sábado, 25 de julho de 2009

Cuecas na Cozinha - Escola de maridos & afins


Pode não ser literatura pura e dura, mas tem algo a ensinar de uma forma divertida e clara. Uma sugestão de leitura para quem é interessado em culinária e/ou para quem quer começar a interessar-se por este tema.

Conheci o blog do Alessander quando ele estava a comemorar o 1º ano de aniversário do Cuecas na Cozinha. Para a comemoração do 2º ano ele e a esposa, Cris, resolveram publicar um livro com o mesmo nome, onde incluem instruções, receitas e dicas acerca desse universo de alquimia que é uma cozinha. Para não falar das fotos lindíssimas da autoria da Cris :)

Segundo o Alessander, o livro "É um convite para quem pretende se aventurar pela deliciosa arte de receber em volta do fogão aqueles que realmente fazem diferença nessa vida."
Por isso, escreveu-o de forma ligeira, divertida e próxima, como se estivesse na presença dos leitores ou como se os leitores estivessem na cozinha dele.

No minímo é um título interessante, especialmente para quem vive em Portugal porque cá, quem usa cuecas, são as mulheres he he
Quer dizer, do jeito que o país está, tudo usa tanga ou fio dental, mas isso é outra história.

No fundo, o livro é um incentivo aos homens para que entrem na cozinha e façam um agrado às mulheres. Quem não gostava de ver o marido de avental (algumas até mesmo só de avental sem nada por baixo, confessem!!! he he) a preparar uma comidinha para nós, mulheres? Porque se os homens se conquistam pelo estômago, as mulheres não são muito diferentes. A carne é fraca e a gula é grande :) Além do mais, podem apanhar o gosto pela arte de cozinhar e descobrir um talento oculto que viu a luz do dia.

Olhem que, para quem tem mulheres preocupadas com a linha, também tem receitinhas leves e saborosas. Isso não é desculpa!

Outra coisa: há alguma coisa melhor que passar o serão com os amigos a partilhar estórias e boa comida? Especialmente quando essa comida é feita pelas nossas próprias mãos? Pode até haver mas não sabe tão bem quanto isso!

Eu li o livro de fio a pavio em pouco tempo e percebi que nele tem amizade, paixão, entrega... tanto pela culinária como pelas pessoas que fazem parte da vida do autor. Porque tal como ele aconselha: "Não perca o seu tempo com quem não vale a pena."
O melhor é alimentar as amizades, as parcerias, o companheirismo, as partilhas. Alimentar a alma mas também o corpo, porque saco vazio não se aguenta de pé :)

Eu já fiz uma receita retirada do livro dele e tenho outras para experimentar.
Existe uma divisão no livro que consta de pratos para curtir a dois e pratos para dividir com os amigos mas isso não é rigoroso. Na cozinha, tudo é possível e passível de ser dividido a dois ou dividido por um batalhão. O que é preciso é ter vontade!

Para mais informações acerca do livro, para conhecerem o Alessander e o blog dele recheado de receitas e fotos fantásticas, é só acessar aqui.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O caso da rua Jau

Talvez influenciada pela melancolia do tempo veio-me à memória um texto que eu achei belíssimo na altura que o li, há já um bom par de anos e que compartilho agora convosco. Leiam-no devagar, parem mesmo nos pontos e façam pausas grandes nas vírgulas. Saboreiem como se fosse um rebuçado...

«
Seguiam pelo passeio de mãos dadas. Talvez o vento ligeiro que se levantou os molhasse ainda mais. Quando os atingia a chuva transformava-se em flores, como é de uso acontecer ao pão, nos milagres. Ou, como as flores continuam caras, talvez a chuva se limitasse a uma carícia, considerando tudo mais desnecessário.
Certo, certo, é que a chuva lhes ensopava o cabelo e que havia que, com a manga do casaco, ou simplesmente com os dedos, ir suavemente aceitando os pingos que lhes desciam pelo nariz.
Eles. Eles são eles. Eles são o príncipio de tudo o resto, sim, o resto é quase o fim do dia, a chuva farta e mansa, os autocarros embaciados, as pessoas apressadas ou abrigadas, resignadas, submissas, debaixo dos toldos.
Eles. Eles têm catorze anos, vão devagar como qualquer eternidade que se preze e tudo o mais de espanto é ficar a vê-los pelo passeio fora, de mãos dadas,enquanto a chuva cai, cai, cai.
Enquanto a noite se vai infiltrando por tudo o que é cidade.
Enquanto Lisboa se vai acomodando para a hibernação de todos os silêncios.
De súbito um carro pára diante deles, no outro lado da rua. Um vulto feminino desce, cobre a cabeça com a mão direita, acena com a outra:
- Eh pessoal! Querem boleia?
Eles estacam. Num acto instintivo de protecção Júlia põe-se à frente do rapaz.
- A professora Zília! - exclamam ao mesmo tempo.
-Não querem vir?
- Não vale a pena.
- Mas está a chover muito!
- Isto não é nada já passa. - grita o João.
- Vejam lá. Está tudo bem? Não há novidade?
- Tudo bem, professora, tudo bem.
Zília fica a vê-los afastarem-se, pararem na luz da paragem do autocarro, abraçarem-se num beijo, num beijo, num beijo.
Completamente ensopada, Zília entra no carro.
- O que é que tens? - pergunta-lhe o companheiro.
- Não sei - diz ela - Não sei. Mas parece que estou feliz
. »


Este excerto é do livro « o caso da rua Jau », de Mário Castrim.

Mário Castrim (pseudónimo de Manuel Nunes da Fonseca) nasceu em Ílhavo, em 1920, e morreu em Lisboa, em Outubro de 2002. Era casado com a também escritora e jornalista Alice Vieira e pai da jornalista e escritora Catarina Fonseca.
Professor, escritor e jornalista, fez crítica de televisão diária, desde 1965, no Diário de Lisboa. Depois do encerramento deste jornal, em 1990, passou a assinar a crítica de televisão no semanário Tal & Qual. Em 1963 criou, com Augusto da Costa Dias, o Diário de Lisboa – Juvenil, que sempre considerou a sua obra mais importante. Escreveu no jornal Avante! e, nos últimos dez anos da sua vida, trabalhou na revista Audácia, dos Missionários Combonianos.


Podem ler aqui no blog da Noémia.

domingo, 28 de junho de 2009

Pelo mundo fora

Pelo Mundo Fora é um romance humano, vívido, de esperança e perda, loucura e perdão, que revela os mecanismos subtis subjacentes às nossas mais importantes, e por vezes mais frágeis, relações com os outros. Greenie Duquette distribui a sua energia apaixonada entre a padaria que possui em Greenwich Village e o filho de quatro anos, George. O marido, Alan, parece estar afundado numa depressão da meia-idade enquanto Walter, o seu colega de profissão mais chegado, sofre de um desgosto de amor. É exactamente no restaurante de Walter que o governador do Novo México, que está de visita, prova o bolo de coco de Greenie e decide persuadi-la a sair da cidade para ser sua chef. Por razões que vão da ambição ao desespero, ela aceita – e mete-se a caminho para oeste, sem o marido. Esta decisão impulsiva, assim como vários acontecimentos fora do seu controlo, vão mudar o curso da vida de algumas pessoas em redor de Greenie.

Gosto e muito da escrita desta senhora, logo recomendo! Cá fica um excerto do livro:

“Greenie foi ter com Claudia ao pé da janela. Gostava daquela mulher, mas nesse momento sentia-se dilacerantemente sozinha, como se a sua vida fosse uma pradaria aberta, iluminada pelo sol mas demasiado ampla e vazia.”

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 27 de junho de 2009

O caçador de Almas


“Tyler, um rapaz de treze anos, jaz inconsciente numa cama de hospital após um trágico acidente que lhe danificou o cérebro. O pai permite que dois invulgares cientistas tomem a seu cargo o destino do adolescente. Um deles é um neurocirurgião cujas experiências pouco ortodoxas incluem o uso de computadores para controlar as respostas físicas dos pacientes durante as cirurgias. O outro é um investigador por conta própria e autor de experiências altamente secretas que visam descobrir a centelha da consciência humana… e capturá-la para sempre.
Juntos, alcançarão um resultado que ultrapassará tudo o que haviam imaginado, fazendo Tyler transpor os limites da ciência médica e enviando-o para um lugar nunca antes visitado e do qual um pai desesperado tentará resgatá-lo…
Um romance científico e tecnologicamente fascinante, com tudo aquilo que nos caracteriza enquanto seres humanos. O Caçador de Almas é uma viagem inesquecível ao interior das possibilidades da mente… e da alma humana.”

«Um romance cinematográfico e frequentemente arrepiante; as personagens são complexas o suficiente para exercer a nossa simpatia ou aversão; os pormenores mais técnicos – cirurgias cerebrais, síndromes neurológicas bizarras, dispositivos informáticos sinistros – parecem verdadeiramente reais; o enredo agarra, mantendo o leitor impaciente até ao desenlace final.»
The New York Times

Excerto do livro, que amei ler. Duro mas muitíssimo bem escrito, (é impressionante vermos como estamos nas mãos dos médicos e à sua mercê - valha-nos os bons profissionais!) como é comum neste escritor e em todas as suas obras:

“Tanto quanto Cleaver se lembrava, a sua vida intelectual tinha sido conduzida por dois conceitos. Um era a ideia que a mente era capaz de existir fora do corpo, de que os pensamentos, os medos, os sonhos, os pesadelos e as emoções tinham uma existência independente. O outro era a ideia de que as máquinas e o homem se podiam fundir – através dessa mente despojada de corpo – a fim de criar o novo homem do futuro. Porque se a mente podia ser medida – se havia algo que viajava de um ponto a outro - , então também podia ser capturada.”

Recomendo vivamente, não só este livro como todos o deste escritor : )

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Tudo por amor

Mais um contributo da minha parte para a Academia dos Livros, da qual sou sócia praticamente desde o início...
Este é um daqueles livros que se lê de um fôlego e que nos faz pensar até onde uma mãe é capaz de ir para defender e proteger um filho.
Uma boa leitura para as tardes quentes de praia...
No seu dia-a-dia de trabalho, Nina Frost, a ambiciosa delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e trabalha afincadamente para garantir que um sistema legal com demasiadas lacunas mantenha estes criminosos atrás das grades.
Mas quando o seu próprio filho de cinco anos, Nathaniel, fica traumatizado devido a abuso sexual, Nina e o seu marido, Caleb, um pedreiro reservado e metódico, ficam destroçados, dilacerados por um sistema legal ineficiente que Nina conhece demasiado bem.
Num piscar de olhos, as verdades absolutas e as convicções de Nina desmoronam-se e esta lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos - independentemente das consequências, qualquer que seja o sacrifício.

Podem ler aqui no blog da Risonha.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Se me pudesses ver agora

O 1º bestseller que publicou foi “P.S. – Eu Amo-te”, um dos mais notáveis bestsellers de 2004.
Cecelia Ahern em “Se me pudesses ver agora" ou Cecelia Ahern in “If You Could See Me Now”.


Elizabeth tem 34 anos e vive numa casa que ela adora e paga com o dinheiro que ganha no seu bem-sucedido negócio de designer de interiores. A vida não lhe foi fácil. Desde que a mãe os abandonara, Elizabeth acabou de se criar a si própria, enquanto criava também a irmã, Saoirse, e cuidava do pai. Aos dezasseis anos Saoirse engravidara por pura distracção. E agora Elizabeth tem o pequeno Luke para criar, uma criança que ela teme que também venha a ser problemática, uma vez que tem um amigo imaginário. Mesmo assim Elizabeth controla tudo na perfeição. Mas agora que Ivan apareceu na sua vida, vai mudá-la de formas que ela nunca podia ter imaginado... Um conto de fadas moderno. Uma história cheia de romantismo, emoção, sonho e fantasia. Um conto de fadas moderno.

É um livro comovente e muito terno. Faz-nos pensar sem dúvida nos pequenos grandes prazeres da vida.
Como que se vê o mundo com óculos cor de rosa.
Lembramos o nosso lado mais inocente, crente e infantil, que tantas vezes tanta falta nos faz e que torna a vida mais linda.

Excertos:
“Fuchsia Lane. Devem ter-lhe dado esse nome por causa das fuchsias que cresciam por todo o lado. Ali eram Silvestres”.

“Sentia-se no ar um odor magnifico a relva acabada de cortar...”

"A vida é assim uma espécie de pintura. Uma pintura abstracta muito bizarra. Podemos olhar para ela e pensar que tudo aquilo não passa de um borrão, e continuarmos a viver a nossa vida pensando que tudo o que existe à nossa volta é um borrão. Mas se olharmos bem para ela, se a observarmos com atenção, a vida pode tornar-se muito mais do que isso. Ela pode ser uma pintura do mar, do céu, das pessoas, dos edifícios, de uma borboleta pousada numa flor ou de qualquer outra coisa, excepto do borrão que antes vocês se convenceram que era."

“Elizabeth levantou os olhos. À sua frente estavam centenas de sementes de dente-de-leão a esvoaçar ao vento, captando a Luz do Sol com os seus filamentos brancos felpudos e flutuando em direcção a eles como um sonho fantástico.
- Parecem fadas – disse Luke, espantado.”

"Não importa onde estamos neste mundo, porque o que interessa é onde estamos aqui - tocou ao de leve na cabeça. - O importante é o outro mundo que habito. O mundo dos sonhos, da esperança, da imaginação e das recordações. Aí eu sou feliz ... por isso também sou feliz neste sítio. ... Fechou os olhos e deixou que o vento lhe secasse as lágrimas."

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 13 de junho de 2009

A solidão dos números primos

Ontem aconteceu-me uma coisa que há já muito tempo não sucedia!
Pegar num livro e lê-lo de uma assentada, sem interrupção até à última página.
Fiquei tão contente! Já me julgava incapaz de uma proeza do género e andava a matutar se não seria por agora precisar dos óculos para ler e ter de andar sempre com eles de um lado para o outro, que isso acontecia.
Afinal, depois de ler este, cheguei mesmo à conclusão que eram os argumentos incipientes e pueris que não me despertavam a curiosidade, aliados à maneira inadequada de tratar os temas.
Pronto, pronto,está bem, a Net e a falta de tempo também têm alguma culpa, eu concedo.

O livro em questão chama-se « A Solidão dos Números Primos» de Paolo Giordano, da Bertrand.

É a história de duas personagens que vivem dois incidentes infelizes e perturbadores que lhes modificam por completo a vida. O relacionamento com os pais é fundamental na gestão emocional do problema vivenciado e na afectividade. O seu crescimento e relacionamento consigo e com os outros acaba por ser condicionado por isto.
Acabam por se cruzar e o leitor acompanha o seu crescimento, a adolescência, a juventude, os amores e desamores, o traumas e infelicidades que, são incapazes de superar pelo peso esmagador das suas más experiências.

Não é uma história feliz. É uma história crua e fatalista, como tantas na vida real, contada magistralmente.Bom conhecedor da psicologia humana o autor prende-nos e enreda-nos na expectativa do que pode acontecer. Entre a inércia absurda e enervante das personagens e a nossa vontade que as coisas se alterem e acabem por se comporem, somos levados até ao final da história, meio desconcertante mas plausível, que nos deixa a pensar nas relações humanas e na importância de educarmos as nossas crianças para o sucesso duma coisa a que damos pouca importância - A inteligência emocional.

Podem ler aqui no blog da Noémia.

sábado, 30 de maio de 2009

O Canto e as Armas

Manuel Alegre é um dos grandes poetas Portugueses. O pequeno livro "o Canto e as Armas", na verdade é um livro enorme. É para mim fantástico ouvir estes poemas pela voz de Alegre com a guitarra de Paredes em fundo ou pela voz e musica de Adriano.


RAIZ

Canto a raiz do espaço na raiz
do tempo. E os passos por andar nos passos
caminhados. Começa o canto onde começo
caminho onde caminhas passo a passo.
E braço a braço meço o espaço dos teus braços:
Oitenta e nove mil quilómetros quadrados.
E um país por achar neste país.

PEREGRINAÇÃO

Depois o bosque se fez barco. E ramo a ramo
Foi leme e quilha.
Era um povo a perder-se por seu amo
Que perdia o seu povo de ilha em ilha.

Eras tu que morrias na morte das lavras
Eras tu que ficavas cada vez mais nu.
E a cada terra onde chegavas eras tu
Que morrias na terra que deixavas.

Porque nenhum Brasil foi teu. Nenhuma
Ilha a tua. Em cada barco terra a terra
Perdeste a pátria por achar. E guerra a guerra
Por tuas armas te perdeste. E o mais foi espuma.

E o teu sangue corria por dentro das lavras.
Construías muralhas e ficavas
Pedra a pedra cercado. E desarmado
Eras tu que morrias nas batalhas
Enredado nas armas que tecias:
Malhas onde sem glória te perdias.

E as fogueiras ardiam. Inventavas fantasmas.
E era o teu corpo o corpo que queimavas.
Eras tu que cantavas dentro das palavras
Tecendo desarmado o canto e as armas.

E ALEGRE SE FEZ TRISTE

Aquela clara madrugada que
Viu lágrimas correrem do teu rosto
E alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno Agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome. E demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silencio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada.





Podem ler aqui no blog do Cupido.

terça-feira, 26 de maio de 2009

1808

Quando viajo gosto sempre de levar uns livrinhos para lêr, para esta viagem tinha levado um de Jorge Amado, que acabei por não lêr, porque por recomendação de um amigo comprei em S.Paulo na maravilhosa livraria Cultura o Livro 1808, mais um sobre o brasil e mais o que a amiga Neyma me ofereceu ia pagando excesso de bagagem, aliás só não pagamos, porque retiramos coisas da mala em pleno aeroporto para trazer em sacos plásticos :-)

Deste livro 1808, nunca tinha ouvido falar e se tivesse provavelmente fora do contexto nunca o teria comprado, porque história foi uma matéria que nunca gostei muito.

No contexto da nossa viagem achei interessante e muito adequado, gostei de o lêr nos locais onde parte da história se passou, fez-me apreciar de maneira diferente o livro e mesmo alguns passeios, Petrópolis e o passeio de barco pela Baía de Guanabara, sabendo que foi aí que a corte do D. João VI desembarcou.




Nunca algo semelhante tinha acontecido na História de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal. D. João VI foi o único soberano europeu a visitar terras americanas em mais de quatro séculos e foi quem transformou uma colónia num país independente. No entanto, o seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento que, quando lembrado, é tratado de forma caricata. Mas o Brasil de D. João VI não se resume a episódios engraçados. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o cenário no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver os seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos. Como se verá, estes personagens podem ser, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, incluindo alguns actuais.
Laurentino Gomes
Podem ler aqui no blog da Alcina.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Polícia à Portuguesa

Num momento em que a questão da insegurança está na ordem do dia, este livro traça um retrato "cru", actual e realista da PSP. Uma realidade que não passa despercebida à própria Corporação, às forças políticas e à sociedade civil em geral.
Fala de uma polícia mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho. Homens e mulheres que chegam a passar fome, que têm uma vida familiar destruturada, problemas de saúde, sujeitos a regras que nem sempre compreendem, alvos fáceis de processos disciplinares e/ou criminais.
Polícias que têm ordem de não disparar nas perseguições a criminosos. Que tentam fazer o seu trabalho com armas velhas, balas contadas, coletes muito pouco à prova de bala. Que conduzem carros que não passariam numa vulgar inspecção e cujos motores muitas vezes "rebentam" em plena "caça" ao ladrão! Que não acertam num alvo a não ser por acaso...
E como se não bastasse, fala de polícias que ainda se queixam de perseguições internas, de favoritismos, de partidarização da Corporação e da influência militar.
Este é um documento fundamental que apela à reflexão nacional, especialmente quando o que decorre da sua leitura é que, na verdade, a nossa segurança está mesmo em risco.

Informação sobre os autores:
Fernando Contumélias nasceu em Lisboa há 40 anos. Iniciou o seu percurso profissional muito cedo, na rádio e na imprensa, áreas que trocou, em 1990, pelas agências de comunicação e publiciadade. Actualmente está ligado ao sector social e é conselheiro de uma instituição da sector financeiro.

Mário Contumélias nasceu em Setúbal já lá vão umas décadas. É etno-sociólogo, especializado em comunicação. Dá aulas no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Como autor tem já 22 livros publicados, 11 para o público infanto-juvenil, 6 de poesia, incluindo uma antalogia pessoal, 1 de entrevistas, 1 brochura evocativa do 25 de Abril e 3 romances.


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terça-feira, 19 de maio de 2009

A menina que roubava livros


É de certeza, um dos melhores, se não o melhor, livro que já li!
Na minha opinião é um livro bastante interessante... bom para quem gosta de uma boa leitura...
Emocionante desde o princípio ao fim, na minha humilde opinião.
É dos tais livros amado por muitos e odiado por tantos!

Cá ficam alguns excertos deste Maravilhoso livro:
“Pode alguém roubar a felicidade? Ou será que ela é apenas mais um infernal truque interno dos humanos?”
“Toda a minha vida tive medo de homens velando sobre mim.
Suponho que o primeiro homem a velar sobre mim foi o meu pai
Mas ele sumiu antes que eu pudesse recordá-lo”.

“Muitos anos depois precisei me esconder .
Procurei não dormir porque tinha medo de quem estaria lá quando acordasse.
Mas tive sorte. Era sempre meu amigo.”

O caminho percorrido por Liesel Meminger é contado por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adoptá-los por dinheiro. O garoto morre no trajecto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adoptivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

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domingo, 17 de maio de 2009

Os 36 homens justos



É daqueles livros que me recomendaram vivamente.
Para quem gostou do Código Da Vinci, como é o meu caso, recheado de teorias da conspiração é um livro que nos prende do início ao fim. À primeira vista não me achei nada parecido com o Código Da Vinci, mas depois por outro lado concordo em parte com esta opinião. Este livro tem o mesmo ritmo alucinante e deixa-nos presos, embora seja empolgante e interessante mas, igual ou parecido, nem pensar! Talvez o Sam Bourne estivesse nesta altura a dar os primeiros passos nestes assuntos sobre a religião (Cabala), neste caso em particular.
No entanto gostei e muito deste livro, prende a atenção e nunca desconfiamos de nada até quase ao final.
Sem dúvida nenhuma umas boas horas de leitura.
Para ler de uma assentada.

CUMPRE-SE FINALMENTE A PROFECIA DA CABALA. O FIM DO MUNDO ESTÁ A CHEGAR…
O tempo está a esgotar-se – falta um cadáver mais ou um dia menos para o fim do mundo. A antiga profecia está prestes a cumprir-se e um só homem o pode evitar… Uma complexa conspiração de fundo religioso, num thriller que arrasta o leitor para as mais secretas profundidades do misticismo e para as profecias da Cabala. Visionário e inquietante, este romance de ritmo trepidante convoca a morte, a mística e a Bíblia.

No centro da história está Will, um jovem jornalista em ascensão que no meio da sua tentativa de se impor no mundo difícil do jornalismo nova-iorquino se depara com uma tragédia pessoal: a sua mulher é raptada. A isto juntam-se os misteriosos assassinatos de homens à volta do mundo que praticaram actos de bondade fora do comum.

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terça-feira, 12 de maio de 2009

A Baía dos Anjos


Um romance sincero sobre o feminismo, o casamento e o relacionamento entre mãe e filha.
Zoe Cunningham é uma jovem inteligente, independente, mas que encara a vida com demasiado romantismo. O 2º casamento de sua mãe com Simon, um homem meigo, generoso e proprietário de uma villa em Nice, possibilitou-lhe a concretização de um sonho: uma vida independente, despreocupada, livre, desafogada... em suma, uma vida feliz. Só que Simon morre tragicamente e com ele o ideal de vida destas duas mulheres. Sozinha, longe de casa, rodeada de estranhos, enfrentando problemas jamais imaginados e caminhos nunca percorridos, Zoe vai ter de assumir responsabilidades até então não sonhadas. Afinal, a vida não é o conto de fadas que sempre idealizou!...

Excerto:
"As mulheres hão-de incentivar sempre o casamento umas às outras, sobretudo se surge, ou parece surgir, uma maravilhosa vida nova no horizonte. O nosso erro foi não temos olhado para os dentes do cavalo. Mas quem é que olha?"

"Tal como Virginia Woolf, o seu objectivo não é a definição global das personagens, mas sim a revelação mais funda da psicologia individual." (The Times)

"Uma das raras romancistas britânicas desta geração com um talento verdadeiramente genial"
(Evening Standard)

"A Baía dos Anjos revela uma Anita Brookner em toda a sua sabedoria, eloquência e poder."
(The Spectator)

Anita Brookner nasceu em Londres e licenciou-se em História da Arte, tendo-se especializado na pintura dos séculos XVIII e XIX.
Foi a primeira mulher distinguida com o cargo de slade professor na Universidade de Cambridge. Crítica de arte conceituada, é autora de vários trabalhos publicados sobre o tema.
A partir dos anos 80 enveredou pela literatura tendo rapidamente sido considerada uma das maiores escritoras contemporâneas do Reino Unido. O seu romance "Hotel du Lac" foi galardoado, em 1984, com um dos mais prestigiantes prémios literários, o Booker Prize. Comparada frequentemente a Jane Austen ou Virginia Woolf, as personagens dos seus romances são quase exclusivamente femininas: são, em geral, mulheres que, após terem recebido uma educação tradicional, se vêem confrontadas com um mundo em perfeita mudança que lhes atribui um papel para o qual, nem sempre estão psicologicamente preparadas para assumir.
"A Baía dos Anjos" é a sua vigésima obra. Da sua bibliografia merece referência "Hotel du Lac", "Providence", "Fraude e Visitas", este último editado em Portugal pela Notícias.


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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Memórias de Adriano


Marguerite Yourcenar, para além de ter sido uma escritora foi, também, uma mulher muitissímo polémica que teve um papel activo no pensamento e na sociedade ao longo de uma grande parte do século XX.

A obra de Marguerite Yourcenar é extensa, nem sempre é muito bem compreendida e por vezes, tem de ser “bem digerida e mastigada”, mas é fácil e ao mesmo tempo é generosa, fala de tudo o que há mais de mil anos fazia sentido, e daqui muitos anos acho que vai continuar a fazer todo o sentido.

É um livro que parece ser "difícil": a escrita faz-se na primeira pessoa, com o Imperador Adriano, ele próprio, vagueando pelas suas memórias. Mas logo que se faça a adaptação ao estilo da autora, sem pré-aviso, começa-se a ficar envolvido na teia e, subitamente, quase magicamente, já estamos a sentir e a viver os tempos de Adriano. As suas viagens à volta do Império, os seus sentimentos para com os seus amigos e inimigos, as intrigas palacianas na sua corte, os seus pensamentos políticos e filosóficos sobre Roma e os Romanos, sobre os povos da Ásia Menor e do Egipto, sobre os bárbaros do Norte, as suas campanhas militares, tudo parece estar a acontecer e fazer parte da própria vida do leitor. É considerada uma peça de escrita fabulosa e única!
É nem mais nem menos que o drama da paixão de Adriano pelo jovem Antinoo está lá toda, maravilhosa, apaixonada, dolorosa, pungente, emocionante...

Fala de tudo o que há mais de mil anos fazia sentido, e que de aqui a tantos mil, continuará a fazer.

Cá fica um excerto:

"Como toda gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou de nos convencer que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 2 de maio de 2009

Um brilho no escuro



Um livro de contos que retratam a vida de pessoas como nós, separadas por diferentes tempos, culturas e locais (como França, Singapura e Nova Iorque).
As 14 histórias deste livro abordam temas com os quais o leitor facilmente se identifica, como a procura do amor, da felicidade e da aceitação. Num estilo literário cheio de empatia e elegância, a autora fala-nos, entre outras personagens cativantes, de Eslaini, uma jovem impetuosa e inteligente que vê o seu futuro posto em causa quando o pai a condena a uma vida de solteirona; de Joyce, casada há trinta anos e a viver na Malásia, e do impacto na sua vida causado pela chegada de um desconhecido; de Jade Moon, uma coreana que vive rodeada de americanos que rejeitam as suas tradições.
The Secrets of a Fire King foi finalista do Pen/Hemingway Award de 1998.

Kim Edwards licenciou-se na University of Iowa. Viveu na Ásia e deu aulas na Malásia, Tóquio, Phnom Penh e Cambodja. Foi-lhe atribuído o Nelson Algren Award e o Whiting Writer’s Award. Os seus contos ganharam diversos prémios, de entre eles o National Magazine Award for Excellence in Fiction. É actualmente professora na Washington University e na University of Kentucky.

Excerto do conto Um Brilho no Escuro:
“ Empurrei a porta para a abrir e espreitei lá para dentro.
O que posso dizer daquilo que vi? Todos os frascos em cima da mesa brilhavam ligeiramente, como se cada um contivesse uma pequena estrela que tivesse caído, como se raios de luar tivessem sido recolhidos em cada um deles. A simples lama em que ela trabalhava há tanto tempo tinha-se transformado num elemento de magia. Caí de joelhos como se para rezar, mas não consegui apartar os olhos da luz presa no interior daqueles frascos. Era tão bela, tão sublime. Desejava levar um para casa, guardá-lo no armário, para saber que podia abrir a porta, em qualquer altura, e ver aquela luminescência. Imaginava os rostos dos meus filhos, o deslumbramento que lhes provocaria aquela visão. Esse foi o meu primeiro pensamento ambicioso. Queria aquela beleza rara para mim”.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A cidade dos deuses selvagens


A escritora chilena Isabel Allende reside actualmente nos Estados Unidos da América.
Desde "A Casa dos Espíritos" em 1982, que fui desperta para a sua escrita e fiquei fã.
Sempre achei muito interessante a forma como Allende compõe os personagens.
Já os li todos desde "Paula", "A cidade dos deuses selvagens" (já o li nas duas versões: portuguesa e inglesa), "Filha da Fortuna" e todos os restantes que ela já escreveu e publicou.
Os livros desta escritora, na minha humilde opinião, fazem sempre, a quem os lê, crescer um bocadinho como ser humano.

«Ao adoecer a sua mãe, o jovem Alexander Cold parte com a extravagante avó Kate, numa expedição da Internacional Geographic à selva amazónica, em busca de um estranho animal que muito pouca gente viu e que os indígenas chamam "a besta".Outros membros da expedição, dirigida por um petulante antropólogo, são dois fotógrafos norte-americanos, uma bela médica, um guia brasileiro e a sua surpreendente filha Nadia, com quem Alexandre trava uma amizade especial. Entre as missões da expedição está também a de vacinar os escorregadios índios, conhecidos como "o povo do nevoeiro"».

A cidade dos deuses selvagens é uma viagem repleta de perigos, mistérios e espectaculares surpresas, onde o real e o sonho se fundem e transformam-se num só.
Alertando ainda para a desflorestação da Amazónia e para o drama terrível da extinção das tribos índias da região do Amazonas, como consequência directa da exploração desenfreada e irresponsável praticada pelos brancos, a autora pretende ainda sensibilizar os leitores a oporem-se a estes problemas.
Recomendo vivamente este livro para pequenos e grandes.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Herança Bolena

O fio condutor deste e de outros romances de Philippa Gregory é a história real de Inglaterra, pelo que muitos leitores já sabem de antemão o destino das personagens. Então, é legítimo que nos interroguemos acerca do seu sucesso, não é? Qual será o segredo da autora? Os seus livros são best-sellers, mas, porquê?

A Publishers Weekly respondeu a esta questão assim:
“Rica em intriga e ironia, esta é uma história em que o leitor já sabe quem se divorciou, quem foi decapitado e quem sobreviveu, mas apreciará a inteligente adaptação de Gregory do como e porquê.”

E é mesmo verdade, apesar de já conhecer o destino de todas a esposas do Rei Henrique VIII de Inglaterra, não resisto à leitura de mais um livro da Philippa Gregory.
É certo e sabido que quando se estuda a história de um país, normalmente, faz-se uma resenha dos acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Não dá para ser mais aprofundado, porque os acontecimentos são muitos e a distância temporal é cada vez mais longa, pelo que alguns pormenores menos importantes perdem-se pelo caminho, e é precisamente aqui que esta escritora ganha pontos. Ela foca um determinado período da história, normalmente curto, e dá alma e coração às personagens.
Por exemplo, sabemos que algumas pessoas foram condenadas à morte, mas o que pensaram antes de deitar a cabeça no cepo?

E a consciência de quem testemunhou e/ou conspirou contra elas, como ficou?

É precisamente nas respostas a estas perguntas que reside o encanto de ler os livros de Philippa Gregory. Ela humaniza as personagens recorrendo a uma investigação histórica bastante minuciosa.



“A Herança Bolena” é o seu penúltimo best-seller editado em Portugal pela Civilização Editora. Este romance conta a história de três das mulheres que passaram pelo leito de Henrique Tudor (Rei Henrique VIII de Inglaterra), e de Jane Bolena, uma serva que é chamada de volta à corte para gerir os aposentos da nova Rainha. Henrique VIII ficou conhecido na história como o Rei que casou seis vezes, porque se tornou uma pessoa obcecada pelo desejo de ter um filho varão. Era um homem caprichoso e muito ambicioso. Vivia na ânsia de gerar um herdeiro que o sucedesse no trono, mas para conseguir anular o seu primeiro casamento, precisava de obter o controlo total do seu País. Perseguiu os papistas para se tornar na “vontade de Deus na terra”. Assumiu o título de Chefe da Igreja, para se poder casar e descasar sem pedir o consentimento do Papa. Quando se tornou Chefe Supremo da Igreja, submeteu tudo e todos aos seus caprichos. Até os seus apoiantes viviam amedrontados e na incerteza. A sua desconfiança era constante e a crueldade do Rei parecia não ter limites. Durante o seu reinado muita gente foi injustamente condenada à morte, tal não era a loucura do Rei.

Com o poder total nas mãos, Henrique VIII (1491-1547) não olha a meios para conseguir o tão desejado filho varão. Além das muitas amantes que a história lhe atribui, casou com Catarina de Aragão, Ana de Bolena, Jane Seymor, Ana de Cléves, Catarina Howard e Catarina Parr.

Neste romance, a escritora concentra-se em Ana de Bolena, Ana de Cléves e Catarina Howard. Pelo meio e servindo como elo de ligação entre as esposas do Rei, o importantíssimo testemunho de uma mulher amargurada, Jane Bolena, que serviu muitos anos nos agitados aposentos da Rainha (a julgar pelo número de casamentos do Rei e não só). Esta serva movimenta-se na corte com sabedoria e experiência, privou com quase todas as Rainhas e chegou a ser cunhada do Rei. Esta é a mulher que conhece o preço d’A Herança Bolena.


Um romance histórico com tudo aquilo a que tem direito: conspiração, intriga e paixão!



Podem ler aqui no blog da Moonlight.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cão como nós


Não sou grande fã de Manuel Alegre, aliás para ser sincera detesto o "personagem", mas há um tempo atrás (já algo longo) acabei por não resistir à curiosidade e comprar este livro à frente de muitos outros que aguardavam pacientemente a sua vez na fila de espera. E este pequeno livro que se lê em cerca de uma hora, já foi lido por mim algumas vezes, deixando-me de cada uma delas de lágrimas nos olhos.

Fala de um cão especial para o autor, como os nossos cães o são para nós. E recorda-nos o vazio que ele nos vão deixando no coração quando nos separamos deles, seja porque motivo for. À medida que o autor vai contando alguns excertos da sua vida desde que o cão entrou nela e até que saiu, vai-nos mostrando em pensamento a falta que o seu cão lhe fez e o que ele sofre com a sua ausência, ao ponto de o ver e ouvir em todo o lado inclusive de falar para ele.

Ele, o chefe de familia, que acha que um cão é um cão, e não se lhe deve dar mais importância que isso mesmo. Mostra-nos a personalidade forte que os cães podem ter e a importância e influência que podem ter na familia. Um livro que devia ser lido por toda a gente que tenha ou não animais de estimação, porque talvez pudessem avaliar de outra forma porque é que nos dedicamos tanto a esses seres maravilhosos que nos dão tanto em troca de tão pouco. E especialmente por aquelas pessoas que compram os "puppies" para os meninos brincarem e que depois os abandonam quando crescem. Talvez conseguissem aprender alguma coisa com este livro e com este CÃO COMO NÓS.


Podem ler aqui no blog da Gio.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um problema muito enorme

Hoje o meu comentário literário é diferente!
Estive num encontro com o escritor Álvaro Magalhães, ouvi-o falar dos seus livros, do que o motivou para a escrita, da sua rotina de vida como escritor, do que ele pensa da literatura infantil, que é o que ele escreve, e gostei! De uma forma divertida, desassombrada, falou da generalidade da sua obra e gostei de o ouvir dizer, se não foi por estas palavras, foi esta a ideia que me ficou; que escrever para jovens é também escrever para adultos porque um livro infantil não é uma qualquer história simplória ou meia parva, contada de uma forma meia "lerda". ( estas palavras são minhas)
Um livro infantil tem que cativar o leitor e, digo eu, se queremos cativar para a leitura num mundo tão exigente como o de hoje, temos que ter realmente uma boa história e bem contada, para oferecer! Hoje, na minha modesta opinião, escreve-se a metro, tanto para adultos como para crianças. Não é este o caso!
É por isso que vos venho falar, de « Um problema muito enorme », último livro escrito por este autor e que faz parte de uma trilogia.


As personagens residentes: um ouriço que gosta de ouriçar ( estar deitado de barriga ao sol sem nada para fazer ), um coelho que tem medo que o mar engula a terra, uma toupeira que gosta de ler, um chapim que só sabe trabalhar e um caracol que gosta de viajar e vivem todos numa clareira, na Mata dos Medos.
Esta mata é verdadeira, faz parte de uma área protegida, e fica em Almada. As personagens são inventadas mas os seus problemas muito reais e, ao fim e ao cabo, muito parecidos aos dos humanos.
Com uma ternura por vezes hilariante e uma linguagem inventada pela necessidade das personagens transmitirem conceitos e sentimentos até ali desconhecidos, somos confrontados com problemas, sentimentos, medos e princípios filosóficos comuns a todos nós.
Lemos de um fôlego a história, sorrindo e angustiando-nos com as descobertas destes animais, porque revemos em cada um deles o que está subjacente em nós próprios. O crescimento, a educação, a sociedade fizeram-nos perder aquele conhecimento empírico, aquelas vivências e ensinaram-nos, se não a resolver os problemas, pelo menos a esconder o medo. Ao ler o livro encontramos tudo de novo, encontramo-nos a nós próprios!

«Era uma noite calma de Verão no largo Pinheiro Grande, algures na Mata dos Medos.O Chapim acordou sem sono, muito bem disposto. “É de manhã”, pensou. Espreguiçou-se, alisou as penas, depenicou algumas bagas e preparou-se para sair. Mas quando abriu a porta de casa não viu o Sol. Só havia silêncio e escuridão. “O que teria acontecido?”, pensou. Era de manhã e o Sol não tinha nascido.»

Não vos vou dizer qual é o problema muito enorme, para manter o suspense, mas não deixem de ler o livro e, se quiserem, comecem pelo «Conto da mata dos medos» (que nome tão giro!), porque é de rir ou «Criatura Medonha»! Lindos, lindos, lindos!

No início dos anos 80, Álvaro começou por publicar poesias e poemas. Em 1982, ele publicou o seu primeiro livro para crianças: Histórias com Muitas Letras. Em 2002, o seu livro "Hipopótimos - Uma história de amor", recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de literatura para crianças e jovens. Mais recentemente, Álvaro acrescentou às suas obras a série "Triângulo Jota" de narrativas de mistério e indagação, sendo considerado “o primeiro a conseguir reformular e enriquecer, com sucesso, os modelos conhecidos”. Considerado um dos mais importantes escritores da sua geração, pela originalidade e singular irreverência da sua obra, Álvaro Magalhães foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura, logo desde o início da sua carreira literária.
Tirado de Wikipédia

Podem ler aqui no blog da Noémia.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Império à deriva


... foi o livro que li nestes dias de alguma preguiça.
Gostei imenso deste livro (aliás, eu cheguei a uma idade em que não me posso dar ao luxo de desperdiçar tempo a ler o que não gosto, por isso, se li é porque é mesmo bom - pelo menos para mim, que os gostos não se discutem!)

Não vou contar a história (leiam!), só digo que o assunto são os 13 anos de vida da corte portuguesa no Brasil.Quando Portugal estava a ser invadido pelos soldados de Napoleão, o rei D. João VI, a mulher, Carlota Joaquina, a filharada toda e mais uns milhares de fidalgos, fizeram a viagem turística por que hoje todos os portugueses anseiam (eu incluída!): foram para o Rio de Janeiro.
Só que, naquele tempo ainda não havia novelas, nem samba, nem Carnaval, nem Jô Soares, Tom Jobim ou Vinicius de Morais, por isso a vida lá era uma grande chatice!

Quer dizer, lá para o meio da estada D. João VI já queria lá ficar, estava a gostar daquilo. Lá não havia as chatices que massacravam a Europa.
Já a D. Carlota não era da mesma opinião, detestava o Brasil!não devia haver fidalgos que chegassem para ela, digo eu...)

Sobre o autor, Patrick Wilcken:
é australiano, cresceu em Sidney, estudou antropologia e fez um mestrado no Institute of Latin American Studies, em Londres. Trabalhou para a Amnistia Internacional, no departamento da África Portuguesa, e foi editor de livros do The Daily Telegraph. Escreveu, recentemente, para o The Times Literary Supplement, para o The Guardian e para o Index on Censorship sobre assuntos relacionados com o Brasil.
Foi durante as longas temporadas que passou nesse país que encontrou a inspiração para escrever Império à Deriva.

Agora o incrível:

Este livro é da Editora Civilização, e não posso passar sem deixar um grande reparo: inacreditavelmente, o livro está cheio de erros ortográficos e de gralhas.
Não são 2 ou 3, nem meia dúzia, nem sequer uma dúzia! São dezenas ou até centenas!
Se contar com as palavras que deviam estar escritas com letra minúscula e estão com letra maiúscula, serão centenas de erros!
Antigamente havia revisores para reverem os livros antes de saírem para as livrarias. Será que essa profissão acabou?
É que não se compreende que um livro apareça nas livrarias neste estado!Se ainda houvesse palmatoadas (uma por cada erro!), estes senhores ficavam sem mãos!


Podem ler aqui no blog da Saltapocinhas.