode evitar… Uma complexa conspiração de fundo religioso, num thriller que arrasta o leitor para as mais secretas profundidades do misticismo e para as profecias da Cabala. Visionário e inquietante, este romance de ritmo trepidante convoca a morte, a mística e a Bíblia.

No centro da história está Will, um jovem jornalista em ascensão que no meio da sua tentativa de se impor no mundo difícil do jornalismo nova-iorquino se depara com uma tragédia pessoal: a sua mulher é raptada. A isto juntam-se os misteriosos assassinatos de homens à volta do mundo que praticaram actos de bondade fora do comum.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

A Baía dos Anjos


Um romance sincero sobre o feminismo, o casamento e o relacionamento entre mãe e filha.
Zoe Cunningham é uma jovem inteligente, independente, mas que encara a vida com demasiado romantismo. O 2º casamento de sua mãe com Simon, um homem meigo, generoso e proprietário de uma villa em Nice, possibilitou-lhe a concretização de um sonho: uma vida independente, despreocupada, livre, desafogada... em suma, uma vida feliz. Só que Simon morre tragicamente e com ele o ideal de vida destas duas mulheres. Sozinha, longe de casa, rodeada de estranhos, enfrentando problemas jamais imaginados e caminhos nunca percorridos, Zoe vai ter de assumir responsabilidades até então não sonhadas. Afinal, a vida não é o conto de fadas que sempre idealizou!...

Excerto:
"As mulheres hão-de incentivar sempre o casamento umas às outras, sobretudo se surge, ou parece surgir, uma maravilhosa vida nova no horizonte. O nosso erro foi não temos olhado para os dentes do cavalo. Mas quem é que olha?"

"Tal como Virginia Woolf, o seu objectivo não é a definição global das personagens, mas sim a revelação mais funda da psicologia individual." (The Times)

"Uma das raras romancistas britânicas desta geração com um talento verdadeiramente genial"
(Evening Standard)

"A Baía dos Anjos revela uma Anita Brookner em toda a sua sabedoria, eloquência e poder."
(The Spectator)

Anita Brookner nasceu em Londres e licenciou-se em História da Arte, tendo-se especializado na pintura dos séculos XVIII e XIX.
Foi a primeira mulher distinguida com o cargo de slade professor na Universidade de Cambridge. Crítica de arte conceituada, é autora de vários trabalhos publicados sobre o tema.
A partir dos anos 80 enveredou pela literatura tendo rapidamente sido considerada uma das maiores escritoras contemporâneas do Reino Unido. O seu romance "Hotel du Lac" foi galardoado, em 1984, com um dos mais prestigiantes prémios literários, o Booker Prize. Comparada frequentemente a Jane Austen ou Virginia Woolf, as personagens dos seus romances são quase exclusivamente femininas: são, em geral, mulheres que, após terem recebido uma educação tradicional, se vêem confrontadas com um mundo em perfeita mudança que lhes atribui um papel para o qual, nem sempre estão psicologicamente preparadas para assumir.
"A Baía dos Anjos" é a sua vigésima obra. Da sua bibliografia merece referência "Hotel du Lac", "Providence", "Fraude e Visitas", este último editado em Portugal pela Notícias.


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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Memórias de Adriano


Marguerite Yourcenar, para além de ter sido uma escritora foi, também, uma mulher muitissímo polémica que teve um papel activo no pensamento e na sociedade ao longo de uma grande parte do século XX.

A obra de Marguerite Yourcenar é extensa, nem sempre é muito bem compreendida e por vezes, tem de ser “bem digerida e mastigada”, mas é fácil e ao mesmo tempo é generosa, fala de tudo o que há mais de mil anos fazia sentido, e daqui muitos anos acho que vai continuar a fazer todo o sentido.

É um livro que parece ser "difícil": a escrita faz-se na primeira pessoa, com o Imperador Adriano, ele próprio, vagueando pelas suas memórias. Mas logo que se faça a adaptação ao estilo da autora, sem pré-aviso, começa-se a ficar envolvido na teia e, subitamente, quase magicamente, já estamos a sentir e a viver os tempos de Adriano. As suas viagens à volta do Império, os seus sentimentos para com os seus amigos e inimigos, as intrigas palacianas na sua corte, os seus pensamentos políticos e filosóficos sobre Roma e os Romanos, sobre os povos da Ásia Menor e do Egipto, sobre os bárbaros do Norte, as suas campanhas militares, tudo parece estar a acontecer e fazer parte da própria vida do leitor. É considerada uma peça de escrita fabulosa e única!
É nem mais nem menos que o drama da paixão de Adriano pelo jovem Antinoo está lá toda, maravilhosa, apaixonada, dolorosa, pungente, emocionante...

Fala de tudo o que há mais de mil anos fazia sentido, e que de aqui a tantos mil, continuará a fazer.

Cá fica um excerto:

"Como toda gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou de nos convencer que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas.


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sábado, 2 de maio de 2009

Um brilho no escuro



Um livro de contos que retratam a vida de pessoas como nós, separadas por diferentes tempos, culturas e locais (como França, Singapura e Nova Iorque).
As 14 histórias deste livro abordam temas com os quais o leitor facilmente se identifica, como a procura do amor, da felicidade e da aceitação. Num estilo literário cheio de empatia e elegância, a autora fala-nos, entre outras personagens cativantes, de Eslaini, uma jovem impetuosa e inteligente que vê o seu futuro posto em causa quando o pai a condena a uma vida de solteirona; de Joyce, casada há trinta anos e a viver na Malásia, e do impacto na sua vida causado pela chegada de um desconhecido; de Jade Moon, uma coreana que vive rodeada de americanos que rejeitam as suas tradições.
The Secrets of a Fire King foi finalista do Pen/Hemingway Award de 1998.

Kim Edwards licenciou-se na University of Iowa. Viveu na Ásia e deu aulas na Malásia, Tóquio, Phnom Penh e Cambodja. Foi-lhe atribuído o Nelson Algren Award e o Whiting Writer’s Award. Os seus contos ganharam diversos prémios, de entre eles o National Magazine Award for Excellence in Fiction. É actualmente professora na Washington University e na University of Kentucky.

Excerto do conto Um Brilho no Escuro:
“ Empurrei a porta para a abrir e espreitei lá para dentro.
O que posso dizer daquilo que vi? Todos os frascos em cima da mesa brilhavam ligeiramente, como se cada um contivesse uma pequena estrela que tivesse caído, como se raios de luar tivessem sido recolhidos em cada um deles. A simples lama em que ela trabalhava há tanto tempo tinha-se transformado num elemento de magia. Caí de joelhos como se para rezar, mas não consegui apartar os olhos da luz presa no interior daqueles frascos. Era tão bela, tão sublime. Desejava levar um para casa, guardá-lo no armário, para saber que podia abrir a porta, em qualquer altura, e ver aquela luminescência. Imaginava os rostos dos meus filhos, o deslumbramento que lhes provocaria aquela visão. Esse foi o meu primeiro pensamento ambicioso. Queria aquela beleza rara para mim”.

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