sábado, 13 de junho de 2009

A solidão dos números primos

Ontem aconteceu-me uma coisa que há já muito tempo não sucedia!
Pegar num livro e lê-lo de uma assentada, sem interrupção até à última página.
Fiquei tão contente! Já me julgava incapaz de uma proeza do género e andava a matutar se não seria por agora precisar dos óculos para ler e ter de andar sempre com eles de um lado para o outro, que isso acontecia.
Afinal, depois de ler este, cheguei mesmo à conclusão que eram os argumentos incipientes e pueris que não me despertavam a curiosidade, aliados à maneira inadequada de tratar os temas.
Pronto, pronto,está bem, a Net e a falta de tempo também têm alguma culpa, eu concedo.

O livro em questão chama-se « A Solidão dos Números Primos» de Paolo Giordano, da Bertrand.

É a história de duas personagens que vivem dois incidentes infelizes e perturbadores que lhes modificam por completo a vida. O relacionamento com os pais é fundamental na gestão emocional do problema vivenciado e na afectividade. O seu crescimento e relacionamento consigo e com os outros acaba por ser condicionado por isto.
Acabam por se cruzar e o leitor acompanha o seu crescimento, a adolescência, a juventude, os amores e desamores, o traumas e infelicidades que, são incapazes de superar pelo peso esmagador das suas más experiências.

Não é uma história feliz. É uma história crua e fatalista, como tantas na vida real, contada magistralmente.Bom conhecedor da psicologia humana o autor prende-nos e enreda-nos na expectativa do que pode acontecer. Entre a inércia absurda e enervante das personagens e a nossa vontade que as coisas se alterem e acabem por se comporem, somos levados até ao final da história, meio desconcertante mas plausível, que nos deixa a pensar nas relações humanas e na importância de educarmos as nossas crianças para o sucesso duma coisa a que damos pouca importância - A inteligência emocional.

Podem ler aqui no blog da Noémia.

sábado, 30 de maio de 2009

O Canto e as Armas

Manuel Alegre é um dos grandes poetas Portugueses. O pequeno livro "o Canto e as Armas", na verdade é um livro enorme. É para mim fantástico ouvir estes poemas pela voz de Alegre com a guitarra de Paredes em fundo ou pela voz e musica de Adriano.


RAIZ

Canto a raiz do espaço na raiz
do tempo. E os passos por andar nos passos
caminhados. Começa o canto onde começo
caminho onde caminhas passo a passo.
E braço a braço meço o espaço dos teus braços:
Oitenta e nove mil quilómetros quadrados.
E um país por achar neste país.

PEREGRINAÇÃO

Depois o bosque se fez barco. E ramo a ramo
Foi leme e quilha.
Era um povo a perder-se por seu amo
Que perdia o seu povo de ilha em ilha.

Eras tu que morrias na morte das lavras
Eras tu que ficavas cada vez mais nu.
E a cada terra onde chegavas eras tu
Que morrias na terra que deixavas.

Porque nenhum Brasil foi teu. Nenhuma
Ilha a tua. Em cada barco terra a terra
Perdeste a pátria por achar. E guerra a guerra
Por tuas armas te perdeste. E o mais foi espuma.

E o teu sangue corria por dentro das lavras.
Construías muralhas e ficavas
Pedra a pedra cercado. E desarmado
Eras tu que morrias nas batalhas
Enredado nas armas que tecias:
Malhas onde sem glória te perdias.

E as fogueiras ardiam. Inventavas fantasmas.
E era o teu corpo o corpo que queimavas.
Eras tu que cantavas dentro das palavras
Tecendo desarmado o canto e as armas.

E ALEGRE SE FEZ TRISTE

Aquela clara madrugada que
Viu lágrimas correrem do teu rosto
E alegre se fez triste como se
chovesse de repente em pleno Agosto.

Ela só viu meus dedos nos teus dedos
Meu nome no teu nome. E demorados
Viu nossos olhos juntos nos segredos
Que em silencio dissemos separados.

A clara madrugada em que parti
Só ela viu teu rosto olhando a estrada
Por onde um automóvel se afastava.

E viu que a pátria estava toda em ti.
E ouviu dizer-me adeus: essa palavra
Que fez tão triste a clara madrugada.





Podem ler aqui no blog do Cupido.

terça-feira, 26 de maio de 2009

1808

Quando viajo gosto sempre de levar uns livrinhos para lêr, para esta viagem tinha levado um de Jorge Amado, que acabei por não lêr, porque por recomendação de um amigo comprei em S.Paulo na maravilhosa livraria Cultura o Livro 1808, mais um sobre o brasil e mais o que a amiga Neyma me ofereceu ia pagando excesso de bagagem, aliás só não pagamos, porque retiramos coisas da mala em pleno aeroporto para trazer em sacos plásticos :-)

Deste livro 1808, nunca tinha ouvido falar e se tivesse provavelmente fora do contexto nunca o teria comprado, porque história foi uma matéria que nunca gostei muito.

No contexto da nossa viagem achei interessante e muito adequado, gostei de o lêr nos locais onde parte da história se passou, fez-me apreciar de maneira diferente o livro e mesmo alguns passeios, Petrópolis e o passeio de barco pela Baía de Guanabara, sabendo que foi aí que a corte do D. João VI desembarcou.




Nunca algo semelhante tinha acontecido na História de Portugal ou de qualquer outro país europeu. Em tempo de guerra, reis e rainhas tinham sido destronados ou obrigados a refugiar-se em territórios alheios, mas nenhum deles tinha ido tão longe, a ponto de cruzar um oceano para viver e reinar do outro lado do mundo. Embora os europeus dominassem colónias imensas em diversos continentes, até àquele momento nenhum rei tinha posto os pés nos seus territórios ultramarinos para uma simples visita - muito menos para ali morar e governar. Era, portanto, um acontecimento sem precedentes tanto para os portugueses, que se achavam na condição de órfãos da sua monarquia da noite para o dia, como para os brasileiros, habituados até então a serem tratados como uma simples colónia de Portugal. D. João VI foi o único soberano europeu a visitar terras americanas em mais de quatro séculos e foi quem transformou uma colónia num país independente. No entanto, o seu reinado no Brasil padece de um relativo esquecimento que, quando lembrado, é tratado de forma caricata. Mas o Brasil de D. João VI não se resume a episódios engraçados. A fuga da família real para o Rio de Janeiro ocorreu num dos momentos mais apaixonantes e revolucionários do Brasil, de Portugal e do mundo. Guerras napoleónicas, revoluções republicanas e escravidão formaram o cenário no qual se deu a mudança da corte portuguesa e a sua instalação no Brasil. O propósito deste livro, resultado de dez anos de investigação jornalística, é resgatar e contar de forma acessível a história da corte portuguesa no Brasil e tentar devolver os seus protagonistas à dimensão mais correcta possível dos papéis que desempenharam há duzentos anos. Como se verá, estes personagens podem ser, inacreditavelmente caricatos, mas isso é algo que se poderia dizer de todos os governantes que os seguiram, incluindo alguns actuais.
Laurentino Gomes
Podem ler aqui no blog da Alcina.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Polícia à Portuguesa

Num momento em que a questão da insegurança está na ordem do dia, este livro traça um retrato "cru", actual e realista da PSP. Uma realidade que não passa despercebida à própria Corporação, às forças políticas e à sociedade civil em geral.
Fala de uma polícia mal preparada, desmotivada e sem condições de trabalho. Homens e mulheres que chegam a passar fome, que têm uma vida familiar destruturada, problemas de saúde, sujeitos a regras que nem sempre compreendem, alvos fáceis de processos disciplinares e/ou criminais.
Polícias que têm ordem de não disparar nas perseguições a criminosos. Que tentam fazer o seu trabalho com armas velhas, balas contadas, coletes muito pouco à prova de bala. Que conduzem carros que não passariam numa vulgar inspecção e cujos motores muitas vezes "rebentam" em plena "caça" ao ladrão! Que não acertam num alvo a não ser por acaso...
E como se não bastasse, fala de polícias que ainda se queixam de perseguições internas, de favoritismos, de partidarização da Corporação e da influência militar.
Este é um documento fundamental que apela à reflexão nacional, especialmente quando o que decorre da sua leitura é que, na verdade, a nossa segurança está mesmo em risco.

Informação sobre os autores:
Fernando Contumélias nasceu em Lisboa há 40 anos. Iniciou o seu percurso profissional muito cedo, na rádio e na imprensa, áreas que trocou, em 1990, pelas agências de comunicação e publiciadade. Actualmente está ligado ao sector social e é conselheiro de uma instituição da sector financeiro.

Mário Contumélias nasceu em Setúbal já lá vão umas décadas. É etno-sociólogo, especializado em comunicação. Dá aulas no Instituto Superior de Psicologia Aplicada (ISPA). Como autor tem já 22 livros publicados, 11 para o público infanto-juvenil, 6 de poesia, incluindo uma antalogia pessoal, 1 de entrevistas, 1 brochura evocativa do 25 de Abril e 3 romances.


Podem ler aqui no blog da Risonha.

terça-feira, 19 de maio de 2009

A menina que roubava livros


É de certeza, um dos melhores, se não o melhor, livro que já li!
Na minha opinião é um livro bastante interessante... bom para quem gosta de uma boa leitura...
Emocionante desde o princípio ao fim, na minha humilde opinião.
É dos tais livros amado por muitos e odiado por tantos!

Cá ficam alguns excertos deste Maravilhoso livro:
“Pode alguém roubar a felicidade? Ou será que ela é apenas mais um infernal truque interno dos humanos?”
“Toda a minha vida tive medo de homens velando sobre mim.
Suponho que o primeiro homem a velar sobre mim foi o meu pai
Mas ele sumiu antes que eu pudesse recordá-lo”.

“Muitos anos depois precisei me esconder .
Procurei não dormir porque tinha medo de quem estaria lá quando acordasse.
Mas tive sorte. Era sempre meu amigo.”

O caminho percorrido por Liesel Meminger é contado por uma narradora mórbida, surpreendentemente simpática. Ao perceber que a pequena ladra de livros lhe escapa, a Morte afeiçoa-se à menina e rastreia suas pegadas de 1939 a 1943. Traços de uma sobrevivente: a mãe comunista, perseguida pelo nazismo, envia Liesel e o irmão para o subúrbio pobre de uma cidade alemã, onde um casal se dispõe a adoptá-los por dinheiro. O garoto morre no trajecto e é enterrado por um coveiro que deixa cair um livro na neve. É o primeiro de uma série que a menina vai surrupiar ao longo dos anos. O único vínculo com a família é esta obra, que ela ainda não sabe ler.
Assombrada por pesadelos, ela compensa o medo e a solidão das noites com a conivência do pai adoptivo, um pintor de parede bonachão que lhe dá lições de leitura. Alfabetizada sob vistas grossas da madrasta, Liesel canaliza urgências para a literatura. Em tempos de livros incendiados, ela os furta, ou os lê na biblioteca do prefeito da cidade.
A vida ao redor é a pseudo-realidade criada em torno do culto a Hitler na Segunda Guerra. Ela assiste à eufórica celebração do aniversário do Führer pela vizinhança. Teme a dona da loja da esquina, colaboradora do Terceiro Reich. Faz amizade com um garoto obrigado a integrar a Juventude Hitlerista. E ajuda o pai a esconder no porão um judeu que escreve livros artesanais para contar a sua parte naquela História. A Morte, perplexa diante da violência humana, dá um tom leve e divertido à narrativa deste duro confronto entre a infância perdida e a crueldade do mundo adulto, um sucesso absoluto - e raro - de crítica e público.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

domingo, 17 de maio de 2009

Os 36 homens justos



É daqueles livros que me recomendaram vivamente.
Para quem gostou do Código Da Vinci, como é o meu caso, recheado de teorias da conspiração é um livro que nos prende do início ao fim. À primeira vista não me achei nada parecido com o Código Da Vinci, mas depois por outro lado concordo em parte com esta opinião. Este livro tem o mesmo ritmo alucinante e deixa-nos presos, embora seja empolgante e interessante mas, igual ou parecido, nem pensar! Talvez o Sam Bourne estivesse nesta altura a dar os primeiros passos nestes assuntos sobre a religião (Cabala), neste caso em particular.
No entanto gostei e muito deste livro, prende a atenção e nunca desconfiamos de nada até quase ao final.
Sem dúvida nenhuma umas boas horas de leitura.
Para ler de uma assentada.

CUMPRE-SE FINALMENTE A PROFECIA DA CABALA. O FIM DO MUNDO ESTÁ A CHEGAR…
O tempo está a esgotar-se – falta um cadáver mais ou um dia menos para o fim do mundo. A antiga profecia está prestes a cumprir-se e um só homem o pode evitar… Uma complexa conspiração de fundo religioso, num thriller que arrasta o leitor para as mais secretas profundidades do misticismo e para as profecias da Cabala. Visionário e inquietante, este romance de ritmo trepidante convoca a morte, a mística e a Bíblia.

No centro da história está Will, um jovem jornalista em ascensão que no meio da sua tentativa de se impor no mundo difícil do jornalismo nova-iorquino se depara com uma tragédia pessoal: a sua mulher é raptada. A isto juntam-se os misteriosos assassinatos de homens à volta do mundo que praticaram actos de bondade fora do comum.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Baía dos Anjos


Um romance sincero sobre o feminismo, o casamento e o relacionamento entre mãe e filha.
Zoe Cunningham é uma jovem inteligente, independente, mas que encara a vida com demasiado romantismo. O 2º casamento de sua mãe com Simon, um homem meigo, generoso e proprietário de uma villa em Nice, possibilitou-lhe a concretização de um sonho: uma vida independente, despreocupada, livre, desafogada... em suma, uma vida feliz. Só que Simon morre tragicamente e com ele o ideal de vida destas duas mulheres. Sozinha, longe de casa, rodeada de estranhos, enfrentando problemas jamais imaginados e caminhos nunca percorridos, Zoe vai ter de assumir responsabilidades até então não sonhadas. Afinal, a vida não é o conto de fadas que sempre idealizou!...

Excerto:
"As mulheres hão-de incentivar sempre o casamento umas às outras, sobretudo se surge, ou parece surgir, uma maravilhosa vida nova no horizonte. O nosso erro foi não temos olhado para os dentes do cavalo. Mas quem é que olha?"

"Tal como Virginia Woolf, o seu objectivo não é a definição global das personagens, mas sim a revelação mais funda da psicologia individual." (The Times)

"Uma das raras romancistas britânicas desta geração com um talento verdadeiramente genial"
(Evening Standard)

"A Baía dos Anjos revela uma Anita Brookner em toda a sua sabedoria, eloquência e poder."
(The Spectator)

Anita Brookner nasceu em Londres e licenciou-se em História da Arte, tendo-se especializado na pintura dos séculos XVIII e XIX.
Foi a primeira mulher distinguida com o cargo de slade professor na Universidade de Cambridge. Crítica de arte conceituada, é autora de vários trabalhos publicados sobre o tema.
A partir dos anos 80 enveredou pela literatura tendo rapidamente sido considerada uma das maiores escritoras contemporâneas do Reino Unido. O seu romance "Hotel du Lac" foi galardoado, em 1984, com um dos mais prestigiantes prémios literários, o Booker Prize. Comparada frequentemente a Jane Austen ou Virginia Woolf, as personagens dos seus romances são quase exclusivamente femininas: são, em geral, mulheres que, após terem recebido uma educação tradicional, se vêem confrontadas com um mundo em perfeita mudança que lhes atribui um papel para o qual, nem sempre estão psicologicamente preparadas para assumir.
"A Baía dos Anjos" é a sua vigésima obra. Da sua bibliografia merece referência "Hotel du Lac", "Providence", "Fraude e Visitas", este último editado em Portugal pela Notícias.


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segunda-feira, 4 de maio de 2009

Memórias de Adriano


Marguerite Yourcenar, para além de ter sido uma escritora foi, também, uma mulher muitissímo polémica que teve um papel activo no pensamento e na sociedade ao longo de uma grande parte do século XX.

A obra de Marguerite Yourcenar é extensa, nem sempre é muito bem compreendida e por vezes, tem de ser “bem digerida e mastigada”, mas é fácil e ao mesmo tempo é generosa, fala de tudo o que há mais de mil anos fazia sentido, e daqui muitos anos acho que vai continuar a fazer todo o sentido.

É um livro que parece ser "difícil": a escrita faz-se na primeira pessoa, com o Imperador Adriano, ele próprio, vagueando pelas suas memórias. Mas logo que se faça a adaptação ao estilo da autora, sem pré-aviso, começa-se a ficar envolvido na teia e, subitamente, quase magicamente, já estamos a sentir e a viver os tempos de Adriano. As suas viagens à volta do Império, os seus sentimentos para com os seus amigos e inimigos, as intrigas palacianas na sua corte, os seus pensamentos políticos e filosóficos sobre Roma e os Romanos, sobre os povos da Ásia Menor e do Egipto, sobre os bárbaros do Norte, as suas campanhas militares, tudo parece estar a acontecer e fazer parte da própria vida do leitor. É considerada uma peça de escrita fabulosa e única!
É nem mais nem menos que o drama da paixão de Adriano pelo jovem Antinoo está lá toda, maravilhosa, apaixonada, dolorosa, pungente, emocionante...

Fala de tudo o que há mais de mil anos fazia sentido, e que de aqui a tantos mil, continuará a fazer.

Cá fica um excerto:

"Como toda gente, só disponho de três meios para avaliar a existência humana: o estudo de nós próprios, o mais difícil e o mais perigoso, mas também o mais fecundo dos métodos; a observação dos homens, que na maior parte dos casos fazem tudo para nos esconder os seus segredos ou de nos convencer que os têm; os livros, com os erros particulares de perspectiva que nascem entre as suas linhas.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sábado, 2 de maio de 2009

Um brilho no escuro



Um livro de contos que retratam a vida de pessoas como nós, separadas por diferentes tempos, culturas e locais (como França, Singapura e Nova Iorque).
As 14 histórias deste livro abordam temas com os quais o leitor facilmente se identifica, como a procura do amor, da felicidade e da aceitação. Num estilo literário cheio de empatia e elegância, a autora fala-nos, entre outras personagens cativantes, de Eslaini, uma jovem impetuosa e inteligente que vê o seu futuro posto em causa quando o pai a condena a uma vida de solteirona; de Joyce, casada há trinta anos e a viver na Malásia, e do impacto na sua vida causado pela chegada de um desconhecido; de Jade Moon, uma coreana que vive rodeada de americanos que rejeitam as suas tradições.
The Secrets of a Fire King foi finalista do Pen/Hemingway Award de 1998.

Kim Edwards licenciou-se na University of Iowa. Viveu na Ásia e deu aulas na Malásia, Tóquio, Phnom Penh e Cambodja. Foi-lhe atribuído o Nelson Algren Award e o Whiting Writer’s Award. Os seus contos ganharam diversos prémios, de entre eles o National Magazine Award for Excellence in Fiction. É actualmente professora na Washington University e na University of Kentucky.

Excerto do conto Um Brilho no Escuro:
“ Empurrei a porta para a abrir e espreitei lá para dentro.
O que posso dizer daquilo que vi? Todos os frascos em cima da mesa brilhavam ligeiramente, como se cada um contivesse uma pequena estrela que tivesse caído, como se raios de luar tivessem sido recolhidos em cada um deles. A simples lama em que ela trabalhava há tanto tempo tinha-se transformado num elemento de magia. Caí de joelhos como se para rezar, mas não consegui apartar os olhos da luz presa no interior daqueles frascos. Era tão bela, tão sublime. Desejava levar um para casa, guardá-lo no armário, para saber que podia abrir a porta, em qualquer altura, e ver aquela luminescência. Imaginava os rostos dos meus filhos, o deslumbramento que lhes provocaria aquela visão. Esse foi o meu primeiro pensamento ambicioso. Queria aquela beleza rara para mim”.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A cidade dos deuses selvagens


A escritora chilena Isabel Allende reside actualmente nos Estados Unidos da América.
Desde "A Casa dos Espíritos" em 1982, que fui desperta para a sua escrita e fiquei fã.
Sempre achei muito interessante a forma como Allende compõe os personagens.
Já os li todos desde "Paula", "A cidade dos deuses selvagens" (já o li nas duas versões: portuguesa e inglesa), "Filha da Fortuna" e todos os restantes que ela já escreveu e publicou.
Os livros desta escritora, na minha humilde opinião, fazem sempre, a quem os lê, crescer um bocadinho como ser humano.

«Ao adoecer a sua mãe, o jovem Alexander Cold parte com a extravagante avó Kate, numa expedição da Internacional Geographic à selva amazónica, em busca de um estranho animal que muito pouca gente viu e que os indígenas chamam "a besta".Outros membros da expedição, dirigida por um petulante antropólogo, são dois fotógrafos norte-americanos, uma bela médica, um guia brasileiro e a sua surpreendente filha Nadia, com quem Alexandre trava uma amizade especial. Entre as missões da expedição está também a de vacinar os escorregadios índios, conhecidos como "o povo do nevoeiro"».

A cidade dos deuses selvagens é uma viagem repleta de perigos, mistérios e espectaculares surpresas, onde o real e o sonho se fundem e transformam-se num só.
Alertando ainda para a desflorestação da Amazónia e para o drama terrível da extinção das tribos índias da região do Amazonas, como consequência directa da exploração desenfreada e irresponsável praticada pelos brancos, a autora pretende ainda sensibilizar os leitores a oporem-se a estes problemas.
Recomendo vivamente este livro para pequenos e grandes.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Herança Bolena

O fio condutor deste e de outros romances de Philippa Gregory é a história real de Inglaterra, pelo que muitos leitores já sabem de antemão o destino das personagens. Então, é legítimo que nos interroguemos acerca do seu sucesso, não é? Qual será o segredo da autora? Os seus livros são best-sellers, mas, porquê?

A Publishers Weekly respondeu a esta questão assim:
“Rica em intriga e ironia, esta é uma história em que o leitor já sabe quem se divorciou, quem foi decapitado e quem sobreviveu, mas apreciará a inteligente adaptação de Gregory do como e porquê.”

E é mesmo verdade, apesar de já conhecer o destino de todas a esposas do Rei Henrique VIII de Inglaterra, não resisto à leitura de mais um livro da Philippa Gregory.
É certo e sabido que quando se estuda a história de um país, normalmente, faz-se uma resenha dos acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Não dá para ser mais aprofundado, porque os acontecimentos são muitos e a distância temporal é cada vez mais longa, pelo que alguns pormenores menos importantes perdem-se pelo caminho, e é precisamente aqui que esta escritora ganha pontos. Ela foca um determinado período da história, normalmente curto, e dá alma e coração às personagens.
Por exemplo, sabemos que algumas pessoas foram condenadas à morte, mas o que pensaram antes de deitar a cabeça no cepo?

E a consciência de quem testemunhou e/ou conspirou contra elas, como ficou?

É precisamente nas respostas a estas perguntas que reside o encanto de ler os livros de Philippa Gregory. Ela humaniza as personagens recorrendo a uma investigação histórica bastante minuciosa.



“A Herança Bolena” é o seu penúltimo best-seller editado em Portugal pela Civilização Editora. Este romance conta a história de três das mulheres que passaram pelo leito de Henrique Tudor (Rei Henrique VIII de Inglaterra), e de Jane Bolena, uma serva que é chamada de volta à corte para gerir os aposentos da nova Rainha. Henrique VIII ficou conhecido na história como o Rei que casou seis vezes, porque se tornou uma pessoa obcecada pelo desejo de ter um filho varão. Era um homem caprichoso e muito ambicioso. Vivia na ânsia de gerar um herdeiro que o sucedesse no trono, mas para conseguir anular o seu primeiro casamento, precisava de obter o controlo total do seu País. Perseguiu os papistas para se tornar na “vontade de Deus na terra”. Assumiu o título de Chefe da Igreja, para se poder casar e descasar sem pedir o consentimento do Papa. Quando se tornou Chefe Supremo da Igreja, submeteu tudo e todos aos seus caprichos. Até os seus apoiantes viviam amedrontados e na incerteza. A sua desconfiança era constante e a crueldade do Rei parecia não ter limites. Durante o seu reinado muita gente foi injustamente condenada à morte, tal não era a loucura do Rei.

Com o poder total nas mãos, Henrique VIII (1491-1547) não olha a meios para conseguir o tão desejado filho varão. Além das muitas amantes que a história lhe atribui, casou com Catarina de Aragão, Ana de Bolena, Jane Seymor, Ana de Cléves, Catarina Howard e Catarina Parr.

Neste romance, a escritora concentra-se em Ana de Bolena, Ana de Cléves e Catarina Howard. Pelo meio e servindo como elo de ligação entre as esposas do Rei, o importantíssimo testemunho de uma mulher amargurada, Jane Bolena, que serviu muitos anos nos agitados aposentos da Rainha (a julgar pelo número de casamentos do Rei e não só). Esta serva movimenta-se na corte com sabedoria e experiência, privou com quase todas as Rainhas e chegou a ser cunhada do Rei. Esta é a mulher que conhece o preço d’A Herança Bolena.


Um romance histórico com tudo aquilo a que tem direito: conspiração, intriga e paixão!



Podem ler aqui no blog da Moonlight.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cão como nós


Não sou grande fã de Manuel Alegre, aliás para ser sincera detesto o "personagem", mas há um tempo atrás (já algo longo) acabei por não resistir à curiosidade e comprar este livro à frente de muitos outros que aguardavam pacientemente a sua vez na fila de espera. E este pequeno livro que se lê em cerca de uma hora, já foi lido por mim algumas vezes, deixando-me de cada uma delas de lágrimas nos olhos.

Fala de um cão especial para o autor, como os nossos cães o são para nós. E recorda-nos o vazio que ele nos vão deixando no coração quando nos separamos deles, seja porque motivo for. À medida que o autor vai contando alguns excertos da sua vida desde que o cão entrou nela e até que saiu, vai-nos mostrando em pensamento a falta que o seu cão lhe fez e o que ele sofre com a sua ausência, ao ponto de o ver e ouvir em todo o lado inclusive de falar para ele.

Ele, o chefe de familia, que acha que um cão é um cão, e não se lhe deve dar mais importância que isso mesmo. Mostra-nos a personalidade forte que os cães podem ter e a importância e influência que podem ter na familia. Um livro que devia ser lido por toda a gente que tenha ou não animais de estimação, porque talvez pudessem avaliar de outra forma porque é que nos dedicamos tanto a esses seres maravilhosos que nos dão tanto em troca de tão pouco. E especialmente por aquelas pessoas que compram os "puppies" para os meninos brincarem e que depois os abandonam quando crescem. Talvez conseguissem aprender alguma coisa com este livro e com este CÃO COMO NÓS.


Podem ler aqui no blog da Gio.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um problema muito enorme

Hoje o meu comentário literário é diferente!
Estive num encontro com o escritor Álvaro Magalhães, ouvi-o falar dos seus livros, do que o motivou para a escrita, da sua rotina de vida como escritor, do que ele pensa da literatura infantil, que é o que ele escreve, e gostei! De uma forma divertida, desassombrada, falou da generalidade da sua obra e gostei de o ouvir dizer, se não foi por estas palavras, foi esta a ideia que me ficou; que escrever para jovens é também escrever para adultos porque um livro infantil não é uma qualquer história simplória ou meia parva, contada de uma forma meia "lerda". ( estas palavras são minhas)
Um livro infantil tem que cativar o leitor e, digo eu, se queremos cativar para a leitura num mundo tão exigente como o de hoje, temos que ter realmente uma boa história e bem contada, para oferecer! Hoje, na minha modesta opinião, escreve-se a metro, tanto para adultos como para crianças. Não é este o caso!
É por isso que vos venho falar, de « Um problema muito enorme », último livro escrito por este autor e que faz parte de uma trilogia.


As personagens residentes: um ouriço que gosta de ouriçar ( estar deitado de barriga ao sol sem nada para fazer ), um coelho que tem medo que o mar engula a terra, uma toupeira que gosta de ler, um chapim que só sabe trabalhar e um caracol que gosta de viajar e vivem todos numa clareira, na Mata dos Medos.
Esta mata é verdadeira, faz parte de uma área protegida, e fica em Almada. As personagens são inventadas mas os seus problemas muito reais e, ao fim e ao cabo, muito parecidos aos dos humanos.
Com uma ternura por vezes hilariante e uma linguagem inventada pela necessidade das personagens transmitirem conceitos e sentimentos até ali desconhecidos, somos confrontados com problemas, sentimentos, medos e princípios filosóficos comuns a todos nós.
Lemos de um fôlego a história, sorrindo e angustiando-nos com as descobertas destes animais, porque revemos em cada um deles o que está subjacente em nós próprios. O crescimento, a educação, a sociedade fizeram-nos perder aquele conhecimento empírico, aquelas vivências e ensinaram-nos, se não a resolver os problemas, pelo menos a esconder o medo. Ao ler o livro encontramos tudo de novo, encontramo-nos a nós próprios!

«Era uma noite calma de Verão no largo Pinheiro Grande, algures na Mata dos Medos.O Chapim acordou sem sono, muito bem disposto. “É de manhã”, pensou. Espreguiçou-se, alisou as penas, depenicou algumas bagas e preparou-se para sair. Mas quando abriu a porta de casa não viu o Sol. Só havia silêncio e escuridão. “O que teria acontecido?”, pensou. Era de manhã e o Sol não tinha nascido.»

Não vos vou dizer qual é o problema muito enorme, para manter o suspense, mas não deixem de ler o livro e, se quiserem, comecem pelo «Conto da mata dos medos» (que nome tão giro!), porque é de rir ou «Criatura Medonha»! Lindos, lindos, lindos!

No início dos anos 80, Álvaro começou por publicar poesias e poemas. Em 1982, ele publicou o seu primeiro livro para crianças: Histórias com Muitas Letras. Em 2002, o seu livro "Hipopótimos - Uma história de amor", recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de literatura para crianças e jovens. Mais recentemente, Álvaro acrescentou às suas obras a série "Triângulo Jota" de narrativas de mistério e indagação, sendo considerado “o primeiro a conseguir reformular e enriquecer, com sucesso, os modelos conhecidos”. Considerado um dos mais importantes escritores da sua geração, pela originalidade e singular irreverência da sua obra, Álvaro Magalhães foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura, logo desde o início da sua carreira literária.
Tirado de Wikipédia

Podem ler aqui no blog da Noémia.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Império à deriva


... foi o livro que li nestes dias de alguma preguiça.
Gostei imenso deste livro (aliás, eu cheguei a uma idade em que não me posso dar ao luxo de desperdiçar tempo a ler o que não gosto, por isso, se li é porque é mesmo bom - pelo menos para mim, que os gostos não se discutem!)

Não vou contar a história (leiam!), só digo que o assunto são os 13 anos de vida da corte portuguesa no Brasil.Quando Portugal estava a ser invadido pelos soldados de Napoleão, o rei D. João VI, a mulher, Carlota Joaquina, a filharada toda e mais uns milhares de fidalgos, fizeram a viagem turística por que hoje todos os portugueses anseiam (eu incluída!): foram para o Rio de Janeiro.
Só que, naquele tempo ainda não havia novelas, nem samba, nem Carnaval, nem Jô Soares, Tom Jobim ou Vinicius de Morais, por isso a vida lá era uma grande chatice!

Quer dizer, lá para o meio da estada D. João VI já queria lá ficar, estava a gostar daquilo. Lá não havia as chatices que massacravam a Europa.
Já a D. Carlota não era da mesma opinião, detestava o Brasil!não devia haver fidalgos que chegassem para ela, digo eu...)

Sobre o autor, Patrick Wilcken:
é australiano, cresceu em Sidney, estudou antropologia e fez um mestrado no Institute of Latin American Studies, em Londres. Trabalhou para a Amnistia Internacional, no departamento da África Portuguesa, e foi editor de livros do The Daily Telegraph. Escreveu, recentemente, para o The Times Literary Supplement, para o The Guardian e para o Index on Censorship sobre assuntos relacionados com o Brasil.
Foi durante as longas temporadas que passou nesse país que encontrou a inspiração para escrever Império à Deriva.

Agora o incrível:

Este livro é da Editora Civilização, e não posso passar sem deixar um grande reparo: inacreditavelmente, o livro está cheio de erros ortográficos e de gralhas.
Não são 2 ou 3, nem meia dúzia, nem sequer uma dúzia! São dezenas ou até centenas!
Se contar com as palavras que deviam estar escritas com letra minúscula e estão com letra maiúscula, serão centenas de erros!
Antigamente havia revisores para reverem os livros antes de saírem para as livrarias. Será que essa profissão acabou?
É que não se compreende que um livro apareça nas livrarias neste estado!Se ainda houvesse palmatoadas (uma por cada erro!), estes senhores ficavam sem mãos!


Podem ler aqui no blog da Saltapocinhas.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Viagem sem regresso


* Viagem Sem Regresso de Katty Gardner
Duas amigas visitam a Índia e só uma regressa...
Um livro que cheira mesmo a Sândalo indiano no verso da capa e contracapa e tem imagem de um pássaro que como tatuagem fica o máximo.
Gostei muito de o ler e reler.

Um livro trepidante, mas sobretudo introspectivo.
Uma terapia para varrer o lixo do sótão e arquivar a informação nos ficheiros correctos e por vezes secretos da nossa mente…
Um livro pertinente, construtivo, muito simples, de leitura muito fácil e objectiva.

Cada vez que releio este livro faz-me lembrar a viagem que fiz á Índia, os cheiros, sabores, etc...

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O mundo de Sofia


É uma Odisseia pela Filosofia e não só, é mesmo uma viagem pelo Mundo interior e exterior. Já o tinha lido há uma série de anos em 2 versões, noutras 2 línguas diferentes.
Agora foi a vez do Português.
É um livro que me acompanha há muito e devo confessar que foi a principal razão pela qual fui viver para Atenas.
É daquele tipo de livros que nos acompanha pela vida fora.
Todos deveriam ler este livro.

Cá fica uma passagem:
"A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornar bons filósofos ... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."

Cá fica o resumo:
O Mundo de Sofia, editado pela primeira vez em 1991 (Sofias Verden – Titulo Orginal), é um dos livros que continua a encantar todo o tipo de leitores. Mesmo depois de todo o êxito inicial e de se ter tornado quase de imediato um best-seller, continua a ser lido, hoje em dia, por milhares de pessoas, em particular por jovens. O autor, Jostein Gaarder, professor de filosofia do secundário, conseguiu de uma forma original desenvolver uma aventura cheia de reflexões e perguntas através da história da filosofia desde o princípio dos tempos.
O objectivo principal deste livro não é, segundo o nosso ponto de vista, relatar ao leitor a evolução da filosofia ao longo do tempo, mas sim fazer com que este não seja tão indiferente àquilo que o rodeia. Isto é conseguido através das respostas dos grandes filósofos às questões que sempre afligiram o mundo.
A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...) E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá?... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente.
Quem és tu?, De onde vem o mundo?, Haverá uma vontade e um sentido por detrás daquilo que acontece?, estas são algumas das perguntas colocadas a Sofia durante aquilo que irá ser um verdadeiro curso de filosofia. Este curso foi oferecido a Sofia por uma pessoa que ela não conhecia mas que acabou por se tornar rapidamente num grande amigo. Através dele, Sofia viaja até 600 a.c., onde encontra os primeiros filósofos, e a partir daí segue o rumo da história dos homens e o evoluir da mentalidade e do pensar filosófico. É por meio do seu professor de filosofia que Sofia conhece Sócrates, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Kant, Hegel, Marx, Freud, entre muitos outros.
Mas a história de Sofia e Alberto (o seu professor) não fica por aqui. Ao mesmo tempo que se vai desenvolvendo o seu curso de filosofia, as duas personagens vão-se apercebendo da existência de outra realidade para além daquela em que vivem.
É uma história composta de muitas outras, que nos faz pensar se não seremos também nós apenas personagens duma história que um dia alguém escreveu. É nesta perspectiva que o autor faz aparecer na mesma realidade que Sofia personagens como o Capuchinho Vermelho, Aladino ou o João Ratão, todas elas criadas um dia por alguém que lhes era superior e que lhes restringia a existência a uma simples história infantil. Depois de criadas, todas elas são obrigadas a viver num plano de existência paralelo. O mesmo aconteceu a Sofia e Alberto, que no fundo não passam de duas personagens duma aventura na filosofia.
Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A casa do silêncio


Excerto “A Casa do Silêncio” by Orhan Pamuk:
“Cada dia é um universo novo, Fatma, dizia-me ele. Cada manhã.
O universo renasce cada manhã, tal como nós, e isso desperta em mim tanto entusiasmo que nalgumas manhãs acordo antes de raiar o dia, e sei que o sol vai nascer, e que tudo será novo, e que também eu me vou renovar, juntamente com tudo o que se renova, e que poderei ver, ler e aprender coisas que ignoro, e que depois de as ter apreendido poderei de novo rever tudo o que sei, e então a minha emoção é tanta, Fatma, que tenho vontade de me levantar imediatamente, de correr... quero ir de imediato.... sem perder tempo, ... por que razão tu não conheces esse sentimento, Fatma, porque não dizes nada, em que pensas?

“... é preciso observar tudo, reparar em tudo ... e as capacidades do nosso cérebro têm de ser desenvolvidas, senão ficamos iguais aos outros, aos que passam o tempo a apodrecer nos cafés, como carneiros, infelizmente...”

Orhan Pamuk, A Casa do Silêncio, 2008
Numa pequena cidade portuária do Norte da Turquia, convertida em estância turística à Ocidental, existe uma casa meio arruinada onde vivem Fatma, uma viúva nonagenária, e Redjep, o anão que cuida dela.E é pela mão de Fatma que Orhan Pamuk nos conduz pela vida dos seus netos, dos filhos ilegítimos e das frustrações individuais que traduzem a frustração colectiva do povo turco.A Casa do Silêncio é o primeiro romance de Pamuk traduzido no Ocidente, da autoria daquele que viria a ser o Prémio Nobel da Literatura de 2006
O inconfundível estilo de Orhan Pamuk. Imperdível, como todos os livros deste autor.

Orhan Pamuk, nasceu na Turquia, em 1952. Começou por se interessar pelas artes plásticas, começou por estudar Arquitectura, mas acabou por se licenciar em jornalismo pela Universidade de Istambul, profissão que nunca exerceu. Grande estudioso e leitor insaciável, escreve desde os 23 anos, uma actividade que o tornou conhecido em mais de 50 países e lhe valeu inúmeros prémios e distinções. Em 2006 foi agraciado com o Nobel da Literatura. A sua obra é seguida com o maior interesse tanto no mundo ocidental como na própria Turquia, onde os seus livros são sempre bestsellers, apesar das suas posições críticas em relação à política do seu país.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

domingo, 5 de abril de 2009

Rio das Flores


Este foi o segundo livro que já li deste autor.
Já li há imenso tempo, li-o todo numa das viagens que fiz ao Egipto.
Pessoalmente gostei e muito, não me desiludiu.
Polémicas à parte, recomendo vivamente.


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sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tuesdays with Morrie


Autêntica Pérola de ensinamento

Este é um daqueles livros que me acompanha já há muitooooo ...tempo, leio, releio e recomendo :)
Simplesmente AMEI.
É o relato de um aluno que se chama Mitch e que passa a visitar o seu professor Morrie Schwartz todas as 3ªs feiras, daí o nome tão curioso. Relata a vida do professor que está em fase terminal com uma doença fatal e tem pouquíssimo tempo de vida.
Através das ágeis mãos de Mitch e do bondoso coração de Morrie nasceu este livro, que nos transmite maravilhosas reflexões sobre amor, amizade, medo, perdão e morte.
Autêntica Pérola de ensinamento. Um livro muito emocionante, especialmente porque a primeira vez que o li, foi numa fase da minha vida em que uma pessoa muito querida e muito Importante para mim, estava com um problema de saúde muito semelhante.
Este é um livro excepcional, que me faz sempre lembrar uma Pessoa Excepcional que pela minha vida passou, que muito me ensinou e de quem ainda hoje sinto muitas Saudades.
Em português o nome deste livro é A Última Grande Lição, de Mitch Albom.
Ainda não o vi por cá em Portugal à venda, no entanto é uma questão de procurar, de certeza que deve haver por cá a versão portuguesa.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

E.E.Cummings - A selection of poems


Cummings não é simples! No entanto recomendo vivamente :)
Já tive oportunidade de o dizer num post no meu outro blog. Há um filme com a Cameron Diaz, "In Her Shoes", com Cameron Diaz e Toni Collette, em que ela (ou melhor a personagem, Maggie) recita maravilhosamente este poema... que me acompanha desde os tempos de faculdade... lindooooo...

E.E.Cummings ou seja, Edward Estlin Cummings, escreve um poema de Amorrrrrr Simplesmenteeeee Maravilhoso, que eu pessoalmente Adoro.

Tenho andado a reler, adoro Poesia e este autor em especial, cá fica então:


i carry your heart with me


i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)

i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)


( E.E.Cummings ou Edward Estlin Cummings)


Minha modesta tradução livre:

carrego o teu coração comigo

carrego o teu coração comigo (carrego-o no
meu coração) nunca estou sem ele (onde
eu vou tu vais, querida; e o que é feito
só por mim és tu que fazes, meu amor)
eu não temo
nenhum destino (tu és o meu destino, meu doce) eu não quero
outro mundo (pela tua beleza ser o meu mundo, minha verdade)
e tu és seja o que for que a lua signifique
e o que quer que o sol cante sempre és tu

aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
(a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu da árvore chamada vida; a qual cresce
mais alto do que a alma espera ou a mente esconde)
e este é o milagre que mantém as estrelas separadas

carrego o teu coração (carrego-o no meu coração)

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.