terça-feira, 29 de setembro de 2009

Bons sonhos, meu amor

O tempo está de loucos... ou melhor, não está... o tempo está propício à estação outonal, eu é que me custa ver o Verão ir embora, pois adoro a praia e as noites amenas.
Neste momento por aqui está a chover - nada de grande chuvada, mas aquela chuva certinha, que já dá para molhar (e eu que deixei a roupa estendida... grrrr).
Curiosamente ontem esteve um belo dia de calor: fiz praia de manhã e de tarde, a temperatura da água do mar estava magnífica e fiquei na praia mesmo até ao final da tarde.
Tanta praia só podia dar numa coisa: mais um livro lido... LOL!
Este é um daqueles livros que me faz chorar facilmente. Confesso que no princípio não lhe estava a achar muita piada, mas passados os 3 ou 4 primeiros capítulos é irresistível. Mais uma vez a autora não me desiludiu...
Aqui fica mais um contributo para a Academia dos Livros.


Só os corajosos se atrevem a amar.
Nova Kumalisi faria qualquer coisa pelo seu melhor amigo. Ela deve-lhe a vida.
Mas o verdadeiro teste à amizade de ambos surge quando ele lhe pede que dê à luz o filho dele.
Apesar de saber que corre o risco de destruir a amizade, Nova aceita.
Oito anos mais tarde, Nova está a criar o filho de Mal sózinha, porque Steph, a mulher dele, mudou de ideias, escassos meses antes de a criança nascer, arruinando a relação entre os dois amigos.
Agora, Leo, o filho de ambos, está gravemente doente.
E Nova quer que Mal o conheça antes que seja tarde demais.
Na tragédia descobrirão, finalmente, o quanto significam um para o outro.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

A Bimby na Cozinha Regional Portuguesa

Este é um livro que eu “quase” li… e uma nova contribuição para a Academia dos Livros.

“A Bimby na Cozinha Regional Portuguesa”, edição da Worwerk.
Fiz o download da publicação em PDF (147 páginas - cerca de 33Mb) que começa com uma introdução da directora comercial da Worwerk Portugal, um índice que apresenta 55 receitas e textos do Chef Albano Lorenço e do Rui Falcão. Depois das receitas (e cada receita tem uma proposta de vinho para acompanhar) tem uma ficha técnica que refere que a 1ª edição é de Outubro de 2008 e ainda que é interdita a reprodução de textos e imagens por quaisquer meios. Esta parte não percebi, ou melhor, acho que percebi, porque a edição em papel custava € 30,00 (o que dá cerca de € 0,55 por receita, quase o preço de um café – a mim saiu por menos de um euro, ligação à net, electricidade e uma água incluídas) e ainda tiveram que pagar às pessoas.

Com efeito, quase nada me move contra a “bimby”, tirando (e não é pouco) o facto de reduzir o acto apaixonado de cozinhar a um mero conjunto de “operações” que passam por “ler receitas”, pesar ingredientes, regular o termostato, programar o programa (é mesmo para ser um pleonasmo), rezar para que a máquina (com duplo sentido) não se engane e desfaça a comida, lavar a máquina, lavar a máquina, não lavar a máquina, acabar a comida no forno…

Na verdade, a bimby pode ser um auxiliar interessante na cozinha, mas não é a cozinheira.

Quando li o texto de introdução da Isabel Padinha, retive isto:

“Verificará, com prazer, que pela simplicidade de processos que as novas tecnologias nos oferecem, é fácil recuperar a tradição e trazê-la para a mesa do nosso dia a dia. Sentirá, ao passear por este livro, que a bimby vale a pena e que quem a conhece embarca numa viagem sem retorno.”

Não percebi se o discurso se destina a vender a maquineta, porque se presume que o livro se destina a quem já comprou, mas enfim…

Os textos seguintes, do Albano Lourenço e do Rui Falcão dizem pouco mais que isto:

“Ok, levem lá o texto, ponham os nossos nomes para credibilizar isto e passem o cheque..."

Quanto às receitas, não se pode dizer que tenha havido um trabalho cuidado por parte de quem fez o livro; não se percebe bem porque se escolhe a receita A em detrimento da B. Ainda assim, em relação a algumas receitas, tive o cuidado de as comparar com os “originais” e algumas até convencem.

O que não convence é apresentar o Bacalhau à Zé do Pipo como sendo da Beira Alta, mesmo que se refira em nota que faz parte do Receituário do Porto… Vou ali ao GoogleMaps e já volto, mas antes deixo a receita transcrita, embora seja proibido.






Não será a melhor coisa para cozinhar, mas faz umas t - shirt' s fantásticas...



Podem ler aqui no blog do Cupido.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Não sei nada sobre o amor




Eu não vos disse que, agora que já tenho mais tempo, era devorar livros uns atrás dos outros?
Eu avisei... e cá está mais um que foi acabado de ler no passado Domingo e que quero partilhar convosco e dar de novo o meu contributo para a Academia dos Livros.
Confesso que quando ouvi que a Júlia Pinheiro ia lançar este livro pensei "Mas agora toda a minha gente escreve livros?"
Não estava a ver a Julinha a divagar sobre o amor... mas afinal enganei-me: este livro revelou-se uma agradável surpresa, com uma forma de escrita muito ligeira e de fácil entendimento.


Quando desceu ao riacho, mantilha na cabeça e coração aos pulos, Maria da Glória não sonhava que aquele encontro fortuito com o macho da aldeia iria marcar para sempre a sua vida. Esperava sair dali com namoro anunciado e quem sabe até com casamento marcado. Saiu à pressa, com a roupa ensaguentada, as entranhas viradas e a semente de Maria da Purificação na barriga. Estava lançado o destino das mulheres desta família na qual as palavras prazer, carinho, paixão e amor permanecerão para sempre um mistério.

Júlia Pinheiro estreia-se na escrita com uma história surpreendente e apaixonante sobre quatro mulheres que nada sabem sobre o amor. Ao longo destas páginas não suspiramos de amor, não nos empolgamos com casos de paixão arrebatadora, nem choramos com casamentos felizes. Somos levados através de uma saga familiar que se inicia nos anos 30 onde os sentimentos eram um infortúnio e o prazer uma pouca-vergonha. Não Sei Nada Sobre o Amor traça o retrato de uma sociedade e de um país ao longo de quase 70 anos de História, através do olhar de Maria da Glória, a avó, Maria da Purificação, a filha divorciada, Ana Clara, a neta mãe solteira, e Benedita, a bisneta, que, apesar de todas as expectativas, não se casa com nenhum príncipe encantado.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Os apanhadores de conchas

Mais um livro lido e arrumado na estante. Agora que começo a ter mais tempo para ler, é devorar livros atrás de livros e ficar a ler até às tantas (o que me rende uma cara ensonada na manhã seguinte).
Não sei se já reparam mas este livro, tal como outros de que tenho falado aqui, fazem parte de uma colecção da revista "Sábado" cujo livro (comprando a revista) tem o preço adicional de 1€.
Para quem estiver interessado na próxima semana começa a ser lançada uma nova colecção de livros (um por semana às quintas-feiras) pelo preço adicional de 1,50€ cada livro.
Mas deixando de publicidade gratuita (LOL) falemos agora do livro... a melhor palavra que tenho para descrever este livro é "doce". Uma leitura muito agradável e mais um contributo para a Academia dos Livros.

Depois de ter estado às portas da morte por um enfarte, Penelope Stern, filha de um pintor de fama internacional, começa a ver a vida com outros olhos. A sua estabilidade afectiva está ligada a uma série de acontecimentos ocorridos no passado.
Conviveu com as suas sequelas dolorosamente, mas agora está disposta a recapitular...
Decide voltar à Cornualha, onde decorreu a sua juventude, e não desistirá enquanto não conseguir compreender a sua própria história bem como a dos membros da sua família. Nesse passado ocupa um importante lugar um quadro pintado pelo seu pai "Os Apanhadores de Conchas", que agora desperta o interesse dos seus filhos pelo seu valor económico...

Podem ler aqui no blog da Risonha.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

A rainha no palácio das correntes de ar

Hoje acabei de ler as últimas 200 páginas do livro de Stieg Larsson, « A rainha no palácio das correntes de ar ».

Realmente é pena que a obra que ele programou para se desenvolver em 10 volumes se tenha resumido apenas a 3 . Sei que estreia no próximo dia 24 de Setembro, o filme sobre o 1º volume, curiosamente realizado na Europa e não nos Estados Unidos, que costumam ter " olho" para estes guiões bombásticos. Estou convencida que este filme e os outros que inevitavelmente se seguirão, serão um êxito de bilheteira.

Aconselho, contudo, a que leiam primeiro os livros porque são espectaculares e nem de longe capazes de serem substituídos seja por que filme for! É tão poderosa a escrita de Larsson que imaginamos as nossas próprias personagens, metemo-nos nas suas peles, sofremos, angustiamo-nos, vibramos e simpatizamos com elas de tal modo que não conseguimos deixar de viver suspensos das suas aventuras e devoramos página atrás de página, na ânsia de resolver os mistérios e acalmar as nossas dúvidas. São personagens estranhas, com características invulgares e muitas vezes no limiar da marginalidade, o anti-heroi que tem uma boa explicação para ser assim e que capta a nossa simpatia. E, a cada novo livro, surgem mais personagens, exóticas ou não, que se encadeiam na vida uma das outras.

A intriga de Larsson é fascinante e as aventuras sucedem-se interruptamente, com rapidez, interligando pessoas e acontecimentos que, espantosamente, conseguimos acompanhar dada a lucidez e clareza da escrita. Na verdade cada capítulo está datado fazendo-nos acompanhar os acontecimentos cronologicamente e mesmo em cada capítulo há separação de assuntos e factos, dando-nos uma perspectiva do que está a acontecer simultaneamente em diversas frentes.

Toda a obra de Larsson gira em torno dos homens que oprimem as mulheres, as agridem, as subjugam numa prepotência absurda e que, por se julgarem impunes, abusam do seu poder. É por isso que nos sabe melhor vê-los castigados no final. Lisbeth Salander é vítima do pai, do psiquiatra que a acompanha quando é ainda menor, do tutor, do estado sueco, do irmão. A mãe dela, vítima de Zalachenko. Erika Berger, vítima do seu novo colega de trabalho. Harriet Vangler, vítima do seu pai e irmão e tantas mulheres jovens e menos jovens apanhadas na rede de tráfico de mulheres de leste, que podiam ser de outro lado qualquer, obrigadas a prostituirem-se, privadas da sua liberdade e exploradas até por homens da própria polícia. A história é ficção mas está tão bem documentada, tão bem orquestrada, tão actual que é verosímil e empolgante.

Neste 3º volume há homicídios e a procura desenfreada do seu presumível autor, Lisbeth . Cruxificada pelos midia que não sabem nada dela a não ser o que a polícia deixa escapar, propositadamente, sobre a sua vida e que a descrevem como uma lésbica satânica, ela é a única que descobre o que verdadeiramente se passou e tenta resolver a situação. Lisbeth acaba entre a vida e a morte depois de ter levado 3 tiros e ter sido enterrada viva ( não digo por quem). Quando pensamos que tudo está terminado para ela, num milagre de resistência, consegue libertar-se e, ajudada pelo amigo que sempre a compreendeu e nunca a abandonou, Mikael Blomkvist, é levada para um hospital e salva. Não vou contar mais nada para não estragar as emoções. Mas a partir daqui é a recuperação de Lisbeth, a tentativa dos seus verdadeiros amigos provarem a sua inocência ao mesmo tempo que tentam pôr a claro, com provas irrefutáveis, toda a trama que acompanhou a vida de Lisbeth, o envolvimento de uma secção especial da Säpo, tornando-a no erro mais montruoso da justiça e da polícia sueca.

Não percam, leiam mesmo esta trilogia e vão ver que não se arrependem. Não é só um devaneio meu, há uma verdadeira febre Millennium por todo o mundo, uma verdadeira legião de fãs viciados nesta saga tão bem escrita.


Podem ler aqui no blog da Noémia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Cinco Quartos da Laranja

Há muito tempo que não participo na nossa Academia dos Livros. Eu tenho lido bastante, mas a preguiça de postar sobre os livros tem sido muita. Desta vez fiz um esforço para combater essa danada da preguiça e aqui está o post.
Sugiro a leitura do livro Cinco Quartos da Laranja de Joanne Harris. Desta autora ainda só tinha lido Chocolate, que tinha gostado bastante e apesar de ela já ter publicado vários livros ainda não tinha voltado a ela.
Comprei o livro em inglês, o que para mim tem várias vantagens, é mais barato e permite o treino da língua inglesa, mas é óbvio que está editado em português.

É um livro muito belo, muito diferente de Chocolate, no sentido em que é mais duro, mais forte, mais amargo, mas parecido na abordagem de um universo mágico: a França campestre, com os seus aromas, os seus sabores, as suas paisagens e mitos. O rio Loire, os seus peixes, as suas correntes fortes, tornam-se personagens do livro, assim como Les Laveuses e Angers, as povoações onde a acção decorre. As pessoas têm nomes de frutos: Framboise, Reine-Claude, Cassis, Pistache, Prune… e os apelos ao paladar são tantos que ficamos com vontade de ir para a cozinha preparar geleias, crepes e toda a espécie de delícias.

Mas, no livro, estas delícias são temperadas com o azedume de uma relação gelada entre mãe e filhos. Framboise fala assim de sua mãe:
“Nunca vi a minha mãe chorar. Raramente sorria, e apenas na cozinha com a sua paleta de sabores na ponta dos dedos, falando para si própria – pensava eu – sempre no mesmo murmúrio monocórdico, dizendo os nomes das ervas e das especiarias – “canela, tomilho, hortelã-pimenta, coentros, manjericão, açafrão” – e fazendo comentários monótonos. “Vê o lume. Tem que estar na temperatura certa. Se estiver muito baixo a panqueca fica ensopada. Se estiver muito alto, a manteiga queima-se e a panqueca torra.” Compreendi mais tarde que ela estava a tentar educar-me. Eu escutava porque via nos nossos seminários da cozinha a única forma de ter um pouco da sua aprovação, e porque qualquer boa guerra precisa da sua ocasional amnistia. Receitas campestres da sua Bretanha eram as suas favoritas; as panquecas de milho sarraceno que comíamos com tudo, far breton, kouign amann e galette bretonne que vendíamos em Angers, juntamente com o nosso queijo de cabra, salsichas e fruta.”

Como só tenho o livro original, fiz uma tradução livre deste pedacinho, para vos dar uma pequena ideia desta obra. Espero que ela vos aguce o apetite para ler o livro e para cozinhar um crêpe framboise...


Podem ler aqui no blog da Isabel.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo

Despachei literalmente de uma assentada o 2º volume do Stieg Larsson, 611 páginas, « A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo». Passei o dia enfiada no sofá da sala e só me levantei para dar cumprimento às funções mais primárias e inadiáveis. Não me lembro de melhor maneira de passar o meu último dia de férias.

O livro é simplesmente fabuloso em termos de capacidade de reter toda a nossa atenção, de nos prender e compulsivamente querermos saber sempre mais. Eu até nem sou fã de policiais mas estou rendida completamente ao estilo de Larsson..
Desta vez a acção gira toda à volta de Lisbeth Salander que depois de umas merecidas férias de um ano, regressa à Suécia e, com os inesperados milhões de coroas que tem na sua conta bancária resolve mudar de casa, de vida e de emprego. Quando está finalmente instalada começa a fazer uma ronda pelos seus antigos conhecidos, começa a descobrir as actividades em que cada um anda envolvido e isso começa a despertar o seu interesse. Inesperadamente, vê-se acusada do assassínio de um casal, ela, Mia Johansson, criminalogista e ele Dag Svensson, jornalista que investigavam uma rede de trafico de mulheres de leste e o negócio da prostituição, a que se junta mais tarde uma terceira vítima, o advogado seu tutor.
Os dados estão lançados, uns vêem-se envolvidos involuntariamente na história, outros poucos, que gostando de Lisbeth se colocam do seu lado e procuram a verdade e ainda uma quantidade de polícias que levam a cabo as investigações, todos procuram frenéticamente Lisbeth que, misteriosamente, sumiu sem deixar rasto. Aparentemente ninguém sabe porque é que ela terá matado os três e que ligações haverá entre eles que justifiquem as suas mortes. Mikael Blomkvist acredita que o assassínio está relacionado com o livro de Dag, que a Millenium ia editar interligada à tese de doutoramento de Mia. A polícia obstinadamente segue outra pista. Armanskij, antigo patrão de Lisbeth entra na corrida, com uma investigação paralela à da polícia. As televisões e jornais anunciam o nome e rosto de Lisbeth, explorando com foros de sensionalismo, pormenores da sua vida que vão sendo apurados nas investigações e há quase uma condenação pública nos midia, de que ela é a criminosa...
Uma rede de intrigas jornalísticas, três investigações sobre o mistério dos assassinatos, peripécias atrás de peripécias vão-nos desvendando que há mais em jogo dos que aquilo que sabemos. As peças de uns e de outros começam a completarem-se como um puzzle.

De repente descobrimos e acompanhamos Lisbeth Salander sem que nenhum dos outros saiba dela e do que faz. Torcemos e simpatizamos com esta mulher miuda , lutadora e solitária. Desejamos que vença quando finalmente compreendemos toda a verdadeira dimensão da infelicidade da sua vida e compreendemos finalmente o drama que lhe ensombrou toda a adolescência. Percebemos o porquê” do seu ódio aos homens que odeiam as mulheres” e torcemos para que os outros também descubram isso.

O livro acaba com a demanda solitária de Lisbeth, na tentativa de resgatar o seu passado vingando-se do culpado de toda a sua vida e também, indirectamente, culpado dessas mortes. O seu mais fiel defensor e amigo Mikael Blomkvist que lhe adivinha os passos, segue-a e tenta salvá-la caso haja um fracasso.
Não revelo mais nada do argumento porque seria estragar o prazer da leitura. Aliás este volume fica com a acção em aberto e temos que ler o terceiro para descobrir o que se vai passar a seguir. Como vêem o suspense continua ...Acho que vou a correr começar o 3º volume que está ali pousado a chamar insistentemente por mim!

Podem ler aqui no blog da Noémia.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os meus 30 anos com Amália

Depois de um almoço em família, em que tivemos 12 pessoas à mesa, nada melhor do que repousar um pouco e pôr a leitura em dia.
Os momentos de repouso deram para acabar de ler este livro, que achei muito bonito, pois é uma forma de ficarmos a conhecer mais um pouco quem foi a D. Amália, a grande diva do fado do nosso país.



Este livro revela vivências e intimidades, muitas delas até agora desconhecidas do público. Siga a visita guiada que Estrela Carvas, com a colaboração jornalística de Maria Inês de Almeida, preparou para si e descubra:
Uma Amália que gostava de ter sido bailarina; uma Amália fumadora inveterada, que chegava sempre cedo aos espectáculos e bebia chá aos litros; a Amália que rezou para amar e adormecia com os filmes do Fred Astaire; a Amália que gravava discos numa ou duas noites e gostava de queijo da Beira Baixa, com cheiro intenso; a Amália que nunca tirou a carta de condução e arrancava flores dos jardins de outras casas; a Amália que detestava palavrões e queria ter tido uma roça em África.
Uma Amália muito mais próxima de si. Mais do que alguma vez imaginou.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Os homems que odeiam as mulheres

Em tempo de férias ler tem outro sabor.
Não haver horários para nada, não ter compromissos nem prazos, nem sequer para comer, faz com que ler seja onde e quando se quiser, sem obrigatoriedade de parar. Aaaahhh! E como é bom!
O livro que me acompanhou nos primeiros dias de praia e que li de um fôlego tem tudo para ser um bom companheiro de férias: aventura, mistério, suspense, actualidade, política, policial, amor, sexo, que se sucedem de forma veloz, em 539 páginas tão bem escritas e que nos prendem ao enredo magistralmente.




« Os homens que odeiam as mulheres » é o 1º volume de uma trilogia escrita pelor Stieg Larsson. Jornalista e editor da revista Expo, Stieg Larsson foi um dos maiores peritos mundiais no estudo de movimentos antidemocráticos, de extrema-direita e nazis. Digo “foi” porque já morreu, exactamente depois de entregar os três volumes da trilogia Millennium .Morreu de causas naturais, ao que parece e, apesar de todas as mortes serem lamentáveis, depois de o lermos, concordamos que tenha sido cedo demais.
Mas afinal de que trata o livro?


Começa tudo com um escândalo jornalístico sobre um banqueiro que, devido a falta de provas que justifiquem as acusações publicadas, levam à condenação de Mikael Blomkvist, jornalista e editor da revista Millennium.
Afastado voluntariamente da revista, é contactado e contratado pelo patriarca de uma das grandes famílias suecas, Henrik Vanger, dono de uma sólida indústria com ramificações em diversas áreas. A proposta que ele faz ao jornalista é insólita e aliciante; descobrir o mistério da morte de uma sua sobrinha-neta, há 40 anos atrás, pagando-lhe uma avultada soma em dinheiro mas, melhor que tudo, dando-lhe em troca provas concretas da corrupção do “tal” banqueiro que lhe permitirão a vingança . Como disfarce para a sua investigação, dado que a família Vanger é um ninho de víboras, diria a todos que estava a escrever a história da família.
Esta é a 1ª parte da história, as 122 páginas iniciais.
A partir daqui temos um Mikael que se instala lá bem a norte da Suécia, numa pequena cabana em Hedestad, gelada e solitária, deixando para trás a sua amante e sócia à frente da revista. Começa a investigar e estudar a família em questão e a analisar o dia fatídico da morte de Harriet.
Fascinante é a segunda personagem mais importante, Lisbeth Salander, freelancer numa empresa de investigação privada, uma hacker fabulosa, que investiga Mickael a pedido de Vanger. De personalidade fechada, altemente problemática e irrascível vai acabar por trabalhar com Mikael e envolver-se afectiva e fisicamente com ele. Juntos vão passar por algumas vicissitudes, perseguições e finalmente descobrir o mistério de Harriet Vangler.
Não vos vou contar mais pormenores porque tiraria todo o interesse a quem o quiser ler. Direi apenas que é bem interessante o contexto político e económico sueco onde se passa a acção, a actualidade do mundo e submundo da imprensa, as novas tecnologias e a sua aplicação fascinante à espionagem electrónica.
Não percam. Leiam!
Segue-se em breve, espero, « A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo », 2º volume desta trilogia e que já está na minha mesa à espera de vez. O 3º é « A rainha no palácio das correntes de ar». Sugestivos os títulos, não?

Podem ler aqui no blog da Noémia.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

O carteiro de Pablo Neruda

E pronto.... eu quando me agarro a um livro e gosto do que estou a ler não descanso enquanto não termino. Foi o que aconteceu com este, que foi lido em 3 serões.

A vida na Ilha Negra é demasiado aborrecida para Mário, um jovem pescador que procura uma forma de subsistir sem ter que se dedicar à pesca, como a maior parte dos habitantes da ilha.
Mário decide abandonar o seu ofício para se converter no carteiro da ilha, onde só Pablo Neruda recebe correio. Mário e o poeta entabulam uma singular relação.
Mário aprende com Neruda o que é uma metáfora e pede-lhe ajuda e conselhos para conquistar a jovem Beatriz.
Entretanto, Salvador Allende ganha as eleições e as mudanças políticas sucedem-se vertiginosamente no país até acabarem por afectar gravemente a vida dos habitantes da Ilha Negra.


Notas sobre o autor:
Antonio Skarmeta nasceu em Antofagasta (Chile) em 1940. Escritor, argumentista, tradutor, director de cinema e de teatro e professor de Literatura, é um dos mais relevantes autores latino-americanos actuais.
Além de O Carteiro de Pablo Neruda (1985), obra publicada em 30 línguas e adaptada com grande êxito internacional ao cinema, destacam-se da sua produção literária os romancesSoñé que la nieve ardia, No pasó nada, La Insurrección, A Boda do Poeta, A Rapariga do Trombone e A Dança da Vitória.

Podem ler aqui no blog da Risonha.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

És mesmo tu?


Uma das peripécias da minha viagem ao brasil, foi ter entrado num avião avariado e em consequência ter perdido a ligação em Madrid, o que teria sido um suplicio de 30 e muitas horas em transito e uma aventura desgastante para inicio de viagem, se não tivesse encontrado um grupinho no aeroporto de sofredores da mesma causa, mas mesmo assim animados para a longa viagem que nos esperava.

Deste grupinho resultaram alguns amigos de viagem e uma destas amigas, uma menina muito especial, logo que soube do meu menino fez questão de lhe enviar um presentinho. O presente foi este livrinho muito engraçado que o menino adorou, dos vários que já tem na estante do quartinho nenhum lhe despertou um interresse especial, para além de ouvir a histórinha ao deitar.



Este vai buscá-lo de vez em quando e fica a admirar cada página e de cada página ele inventa uma história e comenta todos os pormenores do desenho.

Este livrinho sai um bocadinho do ambito da academia, mas penso que a literatura infantil tem também muito interesse e este principalmente pela originalidade do livro, da história e da ilustração, uma belissima sugestão para fugir histórias mais tradicionais.

A história é muito divertida e para abrir o apetite....



"Uma bota que desapareceu

misteriosamente deixa

dois amigos á conversa.

Uma conversa labirintica

que nos deixa quase tontos!

Mas as conversas entre

amigos são mesmo assim....

Cheias de curvas, contracurvas

e referencias estranhas

(que mais ninguem entende!),

as conversas entre amigos

guardam sempre segredos

e muita cumplicidade."



" Olha, olha...

Aquela ali não é a Inês?

A Inês...qual Inês?

A Inês pequenina, do risco ao meio.

A Inês que perdeu a bota no recreio!

A Inês distraida, irmã do Zé.

Do Zé...qual Zé?


O Zé grandalhao,

que comeu a lagartixa

apensar que era salsicha.

E que foi procurar a bota

ao telhado com o Tó......"



Quem quiser saber mais é só procurar nos livrinhos do Planeta-tangerina do qual a minha amiga Yara faz parte.

A autora do livrinho é Isabel Minhós Martins e as ilustrações são de Bernardo Carvalho.

Podem ler aqui no blog da Alcina.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

O Historiador

Confesso que estava difícil acabar de ler este livro, pois no princípio mostrou-se algo "secante": muita narração, poucos ou nenhuns diálogos, muita descrição... estava a ser realmente um livro muito maçador.
Mas como raramente coloco um livro de parte, não desisti e a partir do meio do livro comecei a adorar.
Quem gostar de temas "vampirescos" tem aqui uma boa opção.



Uma jovem encontra, na biblioteca do seu pai, umas velhas e enigmáticas cartas e um estranho livro praticamente em branco.
Quando pergunta ao seu pai sobre esses curiososo objectos, este conta-lhe como o livro chegou às suas mãos e como mudou a sua vida e a de todos os que o rodeavam.
E assim começa uma série de aventuras, que percorrem três continentes e dois séculos, e que tratam segredos familiares, a imprescindibilidade da História e uma conspiração que envolve uma das figuras mais notáveis da cultura ocidental: Vlad III o Empalador, conhecido desde o século XIX, graças à obra de Bram Stocker, simplesmente como Drácula.



Notas sobre a autora:
Elizabeth Kostova nasceu em New London, Connecticut, EUA, em 1964.
Licenciou-se pela Universidade de Yale e fez um Mestrado em Arte na Universidade do Michigan.
O Historiador é o seu primeiro romance. Publicado em 2005, demorou dez anos a ser escrito e recebeu em 2004 o Prémio Hopwood da Universidade do Michigan. Graças ao seu original tratamento do vampirismo num apaixonante relato apoiado numa sólida base documental, esta obra obteve um extraordinário êxito internacional, que converteu a sua autora numa das escritoras de romance de intriga mais prometedoras dos últimos tempos.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

No teu deserto


"No teu Deserto", de Miguel Sousa Tavares é um livro de fácil leitura, não é romance mas é uma história de amor, embora que platónico...ou talvez não.

A minha classificação: média.

Alguns excertos:

"...a terra pertence ao dono, mas a paisagem pertence a quem a sabe olhar..."
"...a Cláudia sempre gostou de desaparecer, mas isso não significava, de modo algum, que as coisas lhe fossem indiferentes..."

Podem ler aqui no blog da Cláudia.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

O Cromossoma do Amor


Não sou grande fã das revistas cor de rosa nem tenho a menor pachorra para "tias"... confesso que nunca prestei uma atenção especial a esta Bibá, porque também não tenho pachorra para Bibás, Titas, Xinhas, Mimis e Lólós e etc etc etc.
Mas já tinha pensado uma vez que uma mulher da minha idade tinha 5 filhos, um deles diferente e que continuava a ser uma mulher sempre alegre, que aparecia sempre a rir e com ar de felicidade no rosto.

A Trissomia 21 como a paralisia cerebral, o autismo, são temas que me interessam, me entristecem e me fazem sempre pensar. Tenho um primo com Paralisia cerebral e cometi o erro do qual me arrependo até hoje de o tratar sempre como se fosse um bebé (até aos 8 anos) com gu-gus e da-das enquanto que ao outro primo da mesma idade falava normalmente. Acontece que a paralisia dele apenas lhe afeta a parte motora, e a da fala e por mais que a mãe mo dissesse eu não conseguia assimiliar que era mesmo assim. Quando o via a olhar para mim, sempre a rir e com um fio de baba a escorrer, para mim, apesar de o adorar ele era "atrasadinho"....

Até que um dia, tinha ele 9 anos, me chamou pelo msn e tive uma conversa com ele (à sua velocidade e ritmo) que me fez chorar convulsivamente de ter sido tão injusta com ele. Ele disse-me que devido à sua "diferença" não conseguia falar e tinha dificuldade em se expressar e que pela primeira vez podia dizer-me o quanto gostava de mim e o quanto me achava bonita. Chorei como há muito não chorava... e desde aí temos várias conversas pelo msn e NUNCA MAIS incorri na estupidez, na injustiça de falar com ele como se fosse um atrasadinho. Hoje converso normalmente com ele, dou-lhe o tempo que ele precisa para se fazer entender e até já me contou uma ou duas anedotas "picantes" (proprias dos seus 9 anos).

Enfim.... tudo isto para dizer que por vezes o não entendermos as diferenças dos outros, ou por não fazermos um esforço para as entendermos somos injustos, somos incorrectos e fazemos pessoas infelizes. E foi assim que eu decidi comprar o livro da Bibá Pitta e da história da sua filha Madalena. As expectativas eram.... as que eram.... ver se ela ia fazer show off, se queria dar nas vistas ou se tinha alguma coisa para nos contar.

E tinha... e tem... e aconselho este livro a qualquer pessoa. É uma história nua e crua duma familia que teve um filho diferente, são os vários testemunhos, duros de se lerem de quem aceitou com dificuldade esta menina, quem chegou a desejar que tudo "tivesse um fim", para mais tarde assumir que esta criança é a razão da sua existência. Muitas vezes chorei ao ler certas passagens deste livro, mas fez-me bem lê-lo, acho que cresci mais um bocadinho como pessoa e como ser humano, e estou MESMO a ser sincera.

Não sei se esta história poderá ajudar familias com o mesmo problema ou não, mas sei que nos faz abrir os olhos para a realidade, sermos menos egoístas, compreendermos certas coisas de uma forma melhor, e aprendermos que ser diferente, é apenas isso.... ser diferente! Com os mesmos direitos, com os mesmos deveres (tudo ao seu ritmo) e com o mesmo direito a andar neste mundo com a cabeça mais ou menos levantada, com a lingua mais ou menos para fora e com mais ou menos dificuldade em conseguir abotoar os botões do pijama.


Podem ler aqui no blog da Gio.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Nunca me esqueças

Este livro é simplesmente lindo... confesso que quando o comecei a ler e vi que a acção era passada no século XVIII achei que não iria gostar... mas enganei-me redondamente.
A história é envolvente, relata a vida de uma mulher muito corajosa, que por amor aos filhos e aos amigos consegue vencer todas as adversidades da vida.
Dei por mim muitas vezes com uma lágrima ao canto do olho ao ler o livro... talvez por andar muito sensível, pois tenho tido uma das minhas melhores amigas internada no IPO, e muitas vezes comparei a coragem da heroína do livro com a coragem da minha amiga.
Carma, para ti um beijinho muito especial... és uma lutadora e sei que vais vencer.Mas vamos ao que interessa: ao livro! Têm que lê-lo para saberem do que falo....


Num dia...
Com um gesto apenas...
A vida de Maruy mudou para sempre.
Naquele que seria o dia mais decisivo da sua vida, Mary - filha de humildes pescadores da Cornualha - traçou o seu destino ao roubar um chapéu.
O seu castigo: a forca.
A única alternativa: recomeçar tudo de novo no outro lado do mundo.
Dividida entre o sonho de começar de novo e o terror de não sobreviver a tão dura viagem, Mary ruma à Austrália, à época uma colónia de condenados. O novo continente revela-se um enorme desafio onde tudo é desconhecido... como desconhecida é a assombrosa sensação de encontrar o grande amor da sua vida. Apaixonada Mary vai bater-se pelos seus sonhos sem reservas ou hesitações. E a sua luta ficará para sempre inscrita na História.
Inspirada por uma excepcional história verídica, Lesley Pearse - a rainha do romance inglês - apresenta-nos Mary Board e, com ela, faz-nos embarcar numa montanha-russa de emoções únicas e inesquecíveis.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

sábado, 25 de julho de 2009

Cuecas na Cozinha - Escola de maridos & afins


Pode não ser literatura pura e dura, mas tem algo a ensinar de uma forma divertida e clara. Uma sugestão de leitura para quem é interessado em culinária e/ou para quem quer começar a interessar-se por este tema.

Conheci o blog do Alessander quando ele estava a comemorar o 1º ano de aniversário do Cuecas na Cozinha. Para a comemoração do 2º ano ele e a esposa, Cris, resolveram publicar um livro com o mesmo nome, onde incluem instruções, receitas e dicas acerca desse universo de alquimia que é uma cozinha. Para não falar das fotos lindíssimas da autoria da Cris :)

Segundo o Alessander, o livro "É um convite para quem pretende se aventurar pela deliciosa arte de receber em volta do fogão aqueles que realmente fazem diferença nessa vida."
Por isso, escreveu-o de forma ligeira, divertida e próxima, como se estivesse na presença dos leitores ou como se os leitores estivessem na cozinha dele.

No minímo é um título interessante, especialmente para quem vive em Portugal porque cá, quem usa cuecas, são as mulheres he he
Quer dizer, do jeito que o país está, tudo usa tanga ou fio dental, mas isso é outra história.

No fundo, o livro é um incentivo aos homens para que entrem na cozinha e façam um agrado às mulheres. Quem não gostava de ver o marido de avental (algumas até mesmo só de avental sem nada por baixo, confessem!!! he he) a preparar uma comidinha para nós, mulheres? Porque se os homens se conquistam pelo estômago, as mulheres não são muito diferentes. A carne é fraca e a gula é grande :) Além do mais, podem apanhar o gosto pela arte de cozinhar e descobrir um talento oculto que viu a luz do dia.

Olhem que, para quem tem mulheres preocupadas com a linha, também tem receitinhas leves e saborosas. Isso não é desculpa!

Outra coisa: há alguma coisa melhor que passar o serão com os amigos a partilhar estórias e boa comida? Especialmente quando essa comida é feita pelas nossas próprias mãos? Pode até haver mas não sabe tão bem quanto isso!

Eu li o livro de fio a pavio em pouco tempo e percebi que nele tem amizade, paixão, entrega... tanto pela culinária como pelas pessoas que fazem parte da vida do autor. Porque tal como ele aconselha: "Não perca o seu tempo com quem não vale a pena."
O melhor é alimentar as amizades, as parcerias, o companheirismo, as partilhas. Alimentar a alma mas também o corpo, porque saco vazio não se aguenta de pé :)

Eu já fiz uma receita retirada do livro dele e tenho outras para experimentar.
Existe uma divisão no livro que consta de pratos para curtir a dois e pratos para dividir com os amigos mas isso não é rigoroso. Na cozinha, tudo é possível e passível de ser dividido a dois ou dividido por um batalhão. O que é preciso é ter vontade!

Para mais informações acerca do livro, para conhecerem o Alessander e o blog dele recheado de receitas e fotos fantásticas, é só acessar aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O caso da rua Jau

Talvez influenciada pela melancolia do tempo veio-me à memória um texto que eu achei belíssimo na altura que o li, há já um bom par de anos e que compartilho agora convosco. Leiam-no devagar, parem mesmo nos pontos e façam pausas grandes nas vírgulas. Saboreiem como se fosse um rebuçado...

«
Seguiam pelo passeio de mãos dadas. Talvez o vento ligeiro que se levantou os molhasse ainda mais. Quando os atingia a chuva transformava-se em flores, como é de uso acontecer ao pão, nos milagres. Ou, como as flores continuam caras, talvez a chuva se limitasse a uma carícia, considerando tudo mais desnecessário.
Certo, certo, é que a chuva lhes ensopava o cabelo e que havia que, com a manga do casaco, ou simplesmente com os dedos, ir suavemente aceitando os pingos que lhes desciam pelo nariz.
Eles. Eles são eles. Eles são o príncipio de tudo o resto, sim, o resto é quase o fim do dia, a chuva farta e mansa, os autocarros embaciados, as pessoas apressadas ou abrigadas, resignadas, submissas, debaixo dos toldos.
Eles. Eles têm catorze anos, vão devagar como qualquer eternidade que se preze e tudo o mais de espanto é ficar a vê-los pelo passeio fora, de mãos dadas,enquanto a chuva cai, cai, cai.
Enquanto a noite se vai infiltrando por tudo o que é cidade.
Enquanto Lisboa se vai acomodando para a hibernação de todos os silêncios.
De súbito um carro pára diante deles, no outro lado da rua. Um vulto feminino desce, cobre a cabeça com a mão direita, acena com a outra:
- Eh pessoal! Querem boleia?
Eles estacam. Num acto instintivo de protecção Júlia põe-se à frente do rapaz.
- A professora Zília! - exclamam ao mesmo tempo.
-Não querem vir?
- Não vale a pena.
- Mas está a chover muito!
- Isto não é nada já passa. - grita o João.
- Vejam lá. Está tudo bem? Não há novidade?
- Tudo bem, professora, tudo bem.
Zília fica a vê-los afastarem-se, pararem na luz da paragem do autocarro, abraçarem-se num beijo, num beijo, num beijo.
Completamente ensopada, Zília entra no carro.
- O que é que tens? - pergunta-lhe o companheiro.
- Não sei - diz ela - Não sei. Mas parece que estou feliz
. »


Este excerto é do livro « o caso da rua Jau », de Mário Castrim.

Mário Castrim (pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca) nasceu em Ílhavo, em 1920, e morreu em Lisboa, em Outubro de 2002. Era casado com a também escritora e jornalista Alice Vieira e pai da jornalista e escritora Catarina Fonseca.
Professor, escritor e jornalista, fez crítica de televisão diária, desde 1965, no Diário de Lisboa. Depois do encerramento deste jornal, em 1990, passou a assinar a crítica de televisão no semanário Tal & Qual. Em 1963 criou, com Augusto da Costa Dias, o Diário de Lisboa – Juvenil, que sempre considerou a sua obra mais importante. Escreveu no jornal Avante! e, nos últimos dez anos da sua vida, trabalhou na revista Audácia, dos Missionários Combonianos.


Podem ler aqui no blog da Noémia.

domingo, 28 de junho de 2009

Pelo mundo fora

Pelo Mundo Fora é um romance humano, vívido, de esperança e perda, loucura e perdão, que revela os mecanismos subtis subjacentes às nossas mais importantes, e por vezes mais frágeis, relações com os outros. Greenie Duquette distribui a sua energia apaixonada entre a padaria que possui em Greenwich Village e o filho de quatro anos, George. O marido, Alan, parece estar afundado numa depressão da meia-idade enquanto Walter, o seu colega de profissão mais chegado, sofre de um desgosto de amor. É exactamente no restaurante de Walter que o governador do Novo México, que está de visita, prova o bolo de coco de Greenie e decide persuadi-la a sair da cidade para ser sua chef. Por razões que vão da ambição ao desespero, ela aceita – e mete-se a caminho para oeste, sem o marido. Esta decisão impulsiva, assim como vários acontecimentos fora do seu controlo, vão mudar o curso da vida de algumas pessoas em redor de Greenie.

Gosto e muito da escrita desta senhora, logo recomendo! Cá fica um excerto do livro:

“Greenie foi ter com Claudia ao pé da janela. Gostava daquela mulher, mas nesse momento sentia-se dilacerantemente sozinha, como se a sua vida fosse uma pradaria aberta, iluminada pelo sol mas demasiado ampla e vazia.”

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 27 de junho de 2009

O caçador de Almas


“Tyler, um rapaz de treze anos, jaz inconsciente numa cama de hospital após um trágico acidente que lhe danificou o cérebro. O pai permite que dois invulgares cientistas tomem a seu cargo o destino do adolescente. Um deles é um neurocirurgião cujas experiências pouco ortodoxas incluem o uso de computadores para controlar as respostas físicas dos pacientes durante as cirurgias. O outro é um investigador por conta própria e autor de experiências altamente secretas que visam descobrir a centelha da consciência humana… e capturá-la para sempre.
Juntos, alcançarão um resultado que ultrapassará tudo o que haviam imaginado, fazendo Tyler transpor os limites da ciência médica e enviando-o para um lugar nunca antes visitado e do qual um pai desesperado tentará resgatá-lo…
Um romance científico e tecnologicamente fascinante, com tudo aquilo que nos caracteriza enquanto seres humanos. O Caçador de Almas é uma viagem inesquecível ao interior das possibilidades da mente… e da alma humana.”

«Um romance cinematográfico e frequentemente arrepiante; as personagens são complexas o suficiente para exercer a nossa simpatia ou aversão; os pormenores mais técnicos – cirurgias cerebrais, síndromes neurológicas bizarras, dispositivos informáticos sinistros – parecem verdadeiramente reais; o enredo agarra, mantendo o leitor impaciente até ao desenlace final.»
The New York Times

Excerto do livro, que amei ler. Duro mas muitíssimo bem escrito, (é impressionante vermos como estamos nas mãos dos médicos e à sua mercê - valha-nos os bons profissionais!) como é comum neste escritor e em todas as suas obras:

“Tanto quanto Cleaver se lembrava, a sua vida intelectual tinha sido conduzida por dois conceitos. Um era a ideia que a mente era capaz de existir fora do corpo, de que os pensamentos, os medos, os sonhos, os pesadelos e as emoções tinham uma existência independente. O outro era a ideia de que as máquinas e o homem se podiam fundir – através dessa mente despojada de corpo – a fim de criar o novo homem do futuro. Porque se a mente podia ser medida – se havia algo que viajava de um ponto a outro - , então também podia ser capturada.”

Recomendo vivamente, não só este livro como todos o deste escritor : )

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tudo por amor

Mais um contributo da minha parte para a Academia dos Livros, da qual sou sócia praticamente desde o início...
Este é um daqueles livros que se lê de um fôlego e que nos faz pensar até onde uma mãe é capaz de ir para defender e proteger um filho.
Uma boa leitura para as tardes quentes de praia...
No seu dia-a-dia de trabalho, Nina Frost, a ambiciosa delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e trabalha afincadamente para garantir que um sistema legal com demasiadas lacunas mantenha estes criminosos atrás das grades.
Mas quando o seu próprio filho de cinco anos, Nathaniel, fica traumatizado devido a abuso sexual, Nina e o seu marido, Caleb, um pedreiro reservado e metódico, ficam destroçados, dilacerados por um sistema legal ineficiente que Nina conhece demasiado bem.
Num piscar de olhos, as verdades absolutas e as convicções de Nina desmoronam-se e esta lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos - independentemente das consequências, qualquer que seja o sacrifício.

Podem ler aqui no blog da Risonha.