segunda-feira, 27 de abril de 2009

A cidade dos deuses selvagens


A escritora chilena Isabel Allende reside actualmente nos Estados Unidos da América.
Desde "A Casa dos Espíritos" em 1982, que fui desperta para a sua escrita e fiquei fã.
Sempre achei muito interessante a forma como Allende compõe os personagens.
Já os li todos desde "Paula", "A cidade dos deuses selvagens" (já o li nas duas versões: portuguesa e inglesa), "Filha da Fortuna" e todos os restantes que ela já escreveu e publicou.
Os livros desta escritora, na minha humilde opinião, fazem sempre, a quem os lê, crescer um bocadinho como ser humano.

«Ao adoecer a sua mãe, o jovem Alexander Cold parte com a extravagante avó Kate, numa expedição da Internacional Geographic à selva amazónica, em busca de um estranho animal que muito pouca gente viu e que os indígenas chamam "a besta".Outros membros da expedição, dirigida por um petulante antropólogo, são dois fotógrafos norte-americanos, uma bela médica, um guia brasileiro e a sua surpreendente filha Nadia, com quem Alexandre trava uma amizade especial. Entre as missões da expedição está também a de vacinar os escorregadios índios, conhecidos como "o povo do nevoeiro"».

A cidade dos deuses selvagens é uma viagem repleta de perigos, mistérios e espectaculares surpresas, onde o real e o sonho se fundem e transformam-se num só.
Alertando ainda para a desflorestação da Amazónia e para o drama terrível da extinção das tribos índias da região do Amazonas, como consequência directa da exploração desenfreada e irresponsável praticada pelos brancos, a autora pretende ainda sensibilizar os leitores a oporem-se a estes problemas.
Recomendo vivamente este livro para pequenos e grandes.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

A Herança Bolena

O fio condutor deste e de outros romances de Philippa Gregory é a história real de Inglaterra, pelo que muitos leitores já sabem de antemão o destino das personagens. Então, é legítimo que nos interroguemos acerca do seu sucesso, não é? Qual será o segredo da autora? Os seus livros são best-sellers, mas, porquê?

A Publishers Weekly respondeu a esta questão assim:
“Rica em intriga e ironia, esta é uma história em que o leitor já sabe quem se divorciou, quem foi decapitado e quem sobreviveu, mas apreciará a inteligente adaptação de Gregory do como e porquê.”

E é mesmo verdade, apesar de já conhecer o destino de todas a esposas do Rei Henrique VIII de Inglaterra, não resisto à leitura de mais um livro da Philippa Gregory.
É certo e sabido que quando se estuda a história de um país, normalmente, faz-se uma resenha dos acontecimentos sociais, políticos e religiosos. Não dá para ser mais aprofundado, porque os acontecimentos são muitos e a distância temporal é cada vez mais longa, pelo que alguns pormenores menos importantes perdem-se pelo caminho, e é precisamente aqui que esta escritora ganha pontos. Ela foca um determinado período da história, normalmente curto, e dá alma e coração às personagens.
Por exemplo, sabemos que algumas pessoas foram condenadas à morte, mas o que pensaram antes de deitar a cabeça no cepo?

E a consciência de quem testemunhou e/ou conspirou contra elas, como ficou?

É precisamente nas respostas a estas perguntas que reside o encanto de ler os livros de Philippa Gregory. Ela humaniza as personagens recorrendo a uma investigação histórica bastante minuciosa.



“A Herança Bolena” é o seu penúltimo best-seller editado em Portugal pela Civilização Editora. Este romance conta a história de três das mulheres que passaram pelo leito de Henrique Tudor (Rei Henrique VIII de Inglaterra), e de Jane Bolena, uma serva que é chamada de volta à corte para gerir os aposentos da nova Rainha. Henrique VIII ficou conhecido na história como o Rei que casou seis vezes, porque se tornou uma pessoa obcecada pelo desejo de ter um filho varão. Era um homem caprichoso e muito ambicioso. Vivia na ânsia de gerar um herdeiro que o sucedesse no trono, mas para conseguir anular o seu primeiro casamento, precisava de obter o controlo total do seu País. Perseguiu os papistas para se tornar na “vontade de Deus na terra”. Assumiu o título de Chefe da Igreja, para se poder casar e descasar sem pedir o consentimento do Papa. Quando se tornou Chefe Supremo da Igreja, submeteu tudo e todos aos seus caprichos. Até os seus apoiantes viviam amedrontados e na incerteza. A sua desconfiança era constante e a crueldade do Rei parecia não ter limites. Durante o seu reinado muita gente foi injustamente condenada à morte, tal não era a loucura do Rei.

Com o poder total nas mãos, Henrique VIII (1491-1547) não olha a meios para conseguir o tão desejado filho varão. Além das muitas amantes que a história lhe atribui, casou com Catarina de Aragão, Ana de Bolena, Jane Seymor, Ana de Cléves, Catarina Howard e Catarina Parr.

Neste romance, a escritora concentra-se em Ana de Bolena, Ana de Cléves e Catarina Howard. Pelo meio e servindo como elo de ligação entre as esposas do Rei, o importantíssimo testemunho de uma mulher amargurada, Jane Bolena, que serviu muitos anos nos agitados aposentos da Rainha (a julgar pelo número de casamentos do Rei e não só). Esta serva movimenta-se na corte com sabedoria e experiência, privou com quase todas as Rainhas e chegou a ser cunhada do Rei. Esta é a mulher que conhece o preço d’A Herança Bolena.


Um romance histórico com tudo aquilo a que tem direito: conspiração, intriga e paixão!



Podem ler aqui no blog da Moonlight.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Cão como nós


Não sou grande fã de Manuel Alegre, aliás para ser sincera detesto o "personagem", mas há um tempo atrás (já algo longo) acabei por não resistir à curiosidade e comprar este livro à frente de muitos outros que aguardavam pacientemente a sua vez na fila de espera. E este pequeno livro que se lê em cerca de uma hora, já foi lido por mim algumas vezes, deixando-me de cada uma delas de lágrimas nos olhos.

Fala de um cão especial para o autor, como os nossos cães o são para nós. E recorda-nos o vazio que ele nos vão deixando no coração quando nos separamos deles, seja porque motivo for. À medida que o autor vai contando alguns excertos da sua vida desde que o cão entrou nela e até que saiu, vai-nos mostrando em pensamento a falta que o seu cão lhe fez e o que ele sofre com a sua ausência, ao ponto de o ver e ouvir em todo o lado inclusive de falar para ele.

Ele, o chefe de familia, que acha que um cão é um cão, e não se lhe deve dar mais importância que isso mesmo. Mostra-nos a personalidade forte que os cães podem ter e a importância e influência que podem ter na familia. Um livro que devia ser lido por toda a gente que tenha ou não animais de estimação, porque talvez pudessem avaliar de outra forma porque é que nos dedicamos tanto a esses seres maravilhosos que nos dão tanto em troca de tão pouco. E especialmente por aquelas pessoas que compram os "puppies" para os meninos brincarem e que depois os abandonam quando crescem. Talvez conseguissem aprender alguma coisa com este livro e com este CÃO COMO NÓS.


Podem ler aqui no blog da Gio.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Um problema muito enorme

Hoje o meu comentário literário é diferente!
Estive num encontro com o escritor Álvaro Magalhães, ouvi-o falar dos seus livros, do que o motivou para a escrita, da sua rotina de vida como escritor, do que ele pensa da literatura infantil, que é o que ele escreve, e gostei! De uma forma divertida, desassombrada, falou da generalidade da sua obra e gostei de o ouvir dizer, se não foi por estas palavras, foi esta a ideia que me ficou; que escrever para jovens é também escrever para adultos porque um livro infantil não é uma qualquer história simplória ou meia parva, contada de uma forma meia "lerda". ( estas palavras são minhas)
Um livro infantil tem que cativar o leitor e, digo eu, se queremos cativar para a leitura num mundo tão exigente como o de hoje, temos que ter realmente uma boa história e bem contada, para oferecer! Hoje, na minha modesta opinião, escreve-se a metro, tanto para adultos como para crianças. Não é este o caso!
É por isso que vos venho falar, de « Um problema muito enorme », último livro escrito por este autor e que faz parte de uma trilogia.


As personagens residentes: um ouriço que gosta de ouriçar ( estar deitado de barriga ao sol sem nada para fazer ), um coelho que tem medo que o mar engula a terra, uma toupeira que gosta de ler, um chapim que só sabe trabalhar e um caracol que gosta de viajar e vivem todos numa clareira, na Mata dos Medos.
Esta mata é verdadeira, faz parte de uma área protegida, e fica em Almada. As personagens são inventadas mas os seus problemas muito reais e, ao fim e ao cabo, muito parecidos aos dos humanos.
Com uma ternura por vezes hilariante e uma linguagem inventada pela necessidade das personagens transmitirem conceitos e sentimentos até ali desconhecidos, somos confrontados com problemas, sentimentos, medos e princípios filosóficos comuns a todos nós.
Lemos de um fôlego a história, sorrindo e angustiando-nos com as descobertas destes animais, porque revemos em cada um deles o que está subjacente em nós próprios. O crescimento, a educação, a sociedade fizeram-nos perder aquele conhecimento empírico, aquelas vivências e ensinaram-nos, se não a resolver os problemas, pelo menos a esconder o medo. Ao ler o livro encontramos tudo de novo, encontramo-nos a nós próprios!

«Era uma noite calma de Verão no largo Pinheiro Grande, algures na Mata dos Medos.O Chapim acordou sem sono, muito bem disposto. “É de manhã”, pensou. Espreguiçou-se, alisou as penas, depenicou algumas bagas e preparou-se para sair. Mas quando abriu a porta de casa não viu o Sol. Só havia silêncio e escuridão. “O que teria acontecido?”, pensou. Era de manhã e o Sol não tinha nascido.»

Não vos vou dizer qual é o problema muito enorme, para manter o suspense, mas não deixem de ler o livro e, se quiserem, comecem pelo «Conto da mata dos medos» (que nome tão giro!), porque é de rir ou «Criatura Medonha»! Lindos, lindos, lindos!

No início dos anos 80, Álvaro começou por publicar poesias e poemas. Em 1982, ele publicou o seu primeiro livro para crianças: Histórias com Muitas Letras. Em 2002, o seu livro "Hipopótimos - Uma história de amor", recebeu o Prémio Calouste Gulbenkian de literatura para crianças e jovens. Mais recentemente, Álvaro acrescentou às suas obras a série "Triângulo Jota" de narrativas de mistério e indagação, sendo considerado “o primeiro a conseguir reformular e enriquecer, com sucesso, os modelos conhecidos”. Considerado um dos mais importantes escritores da sua geração, pela originalidade e singular irreverência da sua obra, Álvaro Magalhães foi várias vezes premiado pela Associação Portuguesa de Escritores e pelo Ministério da Cultura, logo desde o início da sua carreira literária.
Tirado de Wikipédia

Podem ler aqui no blog da Noémia.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Império à deriva


... foi o livro que li nestes dias de alguma preguiça.
Gostei imenso deste livro (aliás, eu cheguei a uma idade em que não me posso dar ao luxo de desperdiçar tempo a ler o que não gosto, por isso, se li é porque é mesmo bom - pelo menos para mim, que os gostos não se discutem!)

Não vou contar a história (leiam!), só digo que o assunto são os 13 anos de vida da corte portuguesa no Brasil.Quando Portugal estava a ser invadido pelos soldados de Napoleão, o rei D. João VI, a mulher, Carlota Joaquina, a filharada toda e mais uns milhares de fidalgos, fizeram a viagem turística por que hoje todos os portugueses anseiam (eu incluída!): foram para o Rio de Janeiro.
Só que, naquele tempo ainda não havia novelas, nem samba, nem Carnaval, nem Jô Soares, Tom Jobim ou Vinicius de Morais, por isso a vida lá era uma grande chatice!

Quer dizer, lá para o meio da estada D. João VI já queria lá ficar, estava a gostar daquilo. Lá não havia as chatices que massacravam a Europa.
Já a D. Carlota não era da mesma opinião, detestava o Brasil!não devia haver fidalgos que chegassem para ela, digo eu...)

Sobre o autor, Patrick Wilcken:
é australiano, cresceu em Sidney, estudou antropologia e fez um mestrado no Institute of Latin American Studies, em Londres. Trabalhou para a Amnistia Internacional, no departamento da África Portuguesa, e foi editor de livros do The Daily Telegraph. Escreveu, recentemente, para o The Times Literary Supplement, para o The Guardian e para o Index on Censorship sobre assuntos relacionados com o Brasil.
Foi durante as longas temporadas que passou nesse país que encontrou a inspiração para escrever Império à Deriva.

Agora o incrível:

Este livro é da Editora Civilização, e não posso passar sem deixar um grande reparo: inacreditavelmente, o livro está cheio de erros ortográficos e de gralhas.
Não são 2 ou 3, nem meia dúzia, nem sequer uma dúzia! São dezenas ou até centenas!
Se contar com as palavras que deviam estar escritas com letra minúscula e estão com letra maiúscula, serão centenas de erros!
Antigamente havia revisores para reverem os livros antes de saírem para as livrarias. Será que essa profissão acabou?
É que não se compreende que um livro apareça nas livrarias neste estado!Se ainda houvesse palmatoadas (uma por cada erro!), estes senhores ficavam sem mãos!


Podem ler aqui no blog da Saltapocinhas.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Viagem sem regresso


* Viagem Sem Regresso de Katty Gardner
Duas amigas visitam a Índia e só uma regressa...
Um livro que cheira mesmo a Sândalo indiano no verso da capa e contracapa e tem imagem de um pássaro que como tatuagem fica o máximo.
Gostei muito de o ler e reler.

Um livro trepidante, mas sobretudo introspectivo.
Uma terapia para varrer o lixo do sótão e arquivar a informação nos ficheiros correctos e por vezes secretos da nossa mente…
Um livro pertinente, construtivo, muito simples, de leitura muito fácil e objectiva.

Cada vez que releio este livro faz-me lembrar a viagem que fiz á Índia, os cheiros, sabores, etc...

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O mundo de Sofia


É uma Odisseia pela Filosofia e não só, é mesmo uma viagem pelo Mundo interior e exterior. Já o tinha lido há uma série de anos em 2 versões, noutras 2 línguas diferentes.
Agora foi a vez do Português.
É um livro que me acompanha há muito e devo confessar que foi a principal razão pela qual fui viver para Atenas.
É daquele tipo de livros que nos acompanha pela vida fora.
Todos deveriam ler este livro.

Cá fica uma passagem:
"A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornar bons filósofos ... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente."

Cá fica o resumo:
O Mundo de Sofia, editado pela primeira vez em 1991 (Sofias Verden – Titulo Orginal), é um dos livros que continua a encantar todo o tipo de leitores. Mesmo depois de todo o êxito inicial e de se ter tornado quase de imediato um best-seller, continua a ser lido, hoje em dia, por milhares de pessoas, em particular por jovens. O autor, Jostein Gaarder, professor de filosofia do secundário, conseguiu de uma forma original desenvolver uma aventura cheia de reflexões e perguntas através da história da filosofia desde o princípio dos tempos.
O objectivo principal deste livro não é, segundo o nosso ponto de vista, relatar ao leitor a evolução da filosofia ao longo do tempo, mas sim fazer com que este não seja tão indiferente àquilo que o rodeia. Isto é conseguido através das respostas dos grandes filósofos às questões que sempre afligiram o mundo.
A capacidade de nos surpreendermos é a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos (...) E agora tens que te decidir, Sofia: és uma criança que ainda não se habituou ao mundo? Ou és uma filósofa que pode jurar que isso nunca lhe acontecerá?... Não quero que tu pertenças à categoria dos apáticos e dos indiferentes. Quero que vivas a tua vida de forma consciente.
Quem és tu?, De onde vem o mundo?, Haverá uma vontade e um sentido por detrás daquilo que acontece?, estas são algumas das perguntas colocadas a Sofia durante aquilo que irá ser um verdadeiro curso de filosofia. Este curso foi oferecido a Sofia por uma pessoa que ela não conhecia mas que acabou por se tornar rapidamente num grande amigo. Através dele, Sofia viaja até 600 a.c., onde encontra os primeiros filósofos, e a partir daí segue o rumo da história dos homens e o evoluir da mentalidade e do pensar filosófico. É por meio do seu professor de filosofia que Sofia conhece Sócrates, Aristóteles, Descartes, Spinoza, Kant, Hegel, Marx, Freud, entre muitos outros.
Mas a história de Sofia e Alberto (o seu professor) não fica por aqui. Ao mesmo tempo que se vai desenvolvendo o seu curso de filosofia, as duas personagens vão-se apercebendo da existência de outra realidade para além daquela em que vivem.
É uma história composta de muitas outras, que nos faz pensar se não seremos também nós apenas personagens duma história que um dia alguém escreveu. É nesta perspectiva que o autor faz aparecer na mesma realidade que Sofia personagens como o Capuchinho Vermelho, Aladino ou o João Ratão, todas elas criadas um dia por alguém que lhes era superior e que lhes restringia a existência a uma simples história infantil. Depois de criadas, todas elas são obrigadas a viver num plano de existência paralelo. O mesmo aconteceu a Sofia e Alberto, que no fundo não passam de duas personagens duma aventura na filosofia.
Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

terça-feira, 7 de abril de 2009

A casa do silêncio


Excerto “A Casa do Silêncio” by Orhan Pamuk:
“Cada dia é um universo novo, Fatma, dizia-me ele. Cada manhã.
O universo renasce cada manhã, tal como nós, e isso desperta em mim tanto entusiasmo que nalgumas manhãs acordo antes de raiar o dia, e sei que o sol vai nascer, e que tudo será novo, e que também eu me vou renovar, juntamente com tudo o que se renova, e que poderei ver, ler e aprender coisas que ignoro, e que depois de as ter apreendido poderei de novo rever tudo o que sei, e então a minha emoção é tanta, Fatma, que tenho vontade de me levantar imediatamente, de correr... quero ir de imediato.... sem perder tempo, ... por que razão tu não conheces esse sentimento, Fatma, porque não dizes nada, em que pensas?

“... é preciso observar tudo, reparar em tudo ... e as capacidades do nosso cérebro têm de ser desenvolvidas, senão ficamos iguais aos outros, aos que passam o tempo a apodrecer nos cafés, como carneiros, infelizmente...”

Orhan Pamuk, A Casa do Silêncio, 2008
Numa pequena cidade portuária do Norte da Turquia, convertida em estância turística à Ocidental, existe uma casa meio arruinada onde vivem Fatma, uma viúva nonagenária, e Redjep, o anão que cuida dela.E é pela mão de Fatma que Orhan Pamuk nos conduz pela vida dos seus netos, dos filhos ilegítimos e das frustrações individuais que traduzem a frustração colectiva do povo turco.A Casa do Silêncio é o primeiro romance de Pamuk traduzido no Ocidente, da autoria daquele que viria a ser o Prémio Nobel da Literatura de 2006
O inconfundível estilo de Orhan Pamuk. Imperdível, como todos os livros deste autor.

Orhan Pamuk, nasceu na Turquia, em 1952. Começou por se interessar pelas artes plásticas, começou por estudar Arquitectura, mas acabou por se licenciar em jornalismo pela Universidade de Istambul, profissão que nunca exerceu. Grande estudioso e leitor insaciável, escreve desde os 23 anos, uma actividade que o tornou conhecido em mais de 50 países e lhe valeu inúmeros prémios e distinções. Em 2006 foi agraciado com o Nobel da Literatura. A sua obra é seguida com o maior interesse tanto no mundo ocidental como na própria Turquia, onde os seus livros são sempre bestsellers, apesar das suas posições críticas em relação à política do seu país.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

domingo, 5 de abril de 2009

Rio das Flores


Este foi o segundo livro que já li deste autor.
Já li há imenso tempo, li-o todo numa das viagens que fiz ao Egipto.
Pessoalmente gostei e muito, não me desiludiu.
Polémicas à parte, recomendo vivamente.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tuesdays with Morrie


Autêntica Pérola de ensinamento

Este é um daqueles livros que me acompanha já há muitooooo ...tempo, leio, releio e recomendo :)
Simplesmente AMEI.
É o relato de um aluno que se chama Mitch e que passa a visitar o seu professor Morrie Schwartz todas as 3ªs feiras, daí o nome tão curioso. Relata a vida do professor que está em fase terminal com uma doença fatal e tem pouquíssimo tempo de vida.
Através das ágeis mãos de Mitch e do bondoso coração de Morrie nasceu este livro, que nos transmite maravilhosas reflexões sobre amor, amizade, medo, perdão e morte.
Autêntica Pérola de ensinamento. Um livro muito emocionante, especialmente porque a primeira vez que o li, foi numa fase da minha vida em que uma pessoa muito querida e muito Importante para mim, estava com um problema de saúde muito semelhante.
Este é um livro excepcional, que me faz sempre lembrar uma Pessoa Excepcional que pela minha vida passou, que muito me ensinou e de quem ainda hoje sinto muitas Saudades.
Em português o nome deste livro é A Última Grande Lição, de Mitch Albom.
Ainda não o vi por cá em Portugal à venda, no entanto é uma questão de procurar, de certeza que deve haver por cá a versão portuguesa.


Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

E.E.Cummings - A selection of poems


Cummings não é simples! No entanto recomendo vivamente :)
Já tive oportunidade de o dizer num post no meu outro blog. Há um filme com a Cameron Diaz, "In Her Shoes", com Cameron Diaz e Toni Collette, em que ela (ou melhor a personagem, Maggie) recita maravilhosamente este poema... que me acompanha desde os tempos de faculdade... lindooooo...

E.E.Cummings ou seja, Edward Estlin Cummings, escreve um poema de Amorrrrrr Simplesmenteeeee Maravilhoso, que eu pessoalmente Adoro.

Tenho andado a reler, adoro Poesia e este autor em especial, cá fica então:


i carry your heart with me


i carry your heart with me (i carry it in
my heart) i am never without it (anywhere
i go you go, my dear; and whatever is done
by only me is your doing, my darling)

i fear
no fate (for you are my fate, my sweet) i want
no world (for beautiful you are my world, my true)
and it's you are whatever a moon has always meant
and whatever a sun will always sing is you

here is the deepest secret nobody knows
(here is the root of the root and the bud of the bud
and the sky of the sky of a tree called life; which grows
higher than the soul can hope or mind can hide)
and this is the wonder that's keeping the stars apart

i carry your heart (i carry it in my heart)


( E.E.Cummings ou Edward Estlin Cummings)


Minha modesta tradução livre:

carrego o teu coração comigo

carrego o teu coração comigo (carrego-o no
meu coração) nunca estou sem ele (onde
eu vou tu vais, querida; e o que é feito
só por mim és tu que fazes, meu amor)
eu não temo
nenhum destino (tu és o meu destino, meu doce) eu não quero
outro mundo (pela tua beleza ser o meu mundo, minha verdade)
e tu és seja o que for que a lua signifique
e o que quer que o sol cante sempre és tu

aqui está o segredo mais profundo que ninguém sabe
(a raiz da raiz e o botão do botão
e o céu do céu da árvore chamada vida; a qual cresce
mais alto do que a alma espera ou a mente esconde)
e este é o milagre que mantém as estrelas separadas

carrego o teu coração (carrego-o no meu coração)

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

terça-feira, 31 de março de 2009

Código Da Vinci, Anjos e Demónios, Fortaleza Digital


Código Da Vinci
Anjos e Demónios
A Fortaleza Digital

Colocando de parte as polémicas, acerca da saga dos livros de Dan Brown só vos posso dizer que já li estes três e gostei muito.
No entanto acho importante ressalvar que as pessoas têm que ter atenção que é ficção, se bem que inspirada em factos históricos.
Mas por exemplo, cair no erro de acreditar que o quadro a última Ceia de Cristo, tem lá implicitamente desenhada Maria Madalena é de uma ignorância atroz. Aliás já foi até provado que não é verdade é pura ficção no livro.

E ainda mais ignorância é quando as pessoas, depois de lerem os livros e verem os filmes, acreditam em tudo o que lá se diz e por falta de mais informação ou de desinformação, desatam a ligar para os museus a perguntarem se têm tal quadro.

Gostei de ler e diverti-me imenso a lê-los.

Cá fica a Biografia do Dan Brown, que muito diz sobre a maneira como escreve.

Biografia
Nasceu em Exeter, uma cidade do estado de New Hampshire, é o mais velho de três filhos. A sua mãe Constance (Connie) foi uma música profissional, tocando órgão na igreja. Seu pai, Richard G. Brown, ensinava matemática para o Ensino Médio na Phillips Exeter Academy, um colégio interno particular, e escreveu o didático best-seller matemático Advanced Mathematics: Precalculus with Discrete Mathematics and Data Analysis, que foi muito utilizado no país.
Professores do colégio foram requisitados a viver no campus por diversos anos, então Brown e seus irmãos literalmente foram criados na escola. Na maior parte, o ambiente social foi o cristão. Frequentou a escola dominical, cantando no coro da igreja, e passou seus verões no acampamento da igreja. Seu próprio estudo foi em escolas públicas em Exeter até a 9ª série, até matricular-se em Phillips Exeter, assim como seus irmãos mais novos Valerie e Gregory quando chegaram suas vezes.
Após a graduação na Phillips Exeter em 1982, Brown entrou para o Amherst College, onde foi membro da Fraternidade Psi Upsilon. Durante seu primeiro ano em Amherst, foi à Europa para estudar a História da Arte na Universidade de Sevilha, Espanha, onde começou a estudar seriamente os trabalhos de Leonardo Da Vinci, que mais tarde teriam importância crucial em um de seus romances.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

domingo, 29 de março de 2009

Dewey - O gato que comoveu o mundo


Aquando da aquisição do livro, o que me chamou a atenção foi a capa e o próprio título... eu que sou uma apaixonada por gatos jamais poderia passar ao lado dele sem lhe pegar, folhear e dar uma espreitadela na diagonal pelo seu interior. Peguei nele e a etiqueta colada na capa "Hoje é dia de fazer uma surpresa ao gato" aguçou-me ainda mais a vontade de o trazer comigo e de devorar página a página num foguete... Afinal é a história de um gato, eu tenho dois e já tive nem sei bem quantos...

É uma leitura bastante leve, suave mesmo, em que me revi nalguns episódios passados com os gatos da minha vida, a personalidade, os hábitos, as brincadeiras e traquinices, o conforto e companhia que nos dão, a todos nós, donos dedicados. Há quem diga que não está disposto a partilhar o seu lar com um felino, porque dá trabalho, porque dá despesa, porque largam pelos, porque isto e porque aquilo... eu então acho que nada se tem ou se conserva sem "trabalho" e no fundo não dá esse trabalho a que muitos se referem, talvez porque gosto e tudo o que gosto é para mim um prazer. E, depois há a compensação que só quem tem e gosta destes bichinhos consegue sentir. Ter e estimar um gato é ter mais um membro na família!

Esta é uma história real da vida de um gato, Dewey, encontrado na caixa de devoluções de livros de uma biblioteca, na Biblioteca Publica de Spencer no Iowa, EUA, que aí viveu os seus mais de 19 anos, se tornou famoso na cidade e no mundo, atraíu multidões que se lhe dedicaram, que se encantaram e que acima de tudo usufruiram surpreendentemente do seu apurado sexto sentido.

Vicki Myron é a autora da história e trabalhou 25 anos na Biblioteca Pública de Spencer, 20 dos quais como directora. Bret Witter é editor e escritor. Ajudou Vicki Myron a pôr no papel a história de Dewey.

"Na segunda-feira, dia 18 de Janeiro de 1988, estava um frio de rachar no Iwoa. Na noite anterior a temperatura chegara aos vinte cinco graus negativos, isto sem levar em consideração o vento, que penetrava por baixo dos casacos e nos cortava os ossos. Estava um gelo mortal, o tipo de frio que torna a respiração quase dolorosa. O problema das terras planas, como toda a gente no Iowa sabe, é que não há nada para deter o vento.
(...)
- Ouvi um barulho.
- Que tipo de barulho?
- Na caixa de devoluções. Acho que é um bicho.
- Um quê?
- Um bicho. Acho que está um bicho dentro da caixa de devoluções.
Nessa altura ouvi também um ruído surdo por baixo da tampa metálica. Não parecia um animal. Parecia mais um velhote a tentar limpar a garganta. (...)

Os gatos são criaturas de hábitos e Dewey não demorou muito tempo a estabelecer uma rotina. Quando eu chegava à biblioteca, de manhã, ele estava à minha espera ao pé da porta. Comia um bocadinho da sua comida enquanto eu pendurava o casaco e a mala, e depois percorríamos juntos a biblioteca (...) Assim, pelas minhas costas, Dewey dirigiu-se aos outros funcionários. Primeiro atacou Sharon, saltando-lhe para a secretária e roçando-se np braço dela. Ganhara o hábito de se sentar na secretária de Sharon enquanto ela almoçava, e achava que ela parecia pessoa de apreciar uma boa refeição. (...)

A menina abanou o rato em frente dos olhos sonolentos de Dewey, para lhe chamar a atenção. Depois, delicadamente, atirou-o a alguma distância. Assim que o boneco tocou no chão, Dewey atirou-se a ele. Ele perseguiu aquele brinquedo, atirou-se ao ar, empurrou-o com as patas. a menina ria-se deliciada. Dewey nunca mais brincou com aquele ratinho, mas, enquanto a menina lá esteve adorou-o. Dedicou-lhe todas as suas energias. E a menina erradiava alegria. Pura e simplesmente, brilhava. Viajara centenas de quilómetros para ver um gato e não ficou desapontada. Porque é que eu ainda me preocupava com Dewey? Ele cumpria sempre. (...)"


Sem dúvida uma história digna de se ler! Recomendo!

Podem ler aqui no blog da Cenourita.

sábado, 28 de março de 2009

Bichos

Depois de procurar no youtube e afins, algo que vos pudesse transmitir os sons da melhor sinfonia que a passarada me oferece, nestes dias solarengos e inesperados, na paz dos campos da minha quinta e não ter encontrado nada que se lhe pudesse comparar, só me vinha à memória Miguel Torga.
Eu até não sou muito apreciadora deste escritor, embora lhe reconheça o maior mérito à sua escrita e obra, e quem sou eu para reconhecer o mérito seja lá de quem for, quanto mais do Miguel Torga? Mas a verdade é que só me lembrava do livro « Bichos», do capítulo do « Farrusco », da sinfonia que a sua gargalhada desperta, para vos mostrar o que ouço e como me sinto quando a quantidade desmedida de pássaros que tenho por lá, me enche as tardes de alegria. Eu só lá estou ao fim de semana, não tenho espantalhos, as árvores, moitas e silvedos são mais que muitas...tudo se cria por lá, desde as levandiscas, melros, cucos, pintassilgos, rolas, gaios, poupas, carriças, piscos, tentilhões, rouxinois, pica-paus...
Deixo-vos pois este texto belíssimo, não só para que o apreciem, como também para que possam imaginar o privilégio que eu tenho ao ouvir, ao vivo, este canto desgarrado, glorioso! Se gostarem e nunca tiverem lido o livro, aproveitem porque os outros textos são lindos também!

"Dentro da poça do Lenteiro, há rãs. Naquela água coberta de agriões e juncos moram centenas delas. Mas à volta, na sebe de marmeleiros, silva-macha e alecrim, vive Farrusco, o melro. Sabe-se isso desde que, em certo entardecer de Agosto, a Clara perguntou ao cuco que se pousara num pinheiro em frente:- Cuco do Minho, cuco da Beira: quantos anos me dás de solteira?
A rapariga era toda ela de se comer. E o cuco, maroto, olhou de lá, viu, e respondeu:
- Cucu... Cucu... Cucu...
Três anos! A moça ficou varada. O Rodrigo acabava a tropa de aí a dias, e prometera levá-la à igreja logo a seguir. Que significava, pois, semelhante demora? Aflita, chegou-se à Isaura, a alcoviteira, mouca como um soco, que a seu lado sachava milho, e gritou-lhe aos ouvidos, desesperada:
- Ora vê?! Que lhe dizia eu?
A Isaura nem queria acreditar.
- Ouvirias mal!...
- Olhe lá que não ouvisse! Contei-os bem.
E foi então que Farrusco soltou a sua primeira gargalhada. Coisa bonita! Uma cascata de semicolcheias escaroladas, como se alguém rasgasse um pano cru, rijo e comprido, no silêncio da tarde serena, que o desânimo de Clara enchera subitamente de melancolia. Nada mais do que isso. Mas o bastante para mudar o sinal do desencanto. A força virgem daquele riso chamou a vida à consciência dos seus direitos. De parada, a natureza animou-se. Uma aragem muito branda e muito fresca atravessou o espaço. Tudo quanto era mundo vegetal ondulou levemente. A própria terra, sonolenta do calor do dia, acordou. E de aí a segundos começou a maior sinfonia que se ouviu no Lenteiro.
Chamadas por aquela volatina, as rãs subiram à tona de água e puseram-se a dar força sonora às tímidas vozes ocultas e anónimas que se erguiam do limbo. Às rãs, juntaram-se logo, pressurosos, os ralos, as cegarregas, os grilos, e quanta arraia miúda tinha fala. A esta, a passarada. Até que não ficou bicho sensível e solidário alheio ao Tantum Ergo pagão. Um coro imenso, cósmico e fraterno, que enchia o mundo de confiança.
Clara, arrastada pela onda de harmonia, apelou da sentença:
- Cuco do Minho, cuco da Beira: quantos anos me dás de solteira?
O que foste fazer! O malandro do pitoniso, se há pouco fora cruel, desta vez requintou.
- Cucu... Cucu... Cucu... Cucu...
Parecia uma ladainha! A lengalenga não parava mais. Ou de propósito, ou porque o mundo, naquele instante, era um orfeão aberto, o ladrão dava mais anos de solteira à rapariga do que estrelas tem o céu.
Desapontada, a cachopa regressou às ervas daninhas do lameiro. E, num amuo justificado, deixou correr as horas. A seu lado, comprometida, a Isaura, que tinha garantido o noivado a curto prazo, falava, falava, sem conseguir adoçar-lhe no espírito o fel da desilusão. E quando a noite se aproximou disposta a selar com negrura aquela tristeza humana, foi preciso que Farrusco, novamente solidário com os direitos da moça, saltasse da espessura da sebe para o cimo de um estacão, e fizesse ressoar pelo céu parado e quente uma segunda gargalhada. Discordância de tal maneira fresca, sadia, prometedora, que a rapariga ganhou ânimo. Pôs os olhos em si, na força criadora das margaridas abonadas, no ar de coisa sã que toda ela ressumava, e sorriu. Depois, confiante, juntou a sua alegria à alegria do melro. Soltou então também uma risada cristalina, que partiu da verdura do milhão, passou pelas penas luzidias de Farrusco, e foi bater como um castigo no ouvido desafinado do cuco. Um segundo a natureza esteve suspensa daquela gargalhada. A vida homenageava a vida. Depois continuou tudo a cantar.
- O estafermo do cuco, tia Isaura! Até um melro se riu!...
-Riem-se de tudo, esses diabos...
Mas o lusco-fusco começava a empoeirar o céu, e Farrusco ia fechando docemente os olhos, deitado na cama dura. A vida que lhe ensinara a mãe, simples, honesta, espartana, não lhe consentia luxos de noitadas. Pela manhã, ainda o sol vinha lá para Galegos, já ele tinha de estar de perna à vela, pronto para comer a bicharada da veiga, e rir de novo, se alguma tola de Vilar de Celas se fiasse outra vez no aldrabão do cuco."

Miguel Torga, “Os Bichos”, 1940
Podem ler aqui no blog da Noémia.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Catcher in the Rye


Não é o cd do Guns N' Roses, não que até por acaso tem o mesmo nome, ehhhh ...
O grande sucesso JD Salinger Catcher in the Rye é o seu único romance publicado.
Tal como Mark Twain's Huckleberry Finn, Catcher poderia ser descrito como um verdadeiro americano: um romance picaresco que ilustra o desenvolvimento moral e as atitudes do seu não conformista protagonista.
É um lembrete permanente da doçura da infância, a hipocrisia do mundo adulto.
Este foi um livro que se tornou o fruto proibido no jardim da literatura.
Um livro que marcou a minha adolescência.
Ainda hoje me lembro de dicionário de inglês – Inglês, para decifrar termos mais difíceis e melhorar o meu vocabulário inglês, na altura.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

quarta-feira, 25 de março de 2009

O caçador de pipas


De tanto ouvir falar não aguentei de ansiedade, decidi comprar e ler.

"Esta é uma daquelas histórias inesquecíveis, que permanecem na nossa memória por anos a fio. Todos os grandes temas da literatura e da vida são o material com que é tecido este romance extraordinário: amor, honra, culpa, medo, redenção.
"Isabel Allende (outra das minhas escritoras preferidas com a qual partilho inteiramente a opinião)

Cá fica um excerto:

" - Estamos perdendo tempo. Não viu que a pipa está indo para o outro lado?
Hassan trincou uma amora.
- Está vindo para cá - respondeu
Eu mal podia respirar e ele nem parecia cansado.
- Como pode saber? - perguntei
- Eu sei ..........
- Já menti para você, Amir ?“

“O Caçador de Pipas” conta a história de dois garotos, Amir e Hassan, que têm uma ligação muito forte e que por acontecimentos e omissões, eles acabam separados. Amir e Hassan cresceram juntos apesar de pertencerem a classes e etnias diferentes no Afeganistão.
No inverno de 1975, no campeonato de pipas, Amir, com ajuda de Hassan, teve a chance de mudar sua imagem e de se transformar em um filho mais parecido com seu pai. Contudo, a sua covardia prevaleceu, mudou a sua vida e a de Hassan completamente.
Actos e atitudes sempre têm consequências.

Com a sensibilidade do autor, podemos afirmar que sempre tudo o que é provocado por nós, volta – Lei do retorno, karma, etc... como lhe queiram chamar.
Valeu muito a pena conhecer esta Maravilhosa história de Amir e Hassan - AMEI este livro.

Podem ler aqui no blog da Miss Slim.

terça-feira, 24 de março de 2009

The Nanny Diaries


Eu já li este livro á imenso tempo e em inglês no entanto também me ofereceram este natal a versão portuguesa, ou seja em português: Diário de Uma Nanny escrito por Emma Mclaughlin e Nicola Kraus, é a visão implacável e divertida, das ilusões de felicidade de uma família abastada e da baby-sitter apanhada nas malhas de um mundo de bem-estar material, com um rol imenso de desgraças psicológicas e efectivas.
A obra retrata a sociedade actual, onde as prioridades nem sempre são as mais indicadas, onde o materialismo desenfreado se sobrepõe aos valores que deveriam existir numa família. Onde na maior parte das vezes as crianças são meros objectos de disputa...
É uma leitura muito light, no entanto eu que já fui Baby Sitter em vários países onde morei, posso dizer que a realidade é ás vezes bem mais dura e crua.
No entanto é também um livro divertido.
Leiam, leiam muito. Só vos irá fazer bem, e tornar-vos-á melhores cidadãos a todos os níveis e em todos os sentidos.

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segunda-feira, 23 de março de 2009

Flores da China


Ou Fleurs de Chine no original escrito em Francês.
Este romance transporta em si a China secular e ultramoderna, a poesia, a emoção de um pais em plena mutação é uma história da China contada por mulheres: Magnólia, Crisântemo, Jasmin, Gardénia, Lótus, Orquídea, Hibisco etc...
Nomes de Flores. Nomes de Mulheres, umas jovens, outras menos jovens, contando passo a passo as suas vidas num país marcado pelas mais radicais convulsões históricas e sociais. Através de uma perturbante teia de acontecimentos e confissões, a autora, Wei-Wei, constrói um romance que é um imenso painel da China da cidade ao campo.
Torna-se uma viagem às paisagens mais íntimas da condição feminina, num labirinto de paixões complexo como este país em si cheio de infinitos mistérios.
Wei-Wei é uma escritora que não se interessa por política, mas sim pela psicologia e pela vida quotidiana dos modestos seres que conseguiram, apesar de todas as turbulências, atravessar os tormentos da história.
Wei-Wei é uma das mais importantes vozes literárias da China, o seu primeiro romance, A Cor da Felicidade (escrito em francês) está também publicado pela Editorial Noticias.
Vive actualmente em Inglaterra, depois de ter estudado em França, no entanto é muito pouco conhecida na Europa infelizmente.
Quando pela primeira vez viajei até á China, um amigo de origem Chinesa, residente em França ofereceu-me estes dois livros (na versão francesa, só mais tarde encontrei este na versão publicada em português), para me dar uma perspectiva da China por outro prisma.

Só posso dizer que Adorei e foi como que ver a China com outros olhos quando lá cheguei.

Cá fica um dos meus excertos favoritos:

“... o dragão passa-te a uns centímetros da cabeça, roçando os teus cabelos com a sua longa cauda.
... mas de repente sacode os rins e aponta novamente para o firmamento.- Leva todas as nossa doenças! – grita Velho Lin. – Leva todas as nossa infelicidades!...
O dragão voa em direcção ao zenite. Afasta-se com uma tal rapidez que em breve se converte num pequeno ponto escuro. É então que um extraordinário estrondo de trovão se faz ouvir. A abóbada profunda parece mover-se. “


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domingo, 22 de março de 2009

Sul


"Sul" reúne uma série de histórias felizes daquilo que o "contador de histórias" Miguel Sousa Tavares viu pelas viagens que fez pelo mundo, neste caso para sul.

Ao longo das 230 páginas do livro podemos viajar sem sair de casa: São Tomé e Princípe, Brasil (Amazónia e Nordeste), Egipto, Índia (Goa), Cabo Verde, Costa do Marfim, França (Guadalupe), África do Sul (Kruger), Argélia (Sahara), Marrocos (Marraquexe), Espanha (Alhambra), Tunísia, Itália (Veneza) e também Portugal.Todos os capítulos são interessantes, mas aquele com o qual me ri mesmo a valer foi logo o primeiro o da viagem à Amazónia.

A descrição do escritor da aventura no voo da Junqueira Airlines sob uma tempestade medonha, sendo tripulado pelo Junqueirão que estava com uma conjuntivite e pilotava só com um olho aberto, levando ainda à boleia uma índia doente que carregava debaixo do braço um macaco assado para a viagem é absolutamente hilariante, embora para ele tenha sido um verdadeiro pesadelo.

Já parece algumas das viagens que já fiz e faço e que davam um verdadeiro romance. É um dos meus verdadeiros prazeres e maiores vícios é mesmo Viajar.


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sábado, 21 de março de 2009

Tattoo


Um livro muito agradavél, exótico e sensual onde de facto imperam mesmo os Sentidos, de ler especialmente para me lembrar o porquê de não ter uma única tatuagem no meu corpo.
Atenção não tenho nada contra quem as tem, mas sinceramente não é de facto a minha "praia", alguns casos então parece-me mais sadomasoquismo que outra coisa.

Este livro foi-me dado por um amigo que tem o corpo todo tatuado, mas todo mesmo, no intuito de me convencer a fazer uma tatuagem, pois devo dizer que não conseguiu os seus intentos.

Cá fica uma passagem que eu gosto particularmente:

" Começam nas maças do rosto e vão descendo, cobrindo cada centímetro do meu corpo - lábios, língua, garganta, seios, ancas, coxas, até mesmo a sola dos pés. Apesar de não terem sido realmente feitas por mim (como poderia? A dor deixa-nos Insensíveis ) ... eu sou mais do que responsável, sou culpada. "

Podem ler aqui no blog da Miss Slim