quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Os apanhadores de conchas
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
A rainha no palácio das correntes de ar

A intriga de Larsson é fascinante e as aventuras sucedem-se interruptamente, com rapidez, interligando pessoas e acontecimentos que, espantosamente, conseguimos acompanhar dada a lucidez e clareza da escrita. Na verdade cada capítulo está datado fazendo-nos acompanhar os acontecimentos cronologicamente e mesmo em cada capítulo há separação de assuntos e factos, dando-nos uma perspectiva do que está a acontecer simultaneamente em diversas frentes.
Neste 3º volume há homicídios e a procura desenfreada do seu presumível autor, Lisbeth . Cruxificada pelos midia que não sabem nada dela a não ser o que a polícia deixa escapar, propositadamente, sobre a sua vida e que a descrevem como uma lésbica satânica, ela é a única que descobre o que verdadeiramente se passou e tenta resolver a situação. Lisbeth acaba entre a vida e a morte depois de ter levado 3 tiros e ter sido enterrada viva ( não digo por quem). Quando pensamos que tudo está terminado para ela, num milagre de resistência, consegue libertar-se e, ajudada pelo amigo que sempre a compreendeu e nunca a abandonou, Mikael Blomkvist, é levada para um hospital e salva. Não vou contar mais nada para não estragar as emoções. Mas a partir daqui é a recuperação de Lisbeth, a tentativa dos seus verdadeiros amigos provarem a sua inocência ao mesmo tempo que tentam pôr a claro, com provas irrefutáveis, toda a trama que acompanhou a vida de Lisbeth, o envolvimento de uma secção especial da Säpo, tornando-a no erro mais montruoso da justiça e da polícia sueca.
Não percam, leiam mesmo esta trilogia e vão ver que não se arrependem. Não é só um devaneio meu, há uma verdadeira febre Millennium por todo o mundo, uma verdadeira legião de fãs viciados nesta saga tão bem escrita.
Podem ler aqui no blog da Noémia.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Cinco Quartos da Laranja
Sugiro a leitura do livro Cinco Quartos da Laranja de Joanne Harris. Desta autora ainda só tinha lido Chocolate, que tinha gostado bastante e apesar de ela já ter publicado vários livros ainda não tinha voltado a ela.
Mas, no livro, estas delícias são temperadas com o azedume de uma relação gelada entre mãe e filhos. Framboise fala assim de sua mãe:
“Nunca vi a minha mãe chorar. Raramente sorria, e apenas na cozinha com a sua paleta de sabores na ponta dos dedos, falando para si própria – pensava eu – sempre no mesmo murmúrio monocórdico, dizendo os nomes das ervas e das especiarias – “canela, tomilho, hortelã-pimenta, coentros, manjericão, açafrão” – e fazendo comentários monótonos. “Vê o lume. Tem que estar na temperatura certa. Se estiver muito baixo a panqueca fica ensopada. Se estiver muito alto, a manteiga queima-se e a panqueca torra.” Compreendi mais tarde que ela estava a tentar educar-me. Eu escutava porque via nos nossos seminários da cozinha a única forma de ter um pouco da sua aprovação, e porque qualquer boa guerra precisa da sua ocasional amnistia. Receitas campestres da sua Bretanha eram as suas favoritas; as panquecas de milho sarraceno que comíamos com tudo, far breton, kouign amann e galette bretonne que vendíamos em Angers, juntamente com o nosso queijo de cabra, salsichas e fruta.”
Como só tenho o livro original, fiz uma tradução livre deste pedacinho, para vos dar uma pequena ideia desta obra. Espero que ela vos aguce o apetite para ler o livro e para cozinhar um crêpe framboise...
Podem ler aqui no blog da Isabel.
terça-feira, 1 de setembro de 2009
A rapariga que sonhava com uma lata de gasolina e um fósforo

Desta vez a acção gira toda à volta de Lisbeth Salander que depois de umas merecidas férias de um ano, regressa à Suécia e, com os inesperados milhões de coroas que tem na sua conta bancária resolve mudar de casa, de vida e de emprego. Quando está finalmente instalada começa a fazer uma ronda pelos seus antigos conhecidos, começa a descobrir as actividades em que cada um anda envolvido e isso começa a despertar o seu interesse. Inesperadamente, vê-se acusada do assassínio de um casal, ela, Mia Johansson, criminalogista e ele Dag Svensson, jornalista que investigavam uma rede de trafico de mulheres de leste e o negócio da prostituição, a que se junta mais tarde uma terceira vítima, o advogado seu tutor.
Os dados estão lançados, uns vêem-se envolvidos involuntariamente na história, outros poucos, que gostando de Lisbeth se colocam do seu lado e procuram a verdade e ainda uma quantidade de polícias que levam a cabo as investigações, todos procuram frenéticamente Lisbeth que, misteriosamente, sumiu sem deixar rasto. Aparentemente ninguém sabe porque é que ela terá matado os três e que ligações haverá entre eles que justifiquem as suas mortes. Mikael Blomkvist acredita que o assassínio está relacionado com o livro de Dag, que a Millenium ia editar interligada à tese de doutoramento de Mia. A polícia obstinadamente segue outra pista. Armanskij, antigo patrão de Lisbeth entra na corrida, com uma investigação paralela à da polícia. As televisões e jornais anunciam o nome e rosto de Lisbeth, explorando com foros de sensionalismo, pormenores da sua vida que vão sendo apurados nas investigações e há quase uma condenação pública nos midia, de que ela é a criminosa...
Uma rede de intrigas jornalísticas, três investigações sobre o mistério dos assassinatos, peripécias atrás de peripécias vão-nos desvendando que há mais em jogo dos que aquilo que sabemos. As peças de uns e de outros começam a completarem-se como um puzzle.
Não revelo mais nada do argumento porque seria estragar o prazer da leitura. Aliás este volume fica com a acção em aberto e temos que ler o terceiro para descobrir o que se vai passar a seguir. Como vêem o suspense continua ...Acho que vou a correr começar o 3º volume que está ali pousado a chamar insistentemente por mim!
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Os meus 30 anos com Amália
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Os homems que odeiam as mulheres
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
O carteiro de Pablo Neruda
quinta-feira, 20 de agosto de 2009
És mesmo tu?
Uma das peripécias da minha viagem ao brasil, foi ter entrado num avião avariado e em consequência ter perdido a ligação em Madrid, o que teria sido um suplicio de 30 e muitas horas em transito e uma aventura desgastante para inicio de viagem, se não tivesse encontrado um grupinho no aeroporto de sofredores da mesma causa, mas mesmo assim animados para a longa viagem que nos esperava.
Deste grupinho resultaram alguns amigos de viagem e uma destas amigas, uma menina muito especial, logo que soube do meu menino fez questão de lhe enviar um presentinho. O presente foi este livrinho muito engraçado que o menino adorou, dos vários que já tem na estante do quartinho nenhum lhe despertou um interresse especial, para além de ouvir a histórinha ao deitar.
Este livrinho sai um bocadinho do ambito da academia, mas penso que a literatura infantil tem também muito interesse e este principalmente pela originalidade do livro, da história e da ilustração, uma belissima sugestão para fugir histórias mais tradicionais.
A história é muito divertida e para abrir o apetite....
"Uma bota que desapareceu
misteriosamente deixa
dois amigos á conversa.
Uma conversa labirintica
que nos deixa quase tontos!
Mas as conversas entre
amigos são mesmo assim....
Cheias de curvas, contracurvas
e referencias estranhas
(que mais ninguem entende!),
as conversas entre amigos
guardam sempre segredos
e muita cumplicidade."
" Olha, olha...
Aquela ali não é a Inês?
A Inês...qual Inês?
A Inês pequenina, do risco ao meio.
A Inês que perdeu a bota no recreio!
A Inês distraida, irmã do Zé.
Do Zé...qual Zé?
O Zé grandalhao,
que comeu a lagartixa
apensar que era salsicha.
E que foi procurar a bota
ao telhado com o Tó......"
Quem quiser saber mais é só procurar nos livrinhos do Planeta-tangerina do qual a minha amiga Yara faz parte.
A autora do livrinho é Isabel Minhós Martins e as ilustrações são de Bernardo Carvalho.
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
O Historiador
Podem ler aqui no blog da Risonha.
terça-feira, 11 de agosto de 2009
No teu deserto
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
O Cromossoma do Amor

terça-feira, 28 de julho de 2009
Nunca me esqueças
sábado, 25 de julho de 2009
Cuecas na Cozinha - Escola de maridos & afins

quarta-feira, 1 de julho de 2009
O caso da rua Jau
Talvez influenciada pela melancolia do tempo veio-me à memória um texto que eu achei belíssimo na altura que o li, há já um bom par de anos e que compartilho agora convosco. Leiam-no devagar, parem mesmo nos pontos e façam pausas grandes nas vírgulas. Saboreiem como se fosse um rebuçado...
« Seguiam pelo passeio de mãos dadas. Talvez o vento ligeiro que se levantou os molhasse ainda mais. Quando os atingia a chuva transformava-se em flores, como é de uso acontecer ao pão, nos milagres. Ou, como as flores continuam caras, talvez a chuva se limitasse a uma carícia, considerando tudo mais desnecessário.
Certo, certo, é que a chuva lhes ensopava o cabelo e que havia que, com a manga do casaco, ou simplesmente com os dedos, ir suavemente aceitando os pingos que lhes desciam pelo nariz.
Eles. Eles são eles. Eles são o príncipio de tudo o resto, sim, o resto é quase o fim do dia, a chuva farta e mansa, os autocarros embaciados, as pessoas apressadas ou abrigadas, resignadas, submissas, debaixo dos toldos.
Eles. Eles têm catorze anos, vão devagar como qualquer eternidade que se preze e tudo o mais de espanto é ficar a vê-los pelo passeio fora, de mãos dadas,enquanto a chuva cai, cai, cai.
Enquanto a noite se vai infiltrando por tudo o que é cidade.
Enquanto Lisboa se vai acomodando para a hibernação de todos os silêncios.
De súbito um carro pára diante deles, no outro lado da rua. Um vulto feminino desce, cobre a cabeça com a mão direita, acena com a outra:
- Eh pessoal! Querem boleia?
Eles estacam. Num acto instintivo de protecção Júlia põe-se à frente do rapaz.
- A professora Zília! - exclamam ao mesmo tempo.
-Não querem vir?
- Não vale a pena.
- Mas está a chover muito!
- Isto não é nada já passa. - grita o João.
- Vejam lá. Está tudo bem? Não há novidade?
- Tudo bem, professora, tudo bem.
Zília fica a vê-los afastarem-se, pararem na luz da paragem do autocarro, abraçarem-se num beijo, num beijo, num beijo.
Completamente ensopada, Zília entra no carro.
- O que é que tens? - pergunta-lhe o companheiro.
- Não sei - diz ela - Não sei. Mas parece que estou feliz. »
Este excerto é do livro « o caso da rua Jau », de Mário Castrim.
Mário Castrim (pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca) nasceu em Ílhavo, em 1920, e morreu em Lisboa, em Outubro de 2002. Era casado com a também escritora e jornalista Alice Vieira e pai da jornalista e escritora Catarina Fonseca.
Professor, escritor e jornalista, fez crítica de televisão diária, desde 1965, no Diário de Lisboa. Depois do encerramento deste jornal, em 1990, passou a assinar a crítica de televisão no semanário Tal & Qual. Em 1963 criou, com Augusto da Costa Dias, o Diário de Lisboa – Juvenil, que sempre considerou a sua obra mais importante. Escreveu no jornal Avante! e, nos últimos dez anos da sua vida, trabalhou na revista Audácia, dos Missionários Combonianos.
Podem ler aqui no blog da Noémia.
domingo, 28 de junho de 2009
Pelo mundo fora

Gosto e muito da escrita desta senhora, logo recomendo! Cá fica um excerto do livro:
“Greenie foi ter com Claudia ao pé da janela. Gostava daquela mulher, mas nesse momento sentia-se dilacerantemente sozinha, como se a sua vida fosse uma pradaria aberta, iluminada pelo sol mas demasiado ampla e vazia.”
Podem ler aqui no blog da Miss Slim.
sábado, 27 de junho de 2009
O caçador de Almas
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Tudo por amor
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Se me pudesses ver agora

sábado, 13 de junho de 2009
A solidão dos números primos
sábado, 30 de maio de 2009
O Canto e as Armas

RAIZ
Canto a raiz do espaço na raiz
do tempo. E os passos por andar nos passos
caminhados. Começa o canto onde começo
caminho onde caminhas passo a passo.
E braço a braço meço o espaço dos teus braços:
Oitenta e nove mil quilómetros quadrados.
E um país por achar neste país.
PEREGRINAÇÃO
Depois o bosque se fez barco. E ramo a ramo
Foi leme e quilha.
Era um povo a perder-se por seu amo
Que perdia o seu povo de ilha em ilha.
Eras tu que morrias na morte das lavras
Eras tu que ficavas cada vez mais nu.
E a cada terra onde chegavas eras tu
Que morrias na terra que deixavas.
Porque nenhum Brasil foi teu. Nenhuma
Ilha a tua. Em cada barco terra a terra
Perdeste a pátria por achar. E guerra a guerra
Por tuas armas te perdeste. E o mais foi espuma.
E o teu sangue corria por dentro das lavras.
Construías muralhas e ficavas
Pedra a pedra cercado. E desarmado
Eras tu que morrias nas batalhas
Enredado nas armas que tecias:
Malhas onde sem glória te perdias.
E as fogueiras ardiam. Inventavas fantasmas.
E era o teu corpo o corpo que queimavas.
Eras tu que cantavas dentro das palavras
Tecendo desarmado o canto e as armas.
E ALEGRE SE FEZ TRISTE
Aquela clara madrugada que
Viu lágrimas correrem do teu rosto
E alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno Agosto.
Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome. E demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silencio dissemos separados.
A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde um automóvel se afastava.
E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada.
Podem ler aqui no blog do Cupido.
